Brasil tem o pior desempenho entre os escritórios de patentes do mundo

Imagine. Depois de muito tempo e dinheiro investidos para resolver determinado problema, um pesquisador encontra uma solução inédita. No momento de registrar sua criação, descobre uma dura realidade: precisará aguardar quase oito anos para ter sua invenção patenteada. Este cenário coloca o Brasil como o País com pior desempenho entre os escritórios de patentes do planeta.

Foram pesquisados os 76 principais escritórios do mundo em avaliação conduzida pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Enquanto uma solicitação ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) leva em média 95 meses para ser concluída, na China ou na Europa o tempo de espera é de 22 meses. Na Rússia, de apenas nove meses.

“O Inpi é formado por um corpo de servidores muito dedicado e vocacionado. Mas sua estrutura humana e material é relativamente pequena para o volume de trabalho”, defende Marcos da Cunha e Souza, professor do curso de Direito do Centro Universitário Internacional Uninter. Em alguns campos, o País não possui equipamentos necessários para verificar se determinada invenção é mesmo uma novidade, por exemplo. “Sofremos, portanto, com uma falta crônica de investimentos”, pontua.

Como consequência, o inventor brasileiro vive um período de grande frustração enquanto o Inpi não concede a patente requerida. Isso porque qualquer um pode copiar, reproduzir e comercializar seu invento, e ele terá poucos mecanismos legais para se defender.

Uma alternativa encontrada por alguns pesquisadores é registrar seu invento apenas no exterior. Esse procedimento vale a pena, segundo Souza, se o principal mercado para o novo produto se encontra no estrangeiro. “Mas não impedirá que uma empresa concorrente fabrique e venda aqui mesmo no Brasil”, ressalta. Assim, ainda que moroso, o pedido de patente no Brasil é importante.

Pesquisa engessada

Entre os escritórios pesquisados, China, EUA, Japão, Coreia e Europa representaram 84,6% do total mundial de patentes, enquanto África, América Latina e Oceania representaram apenas 3,4%. O professor explica que, no Brasil, existem poucas instituições com perfil necessário para competir no mercado internacional. A pesquisa de tecnologias de ponta exige muitos recursos e mão de obra especializada, bem remunerada.

“Pesquisar é arriscado. Nem sempre o dinheiro gasto consegue ser recuperado. Quando chegamos ao final de uma pesquisa exitosa, frequentemente ela se torna obsoleta em pouco tempo”, explana. Além disso, grandes empresas estrangeiras acumulam patentes que são desenvolvidas, estrategicamente, para tentar bloquear o avanço de empresas rivais. Por isso, muitas empresas brasileiras preferem pagar pelo uso de tecnologias estrangeiras – mais vantajosas e baratas.

Para modificar a situação, Souza coloca que é possível se espelhar no exemplo da China. O país, que anteriormente tinha “fama” de cometer pirataria e plagiar tecnologias estrangeiras, conseguiu reverter a situação em pouco tempo. “É preciso crescer economicamente, gerar poupança interna e dinamismo intelectual, capazes de alimentar e justificar grandes investimentos”, propõe.


 

Informações: Pg1

Sobre nosso futuro

 

Alguns ícones da musica pop mundial nos deram adeus aos 27 anos de idade, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Kurt Cobain, Amy Winehouse. Todos não chegaram a viver suas 28 estações. Foram-se antes, deixando-nos um legado musical indiscutível, mesmo que suas mortes nos mostrem o pior que pode existir dentro das pessoas, ainda que essas pessoas sejam nossos ídolos.

Por coincidência nossa democracia completará, no próximo dia 5 de outubro, 28 anos de existência, depois do horrendo regime de exceção que se iniciou em 1964 com a queda do presidente Jango, num golpe de Estado Militar.

A nossa democracia não morreu, de fato. Continua viva, mas sofreu um rude e duro golpe no atual processo de impeachment que levou a cassação da presidente Dilma Rousseff sem que realmente tenha havido um crime cometido por sua pessoa.

Isso fica muito claro e evidente nas falas ditas pelos senadores após a votação que nos trouxe para essa realidade: Dilma Rousseff não foi caçada por crime algum, mas sim por sua extrema dificuldade em fazer a politica branca, machista, conservadora, preconceituosa, elitista, coronelista e arcaica que vem sendo feita no brasil desde antes da nossa independência.

“erros, erros que são enormes”

– sean penn, i am sam.

Houveram erros? sim, a presidente Dilma em seu segundo mandato cometeu inúmeros erros econômicos e políticos, também, que culminaram na cassação de seu mandato, mas não nos seus direitos políticos [irônico, não?].

Entretanto seus erros jamais serão comparáveis ao erro que se comete agora, ao enxota-la do cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões e meio de votos.

Infelizmente muitos de nós ajudamos na construção desse erro e não percebemos a gravidade dessa situação que vai nos afetar diretamente em todas as esferas temporais.

“são tempos sombrios, não há como negar”

– rufo scrimgeour, harry potter e as reliquias da morte.

A curto prazo, já começamos a ver nossos direitos de manifestação ser vilipendiado por um governo bruto com uso de forças armadas e isso fica clara na fala do atual presidente, o vice golpista michel temer na qual disse “não aceitar ser chamado de golpista”.

A curto prazo, a clt de forma integral está sendo negociada com os patos da fiesp; nesse processo que ajudamos a construir, não percebemos que as velhas raposas albinas estão aí nos retirando o direito de horas extras, férias, décimo terceiro salário bem como a terceirização e precarização do trabalho nas atividades-fim.

A longo prazo, a minha geração de y a z, sofrerá com a reforma da previdência que hoje se discute com atual governo e seus novos aliados [pmdb e psdb], sem falar das matérias-primas nacionais recém descobertas [pré-sal], que já estão sendo negociadas pelo chanceler brasileiro, ministro José Serra, das relações exteriores.

Ainda não tomamos consciência de que esse processo de impeachment está sendo pago por nós trabalhadores proletariados; todos nós sem exceção, seja você de direita ou esquerda, a favor ou contra o governo Dilma, a favor ou contra esse processo golpista, todos estamos pagando por esse erro e vamos pagá-lo ainda por mais um tempo.

Não estamos vendo as consequências futuras da peça jurídico-circense da advogada Janaína Paschoal que sai como zebra desse processo. Não estamos percebendo que os juízes desse processo [senadores] tem uma ficha policial mais extensa do que 3 decretos de crédito suplementar. Não estamos olhando para a injustiça que esse processo está fazendo, não somente com Dilma Rousseff, mas com todos nós brasileiros, com as três gerações de cidadãos que precisa olhar para o futuro.

Porém, agora, esse futuro parece mais sombrio e incerto do jamais esteve e a frase-slogan “não vamos desistir do Brasil”, do candidato a presidência em 2014, Eduardo Campos perdeu seu sentido, porque com a destituição de Dilma Rousseff, jogamos nosso passado e nosso futuro na mesma lata de lixo.

 

 

A poesia transatlântica de Matilde Campilho

Escrever sobre cultura é navegar por mares desconhecidos em uma nau frágil, daí o nome para esta nova coluna, que contara com publicações semanais sempre às segundas.

Aproveitando a temática, escrevo hoje sobre Matilde Campilho, uma escritora portuguesa, que entre algumas experiências nômades, ancorou-se durante três anos no Rio de Janeiro e atualmente transita nessa ponte luso-brasileira. Ao indeterminar seu porto, a poesia de Matilde cumpre sua função: ruptura.

Seu primeiro livro, Jóquei, publicado originalmente em Portugal (Lisboa, Tinta-da-China, 2014) e depois no Brasil (2015, Editora 34), não poderia ter um título melhor. A poesia de Matilde dá saltos com elegância e potência, arrebatando os leitores e seus universos.

Vista como revelação da poesia lusitana, Matilde tem a sombra de clássicos, como Fernando Pessoa e Camões, pairando sua obra. Em entrevista a um jornal português, ela relatou a dificuldade em assumir-se poeta, motivada pela carga que essa palavra carrega:

Matilde Campilho fala sobre poesia na mesa 3 da Flip 2015 (Foto: Divulgação/Flip)

Tudo o que quero é que as pessoas olhem para o meu trabalho. Corpo, cara e cabelo, todos temos. O que fazemos com isso, cada um vai decidir. O meu trabalho é como o dos locutores de rádio. Ouves a voz e só um dia conheces a cara. […] Sou só a minha mão e a minha cabeça.

Além de escrever em português e inglês, ela também trabalha com poesia vocal em vídeo.

Na 13ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Matilde declarou:

É preciso, sim, desenhar, é preciso fazer canções. A poesia, a música, uma pintura, isso não salva o mundo, mas salva o minuto. E é suficiente. A gente está aqui para dançar um pouco sobre os escombros. O cirurgião vai tentar salvar todas as vidas que puder. A gente vai poder salvar os segundos – da minha vida, da vida de todos os meus amigos.