Gatão de Meia Idade nos cinemas

Desde a criação do personagem em quadrinhos, o Gatão de Meia Idade em busca de aventuras amorosas conquista o público nacional. Não é a toa que as aventuras saíram dos almanaques para a peça de teatro e, agora, a Rede Cinesystem exibe a peça teatral no cinema. Em sessão única, a peça filmada será exibida dia 9 de março, às 21 horas nos multiplex do Rio Anil Shopping (MA), Paulista North Way Shopping (PE) e Shopping Curitiba (PR). Continue reading “Gatão de Meia Idade nos cinemas”

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Grotesc-O-Vision, mostra internacional de cinema de horror e grotesco

Virgin Cheerleaders in Chains – still-60 (foto Nika Braun)

Na semana em que se comemora o Halloween (ou Dia Das Bruxas), será realizada em Curitiba a quarta edição do Grotesc-O-Vision, mostra internacional de cinema de horror e grotesco, que contará com exibições de filmes, oficinas, painéis e rodas de bate-papo com realizadores e exibidores ligados ao gênero.

O vento vai de 30 de outubro a 02 de novembro (segunda a quinta-feira), com todas as atividades concentradas no Auditório Salvador de Ferrante do Teatro Guaíra (mais conhecido como Guairinha), no Centro da cidade. Todas as atividade são gratuitas, com exceção das oficinas, que estão com inscrições abertas, a preços simbólicos.

Curtas, longas e Creepypastas
A programação de filmes desta edição contará com uma mostra competitiva de curtas-metragens, e uma seleção internacional com 6 longas. Entre os destaques, está a estreia latino-americana de “Virgin Cheerleaders in Chains”, filmado nos EUA e dirigido pelo curitibano Paulo Biscaia Filho, sendo seu primeiro trabalho internacional, em uma coprodução Austin-Curitiba (EUA/BRA).

A seleção conta ainda com filmes de diversas partes do mundo, como o australiano “Red Christmas (que tem no elenco a atriz Dee Wallace, que nos anos 80 atuou em “E.T. – O Extraterrestre” interpretando a mãe do menino Elliot), “Freak Out” (de Israel), “Noite do Virgem” (Espanha), “Replace” (Alemanha / Canadá) e uma sessão especial do clássico do cinema trash “Plan 9 From Outer Space”, do diretor Ed Wood, na noite de  Halloween (31 de outubro), contando com encenações ao vivo, discos voadores pendurados e outros recursos.

Uma novidade na programação deste ano são as Creepypastas, um sarau de contação de histórias de terror, que será realizado na noite de encerramento, com10 histórias previamente inscritas e selecionadas.

Oficinas, painéis e rodas de bate-papo
Além da programação de filmes, Grotesc-O-Vision 2017 terá duas oficinas, 3 painéis com realizadores do cinema nacional (Rodrigo Aragão e equipes do filme “Virgin Cheerleaders in Chains e do programa “Cinelab”), rodas de bate-papo com canais de TV (Space e A&E) e cobertura especial do Canal Brasil. As oficinas são “História do cinema de horror contemporâneo” com o pesquisador Carlos Primati e “efeitos especiais”, com equipe do programa “Cinelab”, do Universal Channel: Kapel Furman, Armando Fonseca e Raphael Borghi. As inscrições estão abertas, podendo ser feitas na página de facebook do evento, no valor de R$ 40,00 cada, (pagamento via Paypal).

O Grotesc-O-Vision 2017 é um projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, com incentivo da Ebanx Payments e realização da Vigor Mortis e Moro Filmes. O evento contará com os canais convidados Space e A&E, e cobertura especial do Canal Brasil. O Spooky Movie – International Horror Film Fest é colaborador dessa mostra.

Serviço:
Mostra Grotesc-O-Vision 2017
Horários: das 9h às 21h
Local: Auditório Salvador de Ferrante do Teatro Guaíra (Guairinha)
Endereço: Rua XV de Novembro, 971 – Centro (Curitiba – PR)
Entrada: mostras, painéis e rodas de bate-papo gratuitos. Oficinas com inscrições abertas a R$ 40,00 cada.
Informações: vigormortis@vigormortis.com.br
Página no Facebook: www.facebook.com/grotescovision/

Semana das Mães terá Cinema ao Ar Livre

Mercado gastronômico promove sessões de cinema para mães e filhos, entre os dias 9 e 14 de maio

Para comemorar o Dia das Mães a Mercadoteca decidiu reeditar o seu Cinema ao Ar Livre, evento que foi um sucesso no ano passado. Entre os dias 9 e 14 de maio, o mercado gastronômico vai exibir, em sessões diárias, filmes para assistir com as crianças, com os filhos adolescentes e também para levar as mamães da melhor idade. O Cinema ao Ar Livre 2017 acontece em parceria com a NET Claro e com o apoio da Leyard Brasil e América Latina.

