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Sergio Abranches: Bolsonaro quer ser o rei plebeu do Brasil

Sergio Abranches: Bolsonaro quer ser o rei plebeu do Brasil

O Papo do Avesso desta semana recebe o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches. Ele é autor de livros como “Os despossuídos: pobreza e desigualdade na terra dos milagres”, “A era do imprevisto”, “Presidencialismo de Coalizão”, entre outros.  Durante a conversa, Abranches falou sobre seu último livro publicado: “Tempo dos governantes incidentais”, em que faz uma análise de figuras políticas que chegaram ao poder de forma atípica em várias partes do mundo. Segundo o cientista político, Jair Bolsonaro (sem partido) se enquadra nesta categoria.

“Ele era um nada na política, uma eleição atípica o leva à Presidência, ele não sabe muito bem o que fazer com a Presidência, ele quer o poder. Ele tem a ambição de ficar na Presidência, ele quer ser uma espécie de rei plebeu, imperador plebeu do Brasil”, diz Abranches.

O cientista político aposta, ainda, que Bolsonaro não conseguirá se reeleger em 2022. “Ele só consegue ficar no poder se conseguir mudar as regras de rotatividade, as regras de eleição, que é o que ele vem tentando fazer. Ele é uma cópia mal feita do Trump. E você vê que o Trump não se reelegeu”, analisa. “Eu vou ficar muito surpreso se o Bolsonaro for reeleito. A não ser que ele de fato consiga mudar as regras. Com as regras com que ele foi eleito, ele não volta”, garante.

A democracia tem que deixar de ser analógica

Abranches também analisa a crise pela qual passam as democracias em todo o planeta. Para ele, é urgente que as democracias deixem de ser analógicas e que os formadores de políticas públicas deixaem de pensar analogicamente e passem a pensar de forma digital. Ele também afirma que a pandemia deixou mais clara a necessidade de repensar esse consenso que houve em torno da austeridade fiscal imposta pelo mercado financeiro.

“O que ficou claro é que os países que tinham sistemas públicos de saúde robustos, bem financiados, funcionando bem se saíram muito melhor e salvaram muito mais vidas do que países ou que não tinham sistemas públicos, como os Estados Unidos”, diz.

“Certamente uma das coisas que a democracia vai precisar é criar uma nova rede de proteção social, que tem que ser o que eu chamo de uma rede cega. Ela não pode ficar tentando focar muito em que grupos ela vai proteger porque na verdade a gente não sabe quem vai ser desprotegido amanhã, qual vai ser o próximo passo da robotização ou do uso de inteligência artificial que vai fazer um contingente grande de pessoas ficar sem emprego”, diz, ainda.

Para Abranches, as crises das democracias é resultado de uma convergência de “várias forças tectônicas” que estão mudando os fundamentos da sociedade no planeta inteiro: a digitalização da sociedade; a globalização; e a mudança climática.

“Todas elas representam um espaço para mudança positiva no sentido de fazer investimentos em direções que melhoram a qualidade da vida humana e das relações humanas. Mas todas elas são ameaçadoras também”, diz. “São as foras que ameaçam a gente, mas também apontam para uma vida muito melhor. Um planeta com muito menos poluição, em que a gente tenha uma conversação muito mais fluída. Mas elas se manifestam como crise”, analisa o cientista político.

No Papo do Avesso, Abranches também fala sobre polarização, regras para impeachment, reformas institucionais necessárias no Brasil, nazismo e muito mais. E traz uma mensagem animadora: “O movimento da história mostra o poder das ideias sobre a força das armas”.

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Papo do Avesso

Papo do Avesso é o podcast oficial da página Sonhos do Avesso, que nasceu de dois corações e um amor em comum: escrever. Dois corações jornalistas, nascidos em 91 e que só queriam um espaço para poder se abrir. Essa iniciativa é uma vontade que, inicialmente, parece simples. Mas só quem escreve sabe como isso pode ser essencial na vida.

Agora ele fala de outras coisas, ele indaga a vida de outra forma, olha diferente para o passado, fala de futuros possíveis. Ele vai falar a sua língua e, talvez, seja você quem fale com ele. Ele pode falar outras línguas, mas você é bem-vindo para desfrutar do nosso espaço.

Tudo vai depender da estação, do clima, dos corações que estão escrevendo. E esses corações costumam ter vontades em comum e outras vezes totalmente contrárias. Tem dias que é só sonho, tem dias que é só avesso, tem dias que é os dois. Senta com a gente, toma um café. Vai que você conta para nós o seu sonho? Vai que você descobre que o avesso era seu lado certo? A gente vai adorar te receber na nossa casa.

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Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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