45 ANOS DE CHORO E SERESTA EM CURITIBA

A música curitibana está em festa: o Conjunto Choro e Seresta, que alegra as manhãs de domingo na feirinha do lado da ordem, comemora seu aniversário no próximo domingo dia 02/12, em uma Roda de Choro com a presença de diversos músicos locais. O grupo é considerado um cartão postal da capital paranaense. Em 1973, depois de assistir uma apresentação do Conjunto Choro e Seresta no Teatro Paiol, o prefeito de Curitiba Jaime Lerner convidou o grupo a se apresentar na “feirinha hippie”, na região histórica da cidade. Dede então, há 45 anos ininterruptos o grupo se apresenta na praça Garibaldi, ao lado do relógio das flores, no tradicional “chorinho da feira do largo da ordem”, evento que se tornou o ponto de encontro dos músicos e amantes do Choro na cidade.

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Hoje às 18h tem show grátis no Paço da Liberdade

Choro no Café do Paço

Que tal ir a um showzinho grátis nessa quinta-feira fria de Curitiba? Os músicos Gabriel Schwartz e Vinícius Chamorro te convidam para dar uma passada lá no Café do Sesc Paço da Liberdade, daqui à pouco, às 18h, para curtir um chorinho bom. 

Nascido em Curitiba, Gabriel Schwartz é músico, instrumentista, cantor, compositor e arranjador. Graduado emflauta transversal pela EMBAP, estudou também no Conservatório de MPB de Curitiba; Dedica-se à interpretação da música popular brasileira em suas mais variadas vertentes.

Este concerto, em parceria com o violonista de 7 cordas Vinícius Chamorro é dedicado às comemorações do Dia Nacional do Choro, em homenagem ao aniversário de Pixinhguinha, 23 de abril.

O repertório abrange vários compositores de choro como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo além de apresentar também composições próprias que trazem elementos mais modernos na sua concepção.

Serviço:
Data: Quinta-feira –  20 de abril
Horário: 18:00
Local: Café do Sesc Paço da Liberdade
Entrada Franca

Ficha técnica:
Gabriel Schwartz – Flauta
Vinícius Chamorro  –  Violão de 7 cordas
Produção: Josi Forbeci / Artemisia Produções

Conte para os meus a dor que o tempo cobra

Hoje eu acordei com uma dor no peito. Sabe aquela vontade de chorar até não sobrar mais lágrimas em si? Pois é, e o motivo exato eu ainda não descobri.

Pode ser o frio que torna o levantar da cama ainda mais difícil. Aliás, pensando bem deve ser o sono, pois como é ruim acordar sendo que você nem queria existir. Penso que ainda pode ser a opressão, opressão de não poder me desmanchar em chorar apenas por sentir vontade de o fazer. Sabe, é difícil não poder fazer o que seus sentimentos lhe pedem.

Eu sinto dor, dor no peito pela falta de amor das pessoas ali fora. Sinto dor no peito pela falta de tato que vivemos nas corporações. Sinto uma dor imensurável por ver os meus sofrerem. E como eles sofrem, sofrem por orgulho. O que seria o orgulho se não um auto-desamor? Eles não percebem e se sabotam, se consomem, se machucam e choram, choram pela dor que o outro causou, choram pela dor que causaram no outro, afinal, quer algo mais dolorido do que machucar os seus?

Eu fico aqui no meu canto olhando e da minha maneira silenciosa eu grito pra que eles parem. Pelo amor de qualquer deus, pare! Pare de se levar pelo orgulho, esse demônio que se apodera de você e não vai embora nem com reza braba. Pare de discutir sobre quem elevou o tom de voz. Pare de debater sobre quem descumpriu as promessas. Tanto faz quem era o responsável de olhar a panela, ou quem fez barulho pra acordar o outro naquela semana que se passou. Pare porque vocês são os maiores bens que vocês têm, e depois que esse bem lhe for roubado pelo senhor tempo, não adianta publicar textos de arrependimentos no Facebook, até porque espírito que é espírito de verdade, não se dá ao trabalho de visitar redes sociais.

Viva a vida deixando de lado as pequenices. Está na hora de você entender que o mundo desde que é mundo costuma machucar as pessoas naturalmente, ele não precisa da ajuda de ninguém para o fazer. Deixe que a dor venha depois de muita luta contra ela, deixe os seus confortáveis enquanto podem, pois a cada espaço mínimo de tempo o próprio tempo cobra a sua dor. E quando você finalmente entender o que eu estou tentando dizer, pelo amor de qualquer deus, conte isso para os meus.