“As mães são um grande público da Mercadoteca, durante todo o ano, e é gratificante podermos proporcionar a elas momentos ainda mais especiais. Por isso preparamos uma decoração exclusiva e escolhemos com carinho filmes muito bacanas do catálogo do Now. Os restaurantes também prepararam um cardápio exclusivo para os dias de sessão de cinema”, comenta Carolina Malucelli, diretora do mercado.

O CEO da Leyard Brasil e América Latina, Orlando Custódio, destaca que além de toda a beleza da homenagem às mães, o Cinema ao Ar Livre é uma oportunidade especial para o lazer da família, com muita diversão, cultura e qualidade de exibição. “Estamos preparando exibições em altíssima definição de imagem, com uma tela de LED totalmente customizada para o espaço, para a programação e para o público da Mercadoteca”, afirma.

A programação completa está disponível nas redes sociais da Mercadoteca (facebook.com/mercadotecae instagram.com/mercadoteca). Ao longo da semana, ainda em homenagem às mães, também acontecerão sorteios de brindes.

SERVIÇO
Cinema ao Ar Livre – Especial Dia das Mães
Apoio Leyard Brasil e América Latina
Data: 9 a 14 de maio
Local: Mercadoteca
End.: Rua Paulo Gorski, 1309
Sessões de terça, quarta e sexta: 10h30, 15h e 19h30.
Sessões de quinta: 10h30 e 15h.
Sessões de sábado e domingo: 11h.
*A entrada é gratuita e as vagas são limitadas*

Nesse fim de semana tem cinema grátis em Curitiba

No segundo ano de exibições do Cineclube Aliança Francesa, projeto da instituição de ensino com a Cinemateca de Curitiba, os parceiros aumentaram a abrangência com sessões também no Cine Guarani do Portão Cultural.

“Nosso objetivo é disseminar a cultura francesa em Curitiba, dentro e fora da Aliança, e o cinema é uma forma atrativa e democrática de fazer isso”, comenta Bertrand Lacour, diretor da AF Curitiba.

Mulheres Diabólicas

Neste sábado (29/04), está em cartaz o longa-metragem “La Cérémonie” traduzido como “Mulheres Diabólicas” do diretor Claude Chabrol. Às 16h, começa a sessão do suspense de 1995, que conta a história de Sophie (Sandrine Bonnaire) contratada por Catherine Lelièvre (Jacqueline Bisset) para cuidar da rica mansão de sua família, no interior da França. Silenciosa e eficiente, Sophie logo faz amizade com Jeanne (Isabelle Huppert), responsável pelo correio local. O patriarca da família Lelièvre, Georges (Jean-Pierre Cassel), não aprova esta proximidade e quando Melinda (Virginie Ledoyen), a filha mais velha, descobre o segredo de Sophie o relacionamento cordial entre patrões e empregada acaba de vez.

O Cine Guarani fica no espaço Portão Cultural, na Avenida República Argentina, 3430, no bairro Portão.

A entrada é gratuita e aberta ao público. Mais informações sobre os eventos da Aliança Francesa Curitiba no site www.afcuritiba.com.br.

Serviço
Cineclube Aliança Francesa;
Quando: 29 de abril – sábado, 16h;
Quanto: gratuito;
Onde: Cine Guarani/ Portão Cultural – Avenida República Argentina, 3430 – Portão;
Informações no telefone 41 3223 4457.
Imagem: divulgação.

Série Mulheres Árabes | # 23 Diana El Jeiroudi

Diana El Jeiroudi.

Diana El Jeiroudi é uma cineasta independente, documentarista, artista e produtora síria. Ela é bacharel em Literatura Inglesa pela Universidade de Damasco e trabalhou em Marketing & Comunicação até 2002.

Ela co-fundou a única produtora independente de filmes na Síria até hoje, a ProAction Film, para a produção de documentários. Ela também é co-fundadora do Festival Internacional de Documentários do DOX BOX na Síria, que atua em colaboração com o Festival Internacional de Documentários de Amsterdã e a European Documentary Network.

El Jeiroudi ganhou destaque internacional com seu curta-metragem The Pot (2005), que explora as questões relacionadas à gravidez e a reexamina como um fenômeno social. A artista tenta ilustrar como a identidade feminina na região árabe gira em torno de dar à luz.

Em seu primeiro longa-metragem Dolls – Uma mulher de Damasco (2007-2008), El Jeiroudi explora o fenômeno da Boneca Fulla, que representava o sonho de cada menina árabe e era a versão com véu da boneca Barbie. Paralelamente, constrói-se a figura maternal de Manal, uma jovem mãe e esposa síria que vive em um ambiente social tradicional com regras conservadoras para as mulheres.

