Série Mulheres Árabes | # 28 Eman Nawaya

* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita no Creative Havens: Syrian Artists and Their Studios. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui.

Eman Nawaya é uma artista visual com Licenciatura em Belas Artes. Nascida na Arábia Saudita, ela é uma cidadã síria e atualmente reside no Líbano.

Creative Havens – Qual é a sua relação com o seu estúdio? O que ele representa para você? Como você se sente quando está lá?

Eman Nawaya – Meu estúdio é o lugar para minha renovação diária, minhas atividades intelectuais e artísticas. Cada novo dia passado dentro do meu estúdio é como um sentimento pulsante de verdadeira vida; dentro dele eu posso viver todas as estações de uma vez.

CH – O layout, a organização e a localização do seu estúdio têm influência na criação das suas obras? Que papel esse espaço, tempo e solidão têm em seu trabalho?

EN – Na verdade, é um tipo de mistura entre organização, que me dá a possibilidade de refletir e meditar, e desordem que cria em mim entusiasmo e energia. A distância do estúdio não me afeta; minha arte está ligada a este lugar, onde passo a maior parte do meu tempo e que desempenha o primeiro papel no teatro dos meus sentimentos.

CH – Você ouve música em seu estúdio? Você trabalha melhor com alguma música tocando ou necessita de silêncio completo quando está em seu ápice criativo?

EN – Adoro ouvir música enquanto estou pintando, pensando ou meditando. Acho que a música abre outra dimensão de vibrações psicológicas.

CH – Quais são suas práticas artísticas e seu processo de trabalho? Você planeja?

EN – Acredito que meu trabalho explora a expressividade e o processamento emocional, e também a liberação de minhas mãos e meus próprios sentimentos, deixando-os ir tão longe quanto eles estão dispostos a ir, até que a pintura tenha desenhado seu último suspiro.

CH – Sobre o que é a sua arte?

EN – Minha arte é sobre a essência original da criação da Mulher e do Homem no Universo.

CH – O que te inspira?

EN – A sociedade me inspira. Para mim, é uma fonte inesgotável de inspiração permanente.

CH – Ser artista é um trabalho difícil. Você tem algumas dúvidas e grandes lutas/esforços?

EN – Claro que às vezes um artista pode atravessar um período ruim cheio de pessimismo e dúvidas, mas o ímpeto criativo é mais forte do que as circunstâncias e maior do que o pessimismo; e, finalmente, a dúvida é um estado de espírito necessário para manter a alma se esforçando para a criação e evolução.

CH – Você alguma vez se arrependeu de ter se tornado artista? De onde sua energia vem?

EN – Eu nunca me senti assim, mas às vezes eu penso: E se eu não tivesse me tornado uma artista? O que eu faria então? No entanto, não há outra resposta senão: artista. A sociedade com todas as suas variações e complexidades é uma fonte diária de criação e ideias.

CH – Quanta satisfação você recebe em resposta ao seu trabalho?

EN – Cada dia em que sou capaz de criar um novo trabalho artístico é um dia abençoado, cheio de otimismo, e então a imaginação dá o próximo passo para projetos atuais e futuros.

CH – O conflito na Síria, que está acontecendo há alguns anos, teve um impacto sobre o elemento central da sua arte? O que mudou?

EN – Inevitavelmente as guerras afetam as pessoas, especialmente os artistas, seus processos de trabalho e sua arte em geral. O fluxo contínuo de eventos inspira a criação de modo a refletir as profundas mudanças cotidianas na sociedade síria.

CH – Se você está vivendo fora da Síria, o lugar em que você está vivendo mudou sua arte?

EN – A integração em um novo país que você escolhe determina toda uma gama de influências. Estar fora da Síria afetou minhas ideias e abriu minha mente sobre a importância do que um artista pode oferecer à sociedade de seu país de origem e ao de seu país transitório, e também sobre a associação entre a obra de arte e o artista.

CH – Quais são as suas esperanças e sonhos para si mesmo como artista e, especialmente, como uma artista síria?

EN – Eu sou uma artista síria, mas os sonhos e esperanças que tenho são os mesmos para mim, tanto como artista, tanto como um indivíduo sírio. Espero voltar em breve ao meu ateliê em Damasco, voltar a viver entre as canções dos pássaros e a voz de Fairouz, ouvir de novo os belos ruídos das ruas damascenas. Espero que minhas mãos continuem trabalhando e criando até exalar meu último suspiro.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 27 Valia Abou Alfadel

* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita no Creative Havens: Syrian Artists and Their Studios. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui.

Valia Abou Alfadel é uma artista visual com formação em Belas Artes. Nascida em Damasco (Síria), ela atualmente reside em Dubai, Emirados Árabes Unidos.

Creative Havens – Qual é a sua relação com o seu estúdio? O que ele representa para você? Como você se sente quando está lá?

Valia Abou Alfadel – Cada pessoa tem uma mensagem e uma razão para estar neste mundo. Minha mensagem é Amor, uma espécie de missiva enviada à Humanidade. E para escrever uma palavra ou uma linha nesta missiva, tenho que estar em um lugar inspirador onde eu possa juntar todas as minhas memórias e esperanças … e este lugar é o meu estúdio.

O estúdio me ajuda a liberar minhas cores como para expressar muitas emoções, é meu próprio mundo especial onde minha alma descansa e encontra uma bela maneira de revelar meu verdadeiro eu.

Obviamente, minha presença em qualquer lugar expressando a beleza da Arte, como uma galeria ou estúdio de outro artista, pode me inspirar também, e me oferece sentimentos positivos e emoções.

CH – O layout, a organização e a localização do seu estúdio têm influência na criação das suas obras? Que papel esse espaço, tempo e solidão têm em seu trabalho?

VA – No meu estúdio há uma espécie de desordem organizada; geralmente estou organizada, mas quando começo a desenhar não me posso preocupar mais em cuidar da organização: adoro ver os meus lápis totalmente livres.

Meu estúdio atual é uma parte de minha casa particular. Eu tentei criá-lo perto de minha família, não só para mim, mas também para os membros da minha família, para ter um lugar para a contemplação e evasão. A maioria dos meus filhos e também o pai deles são artistas também, aqui estou entre eles, e enquanto isso eu posso reintegrar meu próprio mundo a qualquer hora que eu quiser.

CH – Você ouve música em seu estúdio? Você trabalha melhor com alguma música tocando ou necessita de silêncio completo quando está em seu ápice criativo?

VA – A música é uma parte de meus materiais, como meus lápis e as cores. Cada pintura obtém uma história musical que depende do tempo e meu estado de espírito quando a obra de arte foi realizada. A música é a minha companheira e a mensageira das minhas emoções para as minhas pinturas.

CH – Sobre o que é a sua arte?

VA – Como eu disse antes, o amor é a minha mensagem. Amor como um valor básico e instinto do ser humano antes da poluição das sociedades. É a verdadeira beleza e a prova da existência da vida. Quem pode parar na frente de uma de minhas pinturas pode sentir meu amor, e isto é o que minha mensagem é toda sobre.

CH – Ser artista é um trabalho difícil. Você tem algumas dúvidas e grandes lutas/esforços?

VA – Tenho muita sorte de que Deus me deu esse talento e esta capacidade de pintura que me leva a um estado de espírito calmo e pacífico.

CH – O que te inspira?

VA – Talvez essa tristeza profunda que aparece nos detalhes dos heróis da minha pintura. Eu não odeio essa tristeza; eu até gosto, porque qualquer expressão deve sair de uma ferida interna real para ser a base da criação.

CH – Você alguma vez se arrependeu de ter se tornado artista? De onde sua energia vem?

VA – Eu acho que um artista é mais sensível e influenciável do que as outras pessoas, embora essa qualidade possa conter uma dificuldade na vida cotidiana. Todas as circunstâncias empurram um artista para expressar suas emoções. Cada artista tem diferentes fontes de inspiração e criação, o meu é uma tristeza profunda, e no entanto estou feliz em expressá-lo na minha arte.

CH – Quanta satisfação você recebe em resposta ao seu trabalho?

VA – Nunca vejo um limite à minha ambição. Sinto-me sempre cheia de novas ideias e novos sentimentos para oferecer através da arte.

CH – O conflito na Síria, que está acontecendo há alguns anos, teve um impacto sobre o elemento central da sua arte? O que mudou?

VA – Síria, minha pátria e meu grande amor está vivendo questões tão dolorosas, e eu tento compartilhar essa dor, que também impacta involuntariamente minhas cores. Minhas últimas obras são chamadas “Damasco” e “Aleppo” e estão entre minhas melhores obras de arte, e entre as mais próximas à minha alma.

CH – Você está vivendo fora da Síria. Como o lugar onde você está vivendo mudou sua arte?

VA – Eu estou vivendo nos Emirados Árabes Unidos, é o meu segundo país, que é um belo [país] me dando energia para trabalhar e me tornar distinta. Mas a Síria continua a ser o lugar mais bonito na terra com a sua natureza maravilhosa. Um artista tem essa grande capacidade de integrar qualquer lugar que ele queira porque a criação é seu primeiro alvo.

CH – Quais são as suas esperanças e sonhos para si mesmo como artista e, especialmente, como uma artista síria?