A geração coca-cola, hoje toma Rivotril

Começou cedo, eu estava longe de casa, abri os olhos e me senti sufocada sem nem mesmo estar totalmente acordada. Coloquei a culpa na cama do alojamento onde eu estava à trabalho, já que nada dali tinha o meu cheiro ou o cheiro de algo que eu conhecesse. Odiei a ideia de aceitar dormir naquele lugar frio, sozinho e silencioso. Quando sinto que as minhas ansiedades estão aflorando, me concentro nos pontos de paz e naquele dia enviei uma mensagem para alguém que me estrutura em meio aos meus medos que surgem famintos. Mas a vida não escolhe te dar folga se você tem uma crise de ansiedade num dia de trabalho extra, tudo o que ela te oferece é um comprimidinho alaranjado que tem gosto de sossego, que na verdade me deprime, mas me segura até poder ficar sozinha e ligar para alguém que me faça respirar em paz e lembrar quem eu sou de verdade. E essa é uma parte de um dia “meio ruim” de alguém que sofre com ansiedade.

Meu diagnóstico chegou aos 18 anos, recém órfã de pai, recém iniciando a faculdade, recém dando orgulho para a família, ganhando grandes prêmios já de começo de carreira, comprando um carro, quase me casando, conseguindo quase tudo o que eu queria. E infeliz. Ansiosa demais pra desfrutar tudo isso. Me tratei durante anos com terapia, felizmente sem necessitar de medicações fortes, e melhorei consideravelmente até conseguir meu novo emprego que me obrigou mudar de cidade. Estava em São Paulo, morando sozinha, pagando minhas contas, encaminhando meu livro e planejando novas aquisições, quando numa noite acordei sozinha sem conseguir respirar. Água, respira, comprimido, respira, está tudo bem, respira, você não vai enlouquecer agora, respira. Respira. Choro. Respira. A madrugada foi me engolindo e quando melhorei razoavelmente já estava na hora de sair para trabalhar, minhas olheiras custaram um bom tempo de maquiagem. Veio como um tiro no meio da história que tinha tudo para dar certo, procurei ajuda profissional e hoje- meses depois- vivo novamente me segurando dentro dos escudos emocionais para conseguir dar conta desse coração acelerado.

A questão de tudo isso é que eu não sou a única perdida nessas crises noturnas, nesses cuidados emocionais para não sair correndo da fila do metrô ou sentar na sessão de congelados e chorar até secar no meio de um mercado lotado. A maioria dos meus amigos tomam algum tipo de calmante, floral ou usam algum tipo de química que lhes sirva de fuga anti-stress e tratam ansiedades. Alguns encontraram nos esportes, na fé, na religião, na comida, no álcool, no cigarro e afins, a superação de seus traumas que envolvem pais ausentes, sucessos meteóricos e assustadores, a superação dessas relações que são uma mistura de não-relações ou jogos de amor profundos que nos destroem e que virou moda nos últimos 20 anos. A nossa geração teve que decidir em meses entre medicina ou artes cênicas ou viver de renda paternal e tem como meta do final de mês ser feliz e provar isso nas redes sociais. A gente é obrigado a conseguir tudo antes dos 25, porque somos a geração da comunicação, somos os “google’s’ humanos e respirar, parar e pensar, é coisa de gente desocupada. Saímos de nossas casas amadas e quentinhas porque o salário já não paga mais as roupas de marca e o carrinho econômico já não combina mais com a garagem do papai. Conhecemos 6 mil pessoas online, mas não temos quem colocar na ficha do médico um nome realmente confiável no item “Em caso de emergência, ligar para:” Não casamos aos 19 porque é coisa do passado e não casamos depois dos 30 porque agora já não dá mais. Filhos, só um, tá vivendo no século XIX pra ter quatro? Paris, você precisa conhecer o Louvre ou não será digno de respeito, vai contar o quê para os filhos? Mochilar sem dinheiro por prazer? Coisa de drogado, alternativo e hippie.

Então saímos por aí dentro de nossas camisas sociais, alinhados com nossos sapatos lustrados que machucam o calcanhar, afogando dentro de um vestido colado para garantir a sensualidade, mas equilibrando para não ser vulgar e tentando ao máximo corresponder expectativas alheias que nunca se definem e são sempre extremas. Ordens que nos atropelam. Boletos que nos afogam. Padrões que nos desumanizam. Se não correspondermos esse ideal de vida que nos cobram como se fosse obrigatório evoluir na mesma velocidade que a Apple lança um celular, somos atrasados, coitados, lerdos e com poucos números na conta bancária. Falidos. Lembrei quando uma garrafa de vinho barato, comprada no posto de gasolina, me fazia feliz apenas por estar em família. Hoje em dia trabalho pesado para bancar meu Cabernet, uma única taça, olhando a sacada de um apartamento na metrópole cheia de ansiosos solitários como eu. Lembrei quando o cachorro quente na calçada ao lado das minhas melhores amigas enquanto o mundo ainda era um ideal abstrato, era o banquete dos sonhos e eu não trocaria por nada e por ninguém. Hoje em dia os restaurantes têm decorações com nomes importantes, mas eu não conheço de verdade ninguém que divide a mesa comigo. Nessa busca de sofisticar as felicidades simples, a geração coca-cola agora só consegue descansar quando tem uma caixa de Rivotril.