Ensaio sobre os dias que já não dizem mais nada

Eu me vi envolta a diferentes tipos de planos e promessas que fui deixando pelo caminho enquanto me permitia viver. Toda vez que alguma coisa fugia de meu controle, eu abandonava a cria e deixava para lá, pois sempre me foi mais fácil começar tudo de novo a ter que continuar insistindo no que eu via que não ia dar certo. Aqui, no alto dos meus 26, permaneço com as amarras que criei aos 16, impedindo com que meus pés percorressem as trilhas que a mim foram destinadas, longe de tudo o que pudesse me fazer cair. E mesmo não tendo nenhum obstáculo entre meu corpo e o resto do mundo, me peguei observando o céu, as estrelas e tudo o mais pelo ângulo mais baixo possível, também conhecido como o chão.

De fato, todos os anos de lutas bravas e inglórias tornaram-se úteis para algo em minha vida: mostrar, cada vez mais, como não se deve fazer algo – além de me fazer parar de insistir naquilo que só tende a piorar, é claro. Os dias tem sido obscuros e apáticos, o que não quer dizer que isso é de todo ruim, já que sempre os usei como mote para colocar minhas inseguranças, incertezas e todos os in possíveis dentro de um único conjunto de palavras destinado a ser jogado fora. Coisas que não me agregam não podem ficar presas a mim e é até por isso que dou um jeito de descartar aquilo que não me faz bem – e nessas, acabam indo junto alguns itens que sempre prezei, como é o caso da minha vontade de fazer tudo acontecer e dar certo. Mas eu juro que é sem querer.

Conforme minhas partes positivas se esvaem por entre meus dedos, tento me focar em métodos que podem fazer com que eu me sinta um pouquinho melhor do que costumo normalmente ficar. Confesso que não é confortável, para mim, pertencer a lugares que já não me identifico e, mais ainda, estar na companhia de quem não tem mais nada a ver com quem me tornei. Eu cresci e isso só tem me mostrado o quanto devo me afastar daquilo que me puxa para baixo, que faz de tudo para ver o meu fracasso. Por mais que seja muito mais fácil acreditar no que os outros me dizem, lá no fundo eu sei que tenho potencial para desviar de todos os empecilhos que eu mesma coloco diante de mim. Porém, o fato de apenas me deixar levar pela figura que criam de mim é muito mais fácil do que enfrentar meus próprios medos e dar a cara a tapa. Dependendo da força, pode doer.

Dias difíceis sempre existirão, independentemente de como você acorde. O sol continuará aparecendo, mesmo que tímido e entre nuvens, e as pancadas de chuva que vez ou outra surgem, podem vir no momento mais aguardado por alguém – mesmo que não seja você. Seja como for, a caminhada precisa continuar e os textos precisam ser escritos. Há vontade (caso tenha sobrado alguma depois do descarte feito, vai saber) e há potencial (a mesma que eu sei que existe em algum lugar aqui dentro), basta agora saber se há como juntar as duas coisas sem que se transformem em algo mais aterrorizante do que a minha própria vontade de me sabotar. Ela é enorme, às vezes chega a dar medo.