VA – Não há limites para os meus sonhos. Espero que minha arte seja compreendida e que toque mais pessoas para atrair felicidade para suas almas. Espero que minha mensagem de Beleza e Amor seja liberada. O amor é emoção, nostalgia, cor, movimento… é uma purificação espiritual e uma razão para estar vivo, e a única maneira de fazer deste mundo um lugar melhor.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 26 Yara Said

Yara Said. Foto: Khaled Youssef.

* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita por Creative Havens: Syrian Artists and Their Studios. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui.

Yara Said, uma jovem talentosa artista, que se formou na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Damasco. Atualmente reside na Holanda, como assistente social voluntária (expressão através da arte) da organização TESC, e também é voluntária de uma startup de cuidado aos refugiados. Nascida em Al-Suwaida, Síria, ela vive e trabalha em Amsterdã.

Creative Havens – Qual é a sua relação com o seu estúdio? O que ele representa para você? Como você se sente quando está lá?

Yara Said – Meu estúdio é minha casa. É o único lugar na terra onde me sinto real e produtivo, o único lugar onde posso ser cem por cento genuína. É um lugar onde posso me reunir com amigos e ter novas experiências. Um monge tem um templo, um artista um estúdio.

Foto: Khaled Youssef.

CH – O layout, a organização e a localização do seu estúdio têm influência na criação das suas obras? Que papel esse espaço, tempo e solidão têm em seu trabalho?

YS – Eu gosto que meu estúdio esteja pronto para o trabalho a qualquer momento. Ordem para mim significa apenas que eu seja capaz de encontrar minhas ferramentas facilmente! O caos criativo sempre foi minha coisa favorita na vida. Para mim é uma coisa muito importante ter o meu estúdio perto da minha casa. Eu acho que é o sonho de um artista ter acesso 24/7 ao estúdio e ser capaz de mergulhar no processo criativo sem restrições. E é isso que estou tentando fazer aqui agora.

CH – Você ouve música em seu estúdio? Você trabalha melhor com alguma música tocando ou necessita de silêncio completo quando está em seu ápice criativo?

YS – Música é minha vida. Nietzsche disse: “Sem música, a vida seria um erro”. Quando eu preciso me impulsionar, eu escuto música alta. Quando eu quero rememorar coisas sobre minha terra natal, um café da manhã escutando Fayrouz nunca deixa de trazer velhas boas lembranças piscando em minha mente. Se os seres humanos alguma vez fizeram descobertas valiosas e poderosas, então foi a música.

Foto: Khaled Youssef.

CH – Quais são suas práticas artísticas e seu processo de trabalho? Você planeja?

YS – Oh não, eu nunca planejo! Eu apenas vivo e vivo! E então, quando eu estou cheia de todas as emoções, de todas as coisas que ouvimos e vemos na TV, quando me sinto mais desesperada e não posso fazer nada para mudar o mundo, eu pinto usando jornais e materiais antigos.

Eu costumava escolher cores de tinta do jeito que eu escolhia minhas roupas. Hoje estou usando vermelho sexy ou azul frio, talvez branco liso. Neste caso, o que você vê é “exatamente” o que você obtém. Minhas impressões são eu.

CH – Sobre o que é a sua arte?

YS – Quero que [minha arte] não se manifeste; quero que [ela faça] as pessoas se manifestarem. Quero que mova as pessoas e as sacuda inconscientemente e conscientemente. Se houvesse algo que minha arte expressaria, então seria a natureza humana (minhas experiências são as mesmas que as suas). Acabei de encontrar minha própria linguagem.

Foto: Khaled Youssef.

CH – O que te inspira?

YS – Muitas pessoas incríveis. Meu número um por agora seria Mark Rothko. Então Antoni Tàpies, Jean-Michel Basquiat, Francis Bacon, Yves Klein, Picasso, Monet, Gerhard Richter, Carl Jung, Sigmund Freud, Milan Kundera, Franz Kafka, Radiohead, Janis Joplin… Inspiração está em toda parte!

CH – O conflito na Síria, que está acontecendo há alguns anos, teve um impacto sobre o elemento central da sua arte? O que mudou?

YS – Eu não posso realmente saber sobre isso, já que minha experiência artística floresceu no meio da guerra. Pergunto-me quão diferente minhas experiências teriam sido se a guerra não tivesse acontecido, como eu teria me tornado [uma pessoa] diferente.

Foto: Khaled Youssef.

CH – Se você está vivendo fora da Síria, o lugar em que você está vivendo mudou sua arte?

