SERVIDORES COMEMORAM SAÍDA DE SALLES E PEDEM QUE EX-MINISTRO PAGUE POR CRIMES AMBIENTAIS

A Associação Nacional dos Servidores da Carreira Especializada em Meio Ambiente (Ascema Nacional) comemorou nesta quarta-feira (23) a exoneração de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente, mas cobraram que o ex-ministro seja responsabilizado por supostos crimes ambientais cometidos durante sua gestão. Salles foi exonerado na tarde desta quarta-feira e, em seu lugar, assume Joaquim Álvaro Pereira Leite, que ocupava o cargo de secretário da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais da pasta e tem ligações com a Bancada Ruralista da Câmara.

Em abril do ano passado, Salles sugeriu em uma reunião ministerial que o governo federal aproveitasse que todas as atenções estavam voltadas para a pandemia de coronavírus para “passar a boiada” na desregulamentação de temas ambientais. O ministro é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado por crimes contra a administração pública, como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando, praticado por agentes públicos.

Foto: Agência Brasil

“A gestão de Salles, apoiada pelo presidente da República, é o reflexo do descompromisso com o meio ambiente, com o serviço público e com o povo brasileiro”, diz, em nota, a Ascema Nacional. “A trágica passagem de Salles pelo ministério foi marcada pela desestruturação,  perseguição a servidores e aparelhamento dos órgãos ambientais a ele subordinados, como o próprio MMA, IBAMA e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)”, dizem, ainda, os servidores.

“A Ascema Nacional enfatiza as denúnicas anteriores sobre as atrocidades cometidas por Salles e seus apoiadores, na tentativa de atuar assiduamente contra a proteção do meio ambiente, atacando o serviço público e buscando passar a boiada do desmatamento, do garimpo ilegal e da depredação da fauna e flora, visando apenas lucro e benefícios para ruralistas e empresas descomprometidas com a proteção do nosso patrimônio natural”, diz a nota.

A Ascema ressalta, ainda, que o novo ministro do Meio Ambiente será cobrado ” pelo fim do assédio moral e institucional, em favor da segurança e saúde nos locais de trabalho e será alvo de fiscalização em suas atitudes e posicionamentos diante da pasta”.

Os servidores reforçam que “a indicação de Joaquim Leite aponta para continuidade  das boiadas propostas pelo chefe que deixa o posto”. “Estaremos atentos porque precisamos de mudança de fato e não de troca de nomes no Ministério para confundir a opinião pública”, diz a nota.

Novo ministro do Meio Ambiente, Leite foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB) por 23 anos. O grupo apoia a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista da Câmara dos Deputados, e também apoiava a gestão de Salles no MMA.

Leite é formado em administração de empresas pela Universidade de Marília (Unimar) e tem um MBA pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

O novo ministro já faz parte do governo desde julho de 2019, quando assumiu o cargo de Diretor do Departamento de Florestas.  Em abril do ano passado, assumiu a Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais.

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