fbpx

Ruth Manus: As coisas não estão melhorando, a gente está lutando por direitos

Ruth Manus: As coisas não estão melhorando, a gente está lutando por direitos

A escritora Ruth Manus é a convidada desta semana do Papo do Avesso. Na conversa com Kelli Kadanus, ela fala sobre literatura e feminismo. Elas conversam sobre a importância da luta feminista para a conquista de direitos das mulheres. “As coisas não estão melhorando, a gente está lutando por direitos”, diz Ruth. “Tudo que melhorou, se as mulheres votam, se as mulheres se divorciam, é fruto de luta feminista histórica”, afirma a escritora. Ruth ressalta, ainda, a fragilidade dos direitos, que são vulneráveis a crises e mudanças políticas.

Ruth Manus também defende o feminismo interseccional, que prega que enquanto algumas mulheres não forem emancipadas, a classe toda das mulheres está condicionada.

“Se nós que somos as mulheres brancas vivendo em grandes capitais, heterossexuais, cisgênero… se a gente está livre… mas se só estamos assim por causa das nossas condições de classe econômica, de aparência, de privilégios e não pela nossa essência de mulher, a gente ainda tem o problema. Se as mulheres negras não usufruem da mesma liberdade e, sobretudo da mesma segurança que a gente, do mesmo acesso ao mercado de trabalho que a gente, a gente tem que entender que a gente não está acessando por ser mulher, a gente está acessando por ser branca , cisgênero, ocidental e o caramba. É entender a alma do problema”, defende.

E tem spoiler: a Ruth já está trabalhando no próximo livro, que será lançado em fevereiro de 2022. Um dos capítulos é sobre parentalidade antimachista. Ruth fala sobre a importância de criar filhos fora da concepção machista, que é estrutural na sociedade, mas que se tornem adultos funcionais. “Tem uma coisa que é frequente que são os pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras domésticas”, reflete a escritora. Ela afirma que isso é uma forma de machismo e que é uma mentalidade, inclusive, que é mais comum em mães do que em pais.

Elas conversam também sobre a nova geração de meninas. Segundo Ruth, temos muito a aprender com as gerações mais velhas e com as mais novas. “A gente ainda se convence de que a gente pode. Essas meninas têm certeza de que elas podem tudo”, diz Ruth sobre as gerações mais novas de meninas.

Ruth também reflete sobre como trazer assuntos relacionados à pauta feminista à tona  no dia a dia. “Tem duas pessoas para trazer as pessoas para a nossa conversa: pelo embate e pelo convite. Eu acredito muito no convite. Quando você vai para o confronto, a tendência natural da pessoa é se defender”, diz.

Para Ruth, “chegar com dois pés no peito” para falar sobre esses temas “é completamente disfuncional, não resolve e afasta”.

“Quando a gente está falando de mulheres mais velhas, quando a gente traz uma informação ‘olha, isso aqui que você está vivendo há 50 anos é uma situação machista’. Isso é muito dolorido para as pessoas. A gente tem que ter a medida de entender como a gente introduz as coisas”

Compre os livros da Ruth Manus:

Pega um café e vem bater esse papo com a gente:

Ouça no Spotify:

Assine a newsletter do Sonhos do Avesso e tenha acesso a um conteúdo exclusivo todas as quartas-feiras! Assinante da newsletter ouve o Papo do Avesso antes de todo mundo. É só se inscrever neste link! É de graça!

Papo do Avesso é o podcast oficial da página Sonhos do Avesso, que nasceu de dois corações e um amor em comum: escrever. Dois corações jornalistas, nascidos em 91 e que só queriam um espaço para poder se abrir. Essa iniciativa é uma vontade que, inicialmente, parece simples. Mas só quem escreve sabe como isso pode ser essencial na vida.

Então, o Sonhos do Avesso nasceu, deu alguns frutos, mas precisou ficar ali, paradinho por um tempo. Porque como a vida é ciclo, e às vezes nos pede outras prioridades, há sonhos que precisam esperar. Há avessos que ficam para depois.

E ele esperou.

Só que aí, esses dois corações conversaram e chegaram à conclusão em comum de que era hora de voltar. E o Sonhos do Avesso voltou. Bem diferente, ele cresceu.

Agora ele fala de outras coisas, ele indaga a vida de outra forma, olha diferente para o passado, fala de futuros possíveis. Ele vai falar a sua língua e, talvez, seja você quem fale com ele. Ele pode falar outras línguas, mas você é bem-vindo para desfrutar do nosso espaço.

Tudo vai depender da estação, do clima, dos corações que estão escrevendo. E esses corações costumam ter vontades em comum e outras vezes totalmente contrárias. Tem dias que é só sonho, tem dias que é só avesso, tem dias que é os dois. Senta com a gente, toma um café. Vai que você conta para nós o seu sonho? Vai que você descobre que o avesso era seu lado certo? A gente vai adorar te receber na nossa casa.

Perdeu o episódio anterior? Ouça aqui:

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: