fbpx

Super-homem bissexual: Por que a revelação da sexualidade de um personagem incomoda tanto?

Super-homem bissexual: Por que a revelação da sexualidade de um personagem incomoda tanto?

Olá querides companheiros e companheiras! Hoje, vamos falar sobre uma polêmica dos quadrinhos que repercutiu bastante no mundo e também no Brasil, a revelação da sexualidade de um dos personagens mais famosos do mundo do cinema e das HQ’s: o super-homem.

Mas por que isso incomoda tanto? Por que isso ainda vira polêmica e causa alvoroço entre as pessoas que consomem este tipo de entretenimento? Para entender toda essa dinâmica precisamos começar do zero e explicar a ideia central tanto da criação do personagem quanto de toda repercussão sobre isso.

A DC Comics, criadora de personagens famosos mundialmente como o Batman, Mulher Maravilha, Flash, entre outros, anunciou que a mais recente versão do Super-homem, Jon Kent, será bissexual. Em sua próxima edição de quadrinhos, com lançamento previsto para novembro, Jon será retratado em um relacionamento do mesmo sexo com seu amigo Jay Nakamura.

Foto: Rerodução

É importante destacar que não está se mudando a história de um personagem tão icônico e importante do mundo dos quadrinhos, a nova versão da revista é um enredo que faz parte de uma coletânea chamada “Superman: Son of Kal-El (Super-homem: Filho de Kal-El), ou seja, retrata a vida do filho de Clark Kent, Jon Kent, que apesar de ser filho do grande Superman tem suas próprias características e é dono de uma personalidade que vai além da trajetória de seu pai.

A DC Comics fez o anúncio no National Coming Out Day (Dia da Saída do Armário, em tradução livre), um dia anual de conscientização LGBTQI+ comemorado nos Estados Unidos.

Desde que a série foi lançada, em julho, Jon já lutou contra incêndios florestais causados ​​pela mudança climática, evitou um tiroteio em uma escola e protestou contra a deportação de refugiados.

Jon, fez amizade com Jay, um repórter de óculos e cabelo rosa numa edição anterior aos feitos heroicos. A DC declarou que a dupla se envolverá romanticamente em uma das edições futuras da revista depois que Jon Kent “se cansar de tentar salvar a todos”.

O escritor da série, Tom Taylor, disse à BBC que a DC Comics já considerava a ideia de um relacionamento do mesmo sexo antes de apresenta-la. Tom Taylor, disse também à BBC que, quando lhe ofereceram o trabalho pela primeira vez, ele ficou imaginando “como o Super-Homem deveria ser nos dias de hoje”.

“Houve uma mudança real nos últimos anos dez anos, cinco anos atrás, isso teria sido mais difícil, mas acho que as coisas mudaram de uma forma muito oportuna”, declarou.

Ele revelou também que apesar das mensagens contrárias nas redes sociais, houve muitas outras posições de apoio e consciência da importância desta criação no mundo de hoje. “Temos pessoas dizendo que leem esta notícia hoje e começam a chorar, pessoas dizendo que nunca pensaram em suas vidas que seriam capazes de se enxergar no Super-Homem… literalmente o super-herói mais poderoso dos quadrinhos”, destacou Taylor.

Repercussão sobre o Super-Homem

Não foi revelado muitos detalhes desta narrativa ainda, porém as imagens que circulam nas redes sociais dos jovens se beijando gerou uma imensa polêmica entorno destas escolhas da DC.

Depois que foi oficializado o romance e divulgada as imagens dos personagens juntos, diversas áreas da sociedade começaram a falar sobre o tema e a debater a real importância deste conteúdo. Porém nem tudo são flores, sabemos do tamanho das dificuldades que a comunidade LGBTQIAP+ tem de emplacar de forma leve a sua própria existência.

Uma das repercussões mais famosas aqui no Brasil foi no mundo do esporte, quando um jogador importante da seleção brasileira de vôlei, Maurício Souza, do Minas Tênis Clube, publicou em sua rede social uma imagem do beijo gay e escreveu: “É só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”.

O conteúdo da postagem foi alvo de muitas críticas dentro e fora das quadras onde o jogador trabalha. O também companheiro de seleção Douglas Souza, assumidamente homossexual, rebateu o comentário de seu colega: “Eu não ‘virei heterossexual’ vendo os super-heróis homens beijando mulheres… Se uma imagem como essa te preocupa, sinto muito, mas eu tenho uma novidade pra sua heterossexualidade frágil”.

As repercussões apoiadas também pelas declarações de outros atletas em apoio à comunidade LGBTQIAP+ levaram o clube mineiro a se manifestar publicamente, com uma nota que afirmava que “todos os atletas federados à agremiação têm liberdade para se expressar livremente em suas redes sociais”. Pressionado pelos principais patrocinadores da equipe, Fiat e Gerdau, Maurício pediu desculpas, mas disse que “ter opinião e defender o que se acredita não é ser homofóbico nem preconceituoso”. A retratação não foi o suficiente e ele acabou desligado do clube.

O treinador da seleção brasileira de vôlei, Renan Dal Zotto, afirmou que não pretende mais convocar o central e que na seleção “não tem espaço para profissionais homofóbicos”.

A problemática principal de tudo isso é que, de uns tempos pra cá as pessoas começaram a destilar preconceito em formato de “liberdade de expressão”. É preciso lutar para que essa nova roupagem de discriminação seja combatida em todos os âmbitos da sociedade. Tudo que nós não precisamos é de uma nova forma de se cometer homofobia, tudo que precisamos como sociedade é entender os direitos dos outros e respeitar as diversas formas de existência que temos.

A tolerância para este tipo de comportamento ainda é grande, por mais que aos poucos estejamos conseguindo alcançar lugares nunca antes imaginados. A luta é imensa por representatividade, por respeito e direito à vida.

Vamos seguir “gritando” para que as nossas vozes nunca sejam silenciadas!

Jhey Borges

Jenifer Borges, publicitária, colunista e ativista das causas das mulheres, negros, jovens e LGBTQIA+, escrever é um ato político desde que suas palavras sejam condizentes com igualdade social e sua própria índole

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: