Jovens da periferia de Curitiba realizam Cortejo Literário

Serginho Smith, um dos jovens participantes. Foto: Mara Zocolotte

Durante todo o ano de 2017, 3.000 jovens de 10 a 17 anos, moradores de bairros da periferia de Curitiba, participaram em uma das ações do projeto Mostra Literatura Paraná, em oficinas e aulas que ensinaram sobre literatura, música e arte. Sob o comando de Kenni Rogers, os jovens agora se preparam para o grande momento: uma apresentação dentro do III Curitiba Mostra/Outras Leituras com a presença dos escritores Luís Henrique Pellanda, Luci Collin e Miguel Sanches Neto. Entre os jovens participantes está o promissor Serginho Smith, um dos talentos do projeto. Continue reading “Jovens da periferia de Curitiba realizam Cortejo Literário”

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Vídeo do Dia | Quem defende a criança viada?

O youtuber Murilo Araújo lançou ontem no seu canal um vídeo que levantou mais uma vez os temas que tem sacudido o país: QueerMuseu e MAM. Murilo é católico e gay, o que faz com que ele tenha uma noção bem ampla do assunto abordado – no caso do QueerMuseu. A grande questão levantada gira entorno dos repudiadores das mostras de arte aqui abordadas, que alegam veementemente que estão ali defendendo as crianças. Mas, onde estão esses mesmos defensores quando a criança é vitima de preconceito na escola? Veja o vídeo.

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#342Artes – Somos contra a censura

Artistas da Globo fizeram manifestações contra a censura artística

O presidente está desviando de denúncias de corrupção e ninguém fala nada. Senadores e deputados idem, e o povo se cala. Mas quando uma exposição de arte atenta contra o que eles chamam de “moral e bons costumes”, aí o povo se revolta. Teve manifestação e censura transvestida de boicote. Agora vereadores de Uruguaiana-RS querem dizer que tipo de livro pode ou não estar na Biblioteca Pública da cidade. Sabe onde mais aconteceu isso? Na Alemanha Nazista (além do Brasil na era da Ditadura Militar, claro).

Como a ignorância é a raiz de todos os males – e pra mim os atacadores de exposições são boa parcela dos males – vou contar de maneira bem reduzida, simplista e fácil de entender. Um dia Hitler chegou ao poder, correto? Ele chegou lá graças a uma propaganda muito bem articulada que o colocava como o salvador da nação. Aquele que iria trazer a Alemanha de volta. O cara que iria colocar o país desgovernado nos eixos. E chegou lá com discurso contra um grupo de pessoas, os tais dos judeus. Com esse discurso fácil, ele começou a ser adorado pelo povo.

Como ele inflamou o povo contra os judeus, logo as pessoas começaram a fazer manifestações contra toda a comunidade judaica. E ele não fez nada. Começaram a quebrar vidraças de lojas judaicas. Queimaram sinagogas. E Hitler tirou os policiais das ruas para não atrapalhar o “direito a livre manifestação” dos defensores da moral e bons costumes alemão. Livros com conteúdo “inadequado para o povo da Alemanha” foram queimados em praça pública. Você sabe como termina essa história, né? Com o massacre de mais de seis milhões de judeus.

Você acha que as pessoas que foram para as ruas quebrar lojas judaicas tinham noção de qual fim isso teria? Certamente não. Elas estavam cegas, fumegando em ódio. Elas não podiam enxergar o real mal de suas manifestações. Elas não viam o que estavam fazendo. Não percebiam que estavam sendo manipuladas. Achavam que defendiam os seus pensamentos, mas na verdade estavam defendendo os pensamentos do seu líder, que com isso fazia com que o povo o amasse, afinal, era ele quem tinha feito com que elas enxergassem o “real perigo” que os judeus apresentavam.

Hoje temos candidato sendo carregado pelo povo, e tido como o herói que vai salvar a nação – e isso na direita e na esquerda. Temos exposições sendo fechadas. Temos terreiros de umbanda sendo quebrados. O povo aceita a possibilidade de intervenção militar. Bibliotecas não podem ter todos os tipos de livro. A moral e os bons costumes estão acima de tudo. A fé só é sacra se for cristã. Ser gay é tido como ser doente. Grupos como o MBL que só aparece para inflar a população com essas pautas morais, enquanto o que defendem na verdade é uma pauta política sem clamor popular. E tudo isso enquanto temos um presidente com a aprovação igual a margem de erro das pesquisas. E as pessoas preferem atacar artistas de uma emissora, que até o ano passado era de direita, agora é comunista.

Onde vocês acham que isso vai parar?

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Queermuseu – A arte serve pra que?

Recentemente foi cancelada a exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira”do Santander Cultural de Porto Alegre, após muitas manifestações de pessoas ligadas ao MBL. Segundo essas pessoas as obras ali expostas desrespeitavam símbolos religiosos e faziam apologia a pedofilia. Sendo assim eu te questiono: a arte serve pra que?

Série Mulheres Árabes | # 30 Layali Alawad

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* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita no Creative Havens: Syrian Artists and Their Studios. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui. (Fotos por: http://www.thomas-langens.de/)

Layali Alawad é uma jovem artista síria, formada em Técnicas Gráficas e Impressão pela faculdade de Belas Artes da Universidade de Damasco. Nascida em Aachen, na Alemanha, mudou-se com sua família para Damasco e, depois de alguns anos, voltou à Aachen, onde vive atualmente.

Creative Havens – Qual é a sua relação com o seu estúdio? O que ele representa para você? Como você se sente quando está lá?

LA – Enquanto o estúdio do artista é necessariamente um espaço no qual ele pode trabalhar e pensar, é também o seu próprio paraíso criativo. Para mim, meu estúdio é como um microcosmo próprio, aqui há outras regras, outras condições, outras prioridades.

As pessoas podem pensar que ele [o estúdio] é desorganizado ou mesmo confuso, mas eu vejo essa desorganização como um compromisso bastante dinâmico, gradual e progressivo: toda mudança significa desorganização do velho e organização do novo.

Assim, no meu pequeno estúdio de arte, um pequeno caos é a evidência da criatividade. Conta a história das lições aprendidas na exploração, da experiência adquirida e das emoções expressas.

CH – O layout, a organização e a localização do seu estúdio têm influência na criação das suas obras? Que papel esse espaço, tempo e solidão têm em seu trabalho?

LA – No passado, como eu ainda estava vivendo na Síria meu estúdio de arte foi fixado no porão da minha casa. Para mim, esta era obviamente uma situação ideal, já que meu estúdio era também o lugar onde eu estava acostumado a receber meus amigos e ensinar aulas particulares de arte para as crianças.

Hoje, já que estou vivendo na Alemanha, meu estúdio funciona como uma sala de estar. Pode ser um estúdio menos espaçoso e confortável do que aquele que eu tinha na Síria, mas como agora sou capaz de experimentar uma sensação de segurança, privacidade e liberdade na minha arte, não posso pensar em alternativa melhor neste momento.

CH – Você ouve música em seu estúdio? Você trabalha melhor com alguma música tocando ou necessita de silêncio completo quando está em seu ápice criativo?

LA – Eu sempre ouço música enquanto trabalho. A música deixa minha mente livre de distrações e torna meu fluxo de trabalho muito mais suave. Acredito que a música se torna parte da minha obra de arte; isso me ajuda a expressar minhas emoções e traduzir meus sentimentos em linhas e cores mais fáceis. Pessoalmente, eu realmente prefiro música oriental.

CH – Quais são suas práticas artísticas e seu processo de trabalho? Você planeja?

LA – Basicamente eu sempre planejo e desenhe esboços pequenos em fases anteriores, mas assim que eu começo com o processo de pintura, eu acedo para um mundo novo. Eu esqueço tudo sobre meus esboços e meu planejamento e eu crio um tipo completamente diferente de arte.

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CH – Sobre o que é a sua arte?

LA – Para mim, [a] arte é toda sobre emoções e é uma forma de nutrição da consciência e do espírito. Em cada pintura está toda uma vida presa, toda uma vida de medos, dúvidas, esperanças e alegrias. Assim, especialmente agora, durante a guerra furiosa, traduzir esses diferentes níveis emocionais e espirituais em seu trabalho é a vocação de um artista, e harmonizar o todo é tarefa de arte.

Eu gostaria de ser capaz de testemunhar no meu trabalho o que os diferentes seres humanos são obrigados a percorrer durante tempos de guerra. Estou feliz por minha arte tocar pessoas, como eu tento expressar tristeza humana sobre os rostos que eu pinto.

CH – Ser artista é um trabalho difícil. Você tem algumas dúvidas e grandes lutas/esforços?

LA – Nenhum artista nunca está completamente satisfeito com seu trabalho. [A] auto-dúvida é um pouco uma necessidade para um artista dar o melhor de seu talento e desenvolver suas habilidades. Meu trabalho nunca é tão bom como eu imaginei que seria. Eu sempre vou gostar de algumas obras mais do que outras, mas acho que evitar a auto-dúvida e luta é apenas uma miragem que iria me impedir de seguir em frente.

CH – Você alguma vez se arrependeu de ter se tornado artista? De onde sua energia vem?

LA – Eu nunca lamentarei ser um artista! A arte é vida para mim. Eu nem consigo me imaginar sem pinturas e cores ao meu redor. A energia criativa está aqui em mim constantemente, mas o entusiasmo e o grau de energia dependem de toda uma gama de influências internas e externas, como por exemplo, as minhas condições psicológicas e, por vezes, o tempo.

CH – O que te inspira?

LA – Os seres humanos e a sociedade são a minha inspiração. Qualquer emoção humana ou situações de vida pode ser uma fonte para a minha arte.

CH – Quanta satisfação você recebe em resposta ao seu trabalho?

LA – Eu me sinto satisfeita o suficiente com o meu trabalho, mas ainda desejo manter o foco e continuar progredindo.

A satisfação é uma recompensa, mas a perfeição é uma ilusão. Eu penso em cada obra que eu crio como um degrau em uma jornada muito mais longa. Eu nunca vou chegar ao próximo estágio de desenvolvimento como um artista, a menos que eu esteja disposta a deixar uma obra de arte de lado e passar para a próxima.

Em algum momento, eu tenho que deixá-la ir e seguir em frente. Eu tenho que aceitar o fato de que mesmo os maiores autores, compositores, músicos e artistas ainda estavam insatisfeitos com suas obras-primas de alguma forma.

CH – O conflito na Síria, que está acontecendo há alguns anos, teve um impacto sobre o elemento central da sua arte? O que mudou?

LA – Obviamente. Antes de ser uma artista, eu sou um ser humano. A maioria das minhas obras de arte foram criadas no meio da guerra. Se a minha arte está cheia de profunda tristeza, é porque expressa o sofrimento do meu povo.

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CH – Se você está vivendo fora da Síria, o lugar em que você está vivendo mudou sua arte?

LA – Atualmente, eu vivo na Alemanha. Obviamente, o ambiente e a sociedade, em que vivo agora, desempenham um papel importante no meu humor artístico.

Posso ver uma clara diferença no meu trabalho. Minhas pinturas na Síria tinham as marcas dos valores e tradições da família, já que na sociedade oriental a família é uma entidade muito predominante. Na Síria, estávamos acostumados a estar rodeados por muitas pessoas, o que às vezes era até mesmo difícil de lidar, e nos dava poucas chances de nos sentirmos independentes.

Enquanto na Alemanha há uma espécie de individualismo básico e independência que me inspirou na minha arte. Meu último trabalho é intitulado “Ícones Sírios”, mas paradoxalmente é inspirado pela independência dos europeus e seu modo de vida individual.

CH – Quais são as suas esperanças e sonhos para si mesmo como artista e, especialmente, como uma artista síria?

LA – Minha esperança como ser humano é que a guerra chegue ao fim e as pessoas deixem de sofrer. Meu desejo como artista é ver minha arte alcançar o coração das pessoas em toda parte e ser reconhecida internacionalmente.

Meu sonho como síria é que a sociedade árabe entenda e aprecie a importância da arte em nosso mundo, que reconheça seu verdadeiro valor e comece a introduzir a educação artística como parte integrante do sistema educacional escolar.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 29 Lina Shadid

* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita no Creative Havens: Syrian Artists and Their Studios. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui.

Lina Shadid é uma pintora impressionista síria. Fascinada pela natureza e luz, a artista tenta capturar um senso de humor etéreo e espiritual em suas pinturas. Atualmente, ela vive em Nova York, EUA.

Creative Havens – Qual é a sua relação com o seu estúdio? O que ele representa para você? Como você se sente quando está lá?

Lina Shadid – Minha relação com meu estúdio é possivelmente a mais bela que já experimentei. Eu trabalho lá diariamente de dia ou de noite, com entusiasmo e com toda a minha alma. A sensação de escapar do mundo mundano [sic] onde estou livre de todas as minhas dores é indescritível. Com o início de cada nova história, deixo-me surpreender por onde me levará a jornada da criação, sem saber realmente em que direção tomará.

CH – O layout, a organização e a localização do seu estúdio têm influência na criação das suas obras? Que papel esse espaço, tempo e solidão têm em seu trabalho?

LS – Enquanto trabalho no meu estúdio, meu humor varia entre ordem e desordem. Desordem é geralmente a atmosfera necessária para criar obras de arte originais, mas às vezes eu preciso organizar meu espaço, a fim de monitorar melhor os resultados. A coisa mais linda para mim é que meu estúdio é também o lugar onde eu moro. Assim que eu sinto o desejo de criar, desço para o porão da minha casa e começo a trabalhar. As coisas transbordam. Esta liberdade de criar é essencial para mim e, obviamente, a solidão é necessária desde o início até o fim. Algumas noites eu acabo ficando até o amanhecer sem obstáculos ao meu desejo de criação. Eu mesmo não sinto os efeitos do tempo passando.

CH – Você ouve música enquanto está trabalhando?

LS – Eu nunca posso começar a pintar sem ouvir a minha música favorita: música clássica em geral e, particularmente, Chopin e Tchaikovsky. Vibrar com a música leva minha mente para o reino da criação artística e eu, por sua vez, deixo meu pincel dançar através da tela. Às vezes eu escuto Oum Khalthoum, Abdel Halim Hafez ou Najat. Apesar de sua beleza, essas melodias árabes despertam tristeza em mim.

CH – Quais são suas práticas artísticas e seu processo de trabalho? Você planeja?

LS – É muito raro que eu esteja planejando uma pintura. Normalmente, eu simplesmente começo a pintar sem saber aonde vou chegar.

CH – Sobre o que é a sua arte?

LS – Minha arte é sobre a beleza da natureza e da luz, sob a forma de uma mulher ou uma mãe que espontaneamente e perpetuamente dá o seu amor. Gosto de humanizar a natureza e sua beleza que nem sempre somos capazes de ver. Em minhas pinturas estou tentando dizer palavras de amor e deixar a natureza contar sua própria história.

CH – Ser artista é um trabalho difícil. Você tem algumas dúvidas e grandes lutas/esforços?

LS – Isso era verdade no passado. Hoje eu sou capaz de superar essas lutas e dúvidas e continuar trabalhando. O único desejo que tenho é criar mais e mais.

CH – Você alguma vez se arrependeu de ter se tornado artista? De onde sua energia vem?

LS – Eu me sinto muito feliz com o que estou fazendo hoje em dia, embora nunca tenha planejado me tornar uma artista profissional no sentido materialista. Quando me sinto triste, minha atividade artística aumenta e eu vou mais rápido para terminar uma pintura. É como se eu estivesse acelerando a liberação das emoções.

Cada vez que eu vejo uma foto do meu pai ouço o sussurro vindo de longe: “Eu lhe disse uma vez que você se tornaria uma artista, certo?” Meu pai é a razão de por que estou criando, sua crença em mim e seu encorajamento são a minha principal motivação e, em seguida, vem o meu amor à natureza e à luz, que eu estou feliz em traduzir em minhas obras de arte. Minha maior felicidade vem das pessoas que amam meu trabalho e querem tê-lo.

A palavra “artista” tem sido o meu sonho desde a minha infância, e agora estou me perguntando: Eu sou uma artista? Eu sei que eu tenho que me tornar mais e mais (também para provar para mim mais e mais).

CH – Quanta satisfação você recebe em resposta ao seu trabalho?

LS – Eu estou constantemente me esforçando para fazer melhor, mas a minha satisfação sobre o meu trabalho está se tornando mais profunda dia após dia.

CH – O conflito na Síria, que está acontecendo há alguns anos, teve um impacto sobre o elemento central da sua arte? O que mudou?

LS – A Síria é a maior dor e a mais profunda tristeza do meu coração. Na arte, há uma grande diferença de percepção entre as culturas. Os artistas são mais valorizados na cultura ocidental, e desde que cheguei aos EUA eu poderia ir mais longe com meu trabalho e ver mais valor na minha criação.

CH – Se você está vivendo fora da Síria, o lugar em que você está vivendo mudou sua arte?

LS – Apesar da distância da minha pátria, minha presença aqui na América, onde eu estou vivendo, aumentou minha fé em minha arte.

CH – O que te inspira?

LS – Natureza, luz e amor me inspiram.

CH – Quais são as suas esperanças e sonhos para si mesmo como artista e, especialmente, como uma artista síria?

LS – Espero ter exposições em todos os Estados Unidos e em muitos outros países, e eu sonho em ter minha própria galeria onde eu possa mostrar a criatividade de artistas sírios e outros artistas de todo o mundo. Enquanto isso, o meu maior sonho é ver a paz voltando ao meu adorado país Síria.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 18 Laila Shawa

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Laila Shawa.

Nascida em Gaza em 1940, Laila Shawa é uma artista palestina. Seu trabalho abrange escultura, fotografia, pintura e litografia. Em 1960, ela viajou à Itália para estudar Artes Plásticas, retornando em 1965 para ensinar artes para crianças carentes.

Como artista palestina, a preocupação de Shawa é refletir as realidades políticas de seu país, tornando-se, no processo, uma cronista de eventos. Suas peças são baseadas em um maior senso de realismo, alvejando a injustiça e perseguição de seu povo.

O ímpeto inicial para uma peça vem frequentemente de suas próprias fotografias, que são transformadas mais tarde por meio de técnicas de serigrafia. A palavra escrita está muito presente em seu trabalho, como na série aclamada Walls of Gaza (1994), que se concentrou nas mensagens de esperança e resistência pintadas em spray pelo povo comum de Gaza sobre as muralhas de sua cidade, em desafio à censura israelense.

Sua série Disposable Bodies, que fazia parte de uma coleção maior, The Other Side of Paradise, foi sua resposta aos relatos de que as mulheres palestinas suicidas tinham sido marcadas pela sociedade como supostas transgressoras e estavam realizando missões suicidas a fim de se reformular como “mártires” e restaurar a honra da família.

Em The Other Side of Paradise, eu exploro as motivações por trás da shahida – o termo árabe para “mulher-bomba” – uma questão que poucas pessoas provavelmente escolheriam considerar. O núcleo do modelo shahida gira em torno de uma confusão preocupante de erotização e armamento. Nesta instalação, procurei atribuir a cada aspirante uma identidade e totalidade, que de outra forma seriam negados nos relatos de jornalistas rotineiramente horríveis de mulheres suicidas em Gaza. – Laila Shawa.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 14 Samia Halaby

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* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita pela Ayyam Gallery. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui.

