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Suspeito diz ter sido torturado com sacola na cabeça pra confessar crime contra Bruno e Dom

Suspeito diz ter sido torturado com sacola na cabeça pra confessar crime contra Bruno e Dom
Amarildo da Costa Oliveira é suspeito de envolvimento no desaparecimento do indigenista e do jornalista no Amazonas (Foto: reprodução)

Com uma semana do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, a polícia segue em busca de apresentar uma resposta para o caso e, segundo Amarildo da Costa Oliveira, vulgo “Pelado”, não descarta nem tortura para isso. Amarildo é suspeito de ter envolvimento no desaparecimento e está preso desde o último dia 7. Em depoimento prestado a peritos da Polícia Civil do estado do Amazonas, Pelado afirmou que foi torturado pela Polícia Militar.

Segundo ele, no mesmo dia que foi preso em flagrante por posse de munição restrita, ele foi vítima asfixia. Os PMs teriam o torturado colocando uma sacola plástica em sua cabeça para que confessasse o crime.

O laudo do exame de corpo de delito, revelado pela Agência Pública, aponta que Amarildo apresentou “lesões nas munhecas, lesões leves”. Pelado também afirmou que os policiais pisaram nas suas pernas, o que se confirmou pelo exame, que apontam “edema leve”. Quanto a asfixia, o laudo não apresentou evidências. A técnica de tortura do saco plástico ficou nacionalmente conhecida com o filme Tropa de Elite e é usada por policiais para torturar através do sufocamento dos suspeitos e arrancar respostas.

Os policiais negam que tenham torturado Amarildo, e afirmam que o suspeito já apresentava as lesões quando foi preso. Quanto aos hematomas nas pernas, os PMs afirmam que ele teria machucado descendo da lancha. O ex-advogado de Amarildo, Ronaldo Caldas, disse à Pública que o suspeito relatou que desmaiou três vezes enquanto era torturado e que foi acordado com água na cabeça. Caldas, que largou a defesa do suspeito após ter sido revelado que ele também é procurador do município de Atalaia do Norte, disse que Amarildo chegou até ele molhado.

A suspeita sobre Amarildo

Amarildo foi apontado como suspeito, após ribeirinhos relatarem terem visto ele em uma lancha 10 minutos após Bruno e Dom passarem pelo local, indo no mesmo sentido. Após o relato, os policiais foram até a casa de Amarildo, onde teriam sido encontrados um cartucho calibre 16 deflagrado, 16 chumbinhos e uma munição calibre 762.39, de uso restrito das forças de segurança. Em seu barco foi encontrado vestígio de sangue, que seu pai afirma ser de um porco caçado à poucos dias.

Relatos publicados pelo jornal O Globo apontam que uma testemunha teria dito para a polícia que viu Pelado já havia ameaçado assassinar Bruno e que saiu em direção ao barco dos desaparecidos com uma espingarda municiada e um “cinturão de munições”.

Entidades cobram paradeiro

Diante da falta de respostas concretas, entidades entraram, no último dia 10,c  um pedido de medida cautelar na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA) para resguardar as vidas e a integridade de Dom Phillips e de Bruno Araújo Pereira. O documento é assinado pela Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Instituto Vladimir HerzogRepórteres sem FronteiraAlianza Regional por la Libre Expresión e Información, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)Instituto Tornavoz e Washington Brazil Office.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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