YS – Absolutamente, eu acho que cada lugar deixará suas impressões. Cada nova cidade é uma nova experiência. Amsterdã, por exemplo, me fez realmente consciente da crise global do capitalismo ocidental e europeu. Na Síria a minha única preocupação era sobre questões de vida diária, e nos últimos 5 anos sobre como evitar mísseis. No entanto, Amsterdã tem o seu próprio encanto. Eu não posso esperar para visitar novos países e ver as melhorias e mudanças que terá no meu trabalho.

CH – Quais são as suas esperanças e sonhos para si mesmo como artista e, especialmente, como uma artista síria?

YS – Como artista o meu único desejo é me tornar uma artista em tempo integral; parece muito simples, mas precisa de muito trabalho duro e concentração. Como artista síria, quero contar a minha história, a história do meu país, as histórias dos meus amigos de forma esclarecida ao mundo inteiro.

Talvez então os povos do mundo poderiam sentir o horrível do que está acontecendo na Síria agora e o impacto deletério que tem na vida das pessoas. Talvez então o mundo compreenderia como seres humanos desumanos realmente são, e quão pernicioso e perigoso é o ambiente digital de mídia social e realidade virtual em que vivemos atualmente.

Foto: Khaled Youssef.

Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Série Mulheres Árabes | # 25 Diana Al-Hadid

Nascida em 1981, Diana Al-Hadid é uma artista síria baseada em Brooklyn, EUA. Misturando referências socioculturais de seu plano de fundo ocidental e oriental, ela explora seu fascínio com os pintores renascentistas e os aspectos formativos de sua prática.

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Synonym (Foto: Isabel Asha Penzlien)

Hadid usa polímero, ceras, fibra de vidro, aço, gesso e outros materiais industriais para criar esculturas e instalações que aparecem em ruínas ou em processo de dissolução. Um grande número de seus trabalhos centram-se em torno da imagem, forma e conceito de torre e suas várias associações: poder, riqueza, desenvolvimento tecnológico e urbano, ideias de progresso e globalismo.

Nolli’s Orders (Foto: Dennis Harvey)

Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Atos Heroicos

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(Foto | Erick Reis)

Atos heroicos são todos aqueles que decidimos sozinhos, seja para um bem coletivo ou pessoal. Atos heroicos acontecem a cada instante na nossa vida, a cada escolha, pois ao escolher algo eliminamos outro, assumindo assim as consequências. Nos fazemos senhores das escolhas, deuses naquela fração de segundo, mas ao mesmo tempo servos de seu desenrolar. Todos que optam  por algo (sem trair a si mesmo) de certa forma praticam heroísmo em maior ou menor escala. Você pode ser herói pra uma nação, mas ser seu pior carrasco, pois o verdadeiro herói de si mesmo é aquele que faz o que é necessário para uma noite tranquila de sono. De que adianta o aplauso de multidões se esses mesmos aplausos lhe enlouquece não lhe deixando dormir? De nada serve o aval alheio se temos a auto reprovação como resultado. Aqui tratarei de atos heroicos diários, de conquistas pessoais em pequena escala, pois somente após o domínio dessa modalidade é que podemos ir para níveis além do imaginável.

O primeiro conflito que me levou a escrever aqui, foi ver uma senhora, cabelos tingidos, 1.55 mt de altura, pele com rugas devido à idade, mas aparentemente cercada de cremes e boas noites de sono.

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(Foto | Erick Reis)

Era frio, em Curitiba estava uns cinco graus. Era tarde, 23:23 pra ser exato, número de mentiroso, em um sub-bairro de um bairro não tão bem visto. Acelerou o passo, entrou no ônibus vazio, devido ao horário. Quieta, solitária. Uma pergunta me veio à mente: o que a trouxe aqui? Tarde assim? Se ela aparentava boas noites de sono, por que estaria tão tarde na rua? Viera da igreja? Seria preconceito imaginar que toda senhora que perambula pela rua tarde da noite viera de uma igreja ? Seria ela uma jovem de aparência velha? Se assim fosse tudo mudaria, não mais se cuidaria, e sim viveria nos escarnidos da carne. O meu ponto chegou, não tenho tempo de maiores reflexões, preciso ir dormir, pois das oito horas ditas como necessárias para um bom repouso já foram-me roubadas duas. Adentro o condomínio, dirijo-me ao meu recluso lar. O que eu refletira? Já não lembro mais, preciso esvaziar a minha mente, pois ao acordar serei extremamente forçado a usar a memória, por um longo dia. Eu não nasci pra viver essa vida.

Download de livros de Arte

Já pensou que louco poder reunir livros de  Pablo Picasso, Salvador Dalí, Van Gogh, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rembrandt ou Claude Monet e muitos outros mitos do mundo da arte, e tudo isso de graça?

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