Nascida em Jerusalém em 1936, Samia Halaby é uma importante pintora abstrata e uma estudiosa influente da arte palestina. Embora baseada nos Estados Unidos desde 1951, Halaby é reconhecida como uma pioneira da abstração contemporânea no mundo árabe.

Halaby começou sua carreira no início dos anos 1960, pouco depois de se formar pela Universidade de Indiana com um Master of Fine Arts em Pintura.

Enquanto ensinava no Instituto de Arte de Kansas City em 1964, viajou para o Mediterrâneo Oriental como parte de um subsídio de pesquisa de faculdade e estudou a abstração geométrica da arquitetura islâmica da região, que tem continuamente fatorado em seu trabalho.

Durante este tempo, Halaby lançou em uma série de experimentos que iniciaria sua longa investigação dos princípios materialistas da abstração: como a realidade pode ser representada através da forma.

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Também influenciada pelos movimentos abstratos da vanguarda russa, Halaby trabalha com a convicção de que as novas abordagens da pintura podem redirecionar maneiras de ver e pensar não apenas no âmbito da estética, mas também como contribuições para o avanço tecnológico e social. Esta noção subjacente levou a experiências adicionais em desenho, gravura, arte cinética computadorizada e “pintura sem molde”.

As obras de Halaby têm sido colecionadas por instituições internacionais desde a década de 1970, incluindo o Museu de Arte Solomon R. Guggenheim (Nova York e Abu Dhabi); Galeria de Arte da Yale University; Galeria Nacional de Arte, Washington D.C.; Instituto de Arte de Chicago; Museu de Arte de Cleveland; Institut du Monde Arabe; e o Museu Britânico.

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Samia Halaby: “Angels and Butterflies”, 200 x 200 cm, acrílico sobre tela.

As mostras individuais da artista incluem Beirut Exhibition Center (2015); Ayyam Gallery London (2015, 2013); Ayyam Gallery Al Quoz, Dubai (2014); Ayyam Gallery DIFC, Dubai (2011); e Ayyam Gallery Beirut (2010). Ela participou recentemente de exibições coletivas em Darat Al Funun, Amman (2015); National Academy of Arts, New York (2015); The Guggenheim Museum, Abu Dhabi (2014); Broadway 1602, New York (2014); e Institut du Monde Arabe, Paris (2009).

Em 2014, a Booth-Clibborn Editions publicou a segunda monografia da artista, Samia Halaby: Five Decades of Painting and Innovation (Samia Halaby: Cinco décadas de pintura e inovação).

Desde a década de 1960 até o final dos anos 1980, Halaby lecionou em universidades em todo os Estados Unidos. Ela foi a primeira professora associada em tempo integral na Yale School of Art, cargo que ocupou por uma década. Suas contribuições notáveis para academia americana incluem um programa inovador de estúdio de arte na graduação, que ela introduziu aos departamentos de arte em todo o centro-oeste.

Os escritos de Halaby sobre arte apareceram em Leonardo: Journal of Arts, Sciences and Technology; Jerusalem Quarterly e Arab Studies Quarterly, além de volumes editados, enquanto ela publicava de maneira independente a pesquisa Liberation Art of Palestine: Palestinian Paintings and Sculpture in the Second Half of the 20th Century (Arte de Libertação da Palestina: Pinturas e Escultura Palestinas na Segunda Metade do século XX), considerado um texto seminal da história da arte palestina. Seu livro mais recente, Drawing the Kafr Qasem Massacre, será publicado pela Schilt Publishing.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 10 Sara Shamma

Sara Shamma.

Nascida na Síria em 1975, Sara Shamma começou a pintar aos quatro anos de idade. Filha de pai sírio e mãe libanesa, cresceu em uma família de intelectuais, que incentivou seu amor pela pintura.

