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Ronnie Lessa, policiais civis e militares são do mesmo bando, afirma MP

Ronnie Lessa, policiais civis e militares são do mesmo bando, afirma MP
Acusado de assassinar Marielle Franco, Ronnie Lessa (Foto: reprodução)

Preso sob acusação de assassinar a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), Ronie Lessa é um dos alvos de nova operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Deflagrada nesta terça-feira (10), a Operação Calígula visa desarticular um esquema de proteção de uma organização criminosa especializada em jogos de azar. Além do miliciano Lessa, agentes da Polícia Civil e militar, dentre eles uma delegada, foram presos. Cerca de R$ 1,2 milhão foram encontrados na casa da delegada Adriana Belém.

A Promotoria afirma que o grupo é liderado por Gustavo de Andrade e seu pai, Rogério de Andrade, que é sobrinho de um dos maiores bicheiros da história do Rio de Janeiro, Castor de Andrade, que morreu em 1997, em prisão domiciliar.

Ao todo são 29 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão. Dentre os alvos estão quatro bingos comandados pelo grupo. 30 pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Dessas, 11 já foram localizadas e presas.

Estado e crime andando lado a lado

O MPRJ afirma que os criminosos pagavam propina para os agentes da Polícia Civil e militar, em troca de proteção e de garantia de funcionamento dos estabelecimentos. A delegada Adriana Belém foi titular da 16ª DP, na Barra da Tijuca, bairro onde Ronnie Lessa morava.

O jornal Folha de S. Paulo revelou que o delegado Marcos Cipriano teria intermediado um encontro entre Lessa, Belém e um inspetor de polícia, braço direito da delegada. No encontro foi combinada a liberação de 80 máquinas caça-níqueis, apreendidas em casa de apostas da organização criminosa, mediante pagamento de propina.

Acusada de praticar inúmeros homicídios, a organização criminosa contava ainda com um policial civil aposentado e integrantes do alto escalão da Polícia Civil.

Ligação de Lessa com Bolsonaro

Ronnie Lessa morava no mesmo condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) vivia com a família, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo o policial reformado, Ronnie Lessa, em 2009 Bolsonaro era “patrono da ABBR”, a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação , e interferiu para que ele recebesse prioridade no atendimento da associação. Lessa havia perdido parte da perna esquerda depois de uma explosão de uma bomba dentro do seu carro.

O miliciano afirma que Bolsonaro o ajudou por “gostar de ajudar quem é da polícia”.

O delegado Giniton Lages, então titular da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro e um dos responsáveis pelas investigações da execução de Marielle Franco, confirmou no dia 12 de março de 2019, que a filha de Ronnie Lessa namorou um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro. “Isso [o namoro] tem. Mas isso, para nós hoje, não importou na motivação delitiva. Isso vai ser enfrentado no momento oportuno. Não é importante para esse momento”, acrescentou o delegado.

Segundo reportagem do Jornal Nacional, do dia 29 de outubro de 2019, um dos porteiros do condomínio de Bolsonaro e Lessa, afirmou em depoimento à PF que então deputado federal, Jair Bolsonaro, foi quem autorizou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Élcio também é acusado de participar do assassinato. Dias depois, em outro depoimento, o porteiro voltou atrás e disse que se confundiu ao citar o “seu Jair”.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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