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Simone Tebet vai conseguir unir a terceira via contra o bolsopetismo?

Simone Tebet vai conseguir unir a terceira via contra o bolsopetismo?
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Após a radicalização do discurso político em 2018, candidatos de centro-direita passaram a se opor ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e buscar catalisar o antipetismo em torno de uma candidatura mais moderada, conhecida como terceira via. Ciro Gomes (PDT) tenta captar o eleitor disposto a apostar em um candidato fora da polarização, assim como a senadora Simone Tebet (MDB). Nesse contexto, existem dois fatores que prejudicam o avanço de uma candidatura alternativa: o fato de cerca de 80% dos eleitores já terem escolhido definitivamente seu voto, segundo pesquisa de opinião realizada recentemente pela CNT-MDA*, e a ausência de uma candidatura única e sólida para representar a terceira via, cujos candidatos não alcançam os dois dígitos nas intenções de voto desde as primeiras pesquisas eleitorais.

O tímido desempenho das candidaturas ditas moderadas nas pesquisas eleitorais indica que a própria terceira via pode optar pelo pragmatismo de aliar-se a candidatos já populares na disputa eleitoral ao invés de consolidar uma nova candidatura. Partidos como MDB, União Brasil, PSDB e Cidadania não declaram publicamente uma aproximação com Bolsonaro no primeiro turno, mas é provável que a maioria deles utilize Bolsonaro como cabo eleitoral nas disputas regionais durante o segundo turno, inclusive o MDB que lançou recentemente a pré-candidatura de Simone Tebet (MDB).

terceira via
Terceira via: A busca por um nome viável

Segundo o cientista político da Uninter Doacir Quadros, não existe uma terceira candidatura que se equipare politicamente às de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). “Hoje, não se tem uma terceira pessoa com a mesma visibilidade de Lula e Bolsonaro junto ao eleitor. De lá pra cá, apareceram algumas personalidades, como o João Doria [PSDB], que aproveitaram uma demanda específica da sociedade em uma localidade só, que foi a pandemia em São Paulo. Mas logo quando começou o lançamento das candidaturas à presidência, houve um racha dentro do partido que ruiu a imagem de Doria frente à opinião pública”, explica.

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No caso do MDB, caso o partido desista da candidatura de Simone Tebet devido à falta de viabilidade política da senadora, a maioria dos emedebistas deve apoiar a reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Além disso, a prova de que os partidos com candidatos da terceira via estão mais ligados ao bolsonarismo do que aparentam é o fato de siglas como MDB, União Brasil (união entre DEM e PSL), PSDB e Cidadania apoiarem os projetos do governo em mais de 75% das votações da Câmara dos Deputados.

No final de abril, o União Brasil abandonou a terceira via pela demora dos partidos em definir uma candidatura única e pelo risco de perder cargos no governo federal. O Palácio do Planalto articulou-se para forçar o presidente do União Brasil, deputado Luciano Bivar (PE), a retirar o partido da terceira via, pois a ala governista do União perderia cargos caso a aliança fosse oficializada. O recado partiu do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).

Por isso, o União Brasil optou por lançar Luciano Bivar como pré-candidato à presidência e deixar os membros de diretórios regionais livres para escolherem seus cabos eleitorais nas disputas para o Executivo estadual ou o Legislativo. Nesse contexto, o cabo eleitoral mais provável é Bolsonaro.

Para Quadros, para que uma candidatura de terceira via avance nas pesquisas para aproximar-se do segundo turno, é recomendado que os partidos combinem uma candidatura única, com discurso focado no bem-estar econômico e social do eleitor e escolhendo apenas Bolsonaro como adversário e alvo de críticas, de onde a terceira via pode tirar votos para sair da estagnação no primeiro turno. 

Bolsonarismo: da ascensão à queda
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Atualmente, o cientista político da Uninter Doacir Quadros ressalta: “Além de Lula e Bolsonaro, ainda não surgiu um terceiro nome capaz de responder às demandas da sociedade não só em termos de saúde, mas também de economia e segurança pública, por exemplo.”

Do auge na Lava Jato à derrota política no governo Bolsonaro

De novembro de 2021 a 31 de março de 2022, o Podemos desembolsou cerca de R$ 3 milhões com a pré-candidatura à presidência do ex-juiz Sérgio Moro, incluindo o pagamento de salários de assessores, de R$ 22 mil brutos, R$ 210 mil no evento de filiação e R$ 600 mil em uma pesquisa qualitativa de intenção de voto. Após a saída de Moro do partido, a presidente do Podemos, Renata Abreu, assegurou que a legenda ofereceu estrutura e recursos necessários para a pré-campanha do ex-ministro.

Em nota enviada ao jornal Folha de São Paulo, Moro afirmou que os gastos do Podemos foram normais para sua condição de pré-candidato. “O fundo partidário tem como objetivo custear ações do partido e seus filiados de acordo com a legislação eleitoral em vigor”, afirma no texto.

Com sua desistência, Moro perdeu parte de seu restrito grupo de apoiadores políticos, composto majoritariamente por membros do Movimento Brasil Livre (MBL), que se sentiram traídos após a saída de Moro do Podemos por terem acompanhado a migração do ex-juiz ao partido. Em vídeo postado nas redes sociais, o coordenador do MBL, Renan Santos, disse estar “atônito” com o anúncio de Moro. 

O ex-ministro filiou-se ao União Brasil e permanece à espera da definição da candidatura à presidência do partido, que cogita Luciano Bivar. Caso a candidatura permaneça, Moro tenta emplacar seu nome como vice; caso o partido desista de Bivar, o ex-juiz não esconde sua pretensão de concorrer ao Planalto.

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O PSDB começou a desenhar sua candidatura moderada à presidência em novembro de 2022, quando João Doria venceu as prévias do partido com 53,99%. Porém, como a diferença entre Doria e o segundo colocado, Eduardo Leite, foi pouca, o governador do Rio Grande do Sul tentou se impor como pré-candidato com a ajuda da direção nacional do partido. 

Questionado sobre o motivo de estimular a fragmentação interna do PSDB para viabilizar sua candidatura à presidência em detrimento de Doria, Eduardo Leite afirmou ver espaço no meio da polarização. “Há muito espaço para uma candidatura que consiga se apresentar portadora do futuro. Mas não adianta querer ganhar apenas pelos defeitos dos outros candidatos e sim pelas qualidades do seu projeto, reacendendo a esperança na população”, declarou.

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Lulismo: As esperanças controversas

Com a desistência de Doria em 23 de maio, o PSDB oficializou apoio à pré-candidatura de Simone Tebet (MDB). O provável vice na chapa deve ser Tasso Jereissati (PSDB), que também a aposta da senadora para uma ponte com o pré-candidato Ciro Gomes (PDT). Embora a candidatura de Simone Tebet à presidência seja provável no MDB, a senadora precisa sair do índice um dígito de intenções de voto. 

Caso Simone Tebet não se mostre viável politicamente, é provável  que a senadora seja mais uma postulante envolvida no enredo clássico de seu partido desde 1989, quando o nome para a presidência era de Ulysses Guimarães: os emedebistas vão fingir que não têm candidato na sigla e vão traí-la com os líderes nas pesquisas, ficando livres para escolher a candidatura mais vantajosa nas pesquisas para apoiar. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, é líder nas pesquisas eleitorais e conta com muitos apoios no MDB, principalmente no Nordeste.

*A pesquisa de opinião da CTA-MDA foi realizada pela CNT e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05757|2022. O levantamento entrevistou 2002 pessoas entre 04 e 07 de maio de 2022, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95,6%. 

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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