De 1982 a 1985, Shamma frequentou cursos de desenho para crianças em Adham Ismaiil Fine Arts Institute. Aos 14 anos, ela decidiu que seria pintora. Formou-se em 1998 no Departamento de Pintura da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Damasco.

Após sua graduação, Shamma participou de uma série de exposições individuais e coletivas.

Shamma foi convidada a se juntar à equipe de professores do Adham Ismail Fine Arts Institute em Damasco, onde lecionou por três anos a partir de 1998.

Além de sua própria prática e seu envolvimento na educação de jovens artistas, Shamma tem sido consistentemente ativa na cena de arte síria.

Ela foi membro do júri da Exposição Anual de Artistas Sírios realizada pelo Ministério da Cultura em Damasco, Síria, em 2006.

Shamma recebeu vários prêmios regionais e internacionais de arte, incluindo a medalha de ouro na bienal de Latakia (2001, Síria) e o 4º prêmio no BP Portrait Award (2006, Reino Unido).

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Os trabalhos de Shamma podem ser encontrados em coleções públicas e privadas em diferentes países, incluindo: Áustria, Canadá, Equador, Egito, França, Alemanha, Japão, Jordânia, Kuwait, Líbano, Holanda, Catar, Espanha, Síria, Tunísia, Turquia, Emirados Árabes, Reino Unido e Estados Unidos da América.

Em 2010, Shamma foi convidada a se tornar a “celebridade parceira” no Programa Mundial de Alimentação da ONU. Ela criou uma pintura para eles intitulada Fighting Hunger. Impressionada e toca pelo trabalho da organização, ela continuou a apoiá-los.

Em setembro de 2016, ela se mudou para Londres, onde agora vive e trabalha.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Sesc da Esquina recebe peça musical estrelada por moradores do Pequeno Cotolengo

O palco do teatro Sesc da Esquina vai receber nesta semana, dia 18 de novembro, o Coro Cênico, grupo de teatro e música estrelado pelos moradores do Pequeno Cotolengo. É a estreia do espetáculo “Amigos do Coração”, que fala sobre uma menina que vive no campo e sonha em ter um animal de estimação da cidade, como um cachorro de raça e com lacinhos. Ao longo da história ela conhece melhor sobre os animais que sempre estiveram ali na fazenda e aprende a dar valor à verdadeira amizade e a quem sempre esteve ao seu lado. O roteiro foi inspirado nos Saltimbancos.

Esse é o quarto espetáculo produzido pelo Coro Cênico, projeto que é desenvolvido pela Escola Pequeno Cotolengo desde 2009.

A entrada para assistir a peça é gratuita e livre, mas tradicionalmente o público de estreia é formado por alunos de escolas de educação básica na modalidade educação especial. Convidar esse público específico é uma forma de incentivar outras pessoas com deficiência a acreditar em suas habilidades e mostrar que o “palco” é para todos.

O projeto tem como principal objetivo a inclusão através da arte, estimulando a criatividade, desenvolvendo habilidades socioculturais e trabalhando de forma lúdica o potencial de “eficiência” da pessoa com deficiência.

“O Coro Cênico permite que os alunos percebam o seu próprio potencial. Através do teatro e da música eles se sentem estimulados a estudar e conhecer cada vez mais” explica Alessandra Marquete, diretora da Escola Pequeno Cotolengo.

A entrada para o espetáculo é franca e quem desejar uma apresentação na sua cidade ou escola pode entrar em contato pelo telefone (41) 3314-1919 ou pelo e-mail escola@pequenocotolengo.org.br para agendar uma data.

O projeto é aprovado pelo Ministério da Cultura através da Lei Rouanet e conta com o patrocínio da Mili e Cimentos Itambé, e com o apoio da Rimatur, Habib´s e Ragazzo.

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Serviço:
O que: Estreia do espetáculo Amigos do Coração do Coro Cênico
Quando: Dia 18 de novembro – sexta-feira – às 15 horas
Onde: Teatro Sesc da Esquina – Visconde do Rio Branco, 969 – Centro.
Entrada Franca