El Jeiroudi tenta revelar uma tendência que utiliza a apropriação comercial de um modelo feminino para limitar a liberdade e controlar a mente de uma geração jovem para aceitar um conjunto de regras religiosas e socialmente aprovadas.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Regra Resenha | O Negative, de Steven McCarthy

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No banco de trás de um carro, uma jovem mulher (Alyx Melone) parece agonizar. Ao volante, um homem (Steven McCarthy) dirige determinado em encontrar abrigo. Apesar de assustado, ele parece saber o que fazer. Isso já aconteceu antes.

Em um motel à beira da estrada, ele drena seu sangue para o corpo dela. Esse relacionamento incerto, permeado por desejos intensos, aponta uma interdependência: ele não vive sem o próprio sangue, ela não vive sem o sangue alheio.

As personagens parecem estar presas em um presente perpétuo: é preciso alimentar constantemente o vício. O agora só é suficiente até deixar de ser. Cada agulha é uma injeção de vitalidade nos seus termos.

A interação verbal é sempre reveladora. O que dizer, então, quando as cartas já estão postas à mesa? Nesse sentido, a quase completa ausência de diálogo no curta-metragem é acurada.

A trilha sonora, por sua vez, é uma impossibilidade; não haveria como ser outra. Composta por Gordon Hyland e Sam McLellan, ela é capaz de tensionar ainda mais os silêncios, reforçando a atmosfera vampiresca da narrativa.

O Negative é um fragmento de compulsão e sua sede por sangue pode deixá-lo seco.

  • Ficha Técnica

Título: O Negative.

Ano: 2015.

Duração: 15 minutos.

Idioma: Inglês.

Gênero: Drama.

Classificação: 18+.

Diretor: Steven McCarthy.

Roteiro: Steven McCarthy.

Atores: Alyx Melone, Steven McCarthy and Sandra Forsell.

País: Canadá.

Cor: Cor.

Regra Indica | Philomena

Philomena (Stephen Frears, 2013)
Philomena (Stephen Frears, 2013)

Philomena é um filme que, por mais que comece com uma cena do repórter Martin Sixsmith, conta a história de Philomena Lee, uma irlandesa que, lá na nos anos 50, engravidou fora do casamento. Por conta desse ato pecador, foi deserdada pela família e obrigada a permanecer em um lar de freiras desde então.

Lá, deu a luz à criança e permaneceu por anos trabalhando no local para poder “bancar” as despesas que dava às irmãs. Philomena – e as demais moças que possuíam filhos no local – só podia passar uma hora diária com a sua criança, Anthony, o que já mostra o tamanho da dor de uma mãe ao se separar do próprio filho. Porém, imagine essa separação de forma permanente, como aconteceu com Phil. Sim, as freiras colocaram para adoção cada uma das crianças e com Anthony não foi diferente.

Durante incansáveis 50 anos, a protagonista da história permaneceu procurando sobre o paradeiro de seu menino. E foi no meio dessa busca que entra a participação de Martin, ex-repórter da BBC demitido injustamente por algo que não foi dito por ele. No meio de vários burburinhos sobre a sua conduta profissional, um naco de esperança foi lhe dado após uma conversa ocasional que teve com a filha de Phil. Ela explica rapidamente sobre o que se passava com a mãe e perguntou se ele não podia ajudar. Após uma resposta negativa e o fato de estar desempregado, pensou melhor e decidiu ajudar aquela senhora.

O filme é baseado em fatos reais e possui um ritmo muito gostoso, com lágrimas e risadas que fluem de maneira muito natural. A angústia de Phil não só passa para Martin, mas também para nós, meros espectadores. A história é muito comovente e possui um rumo jamais imaginado lá no início dela. Além disso, recebeu vários prêmios, como o de melhor roteiro pelo Prêmio BAFTA de Cinema e também pelo Festival de Veneza.

Assista abaixo ao trailer e procure o filme o quanto antes para assistir (dica: tem no Netflix):

É preciso falar sobre empatia

Segundo o dicionário, empatia é o “processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro”. Ou seja, empatia é ver o mundo através dos olhos do outro; é entender a situação como um todo não através de nossos preconceitos e preceitos, mas sim através da percepção da outra pessoa – seja ela quem seja.

O mundo atual encontra-se em um verdadeiro caos, onde as pessoas não se respeitam mais e tudo acontece apenas para conquistar o que tanto querem. O mundo se transformou em um lugar mesquinho, egoísta, xenófobo, racista e etecétera. Porém, como para todos os comuns há as excessões, ainda é possível encontrar pessoas boas e que emanam o bem para o seu próximo – independente de sua idade, raça ou classe social.

Há tipos e tipos de pessoas boas e que podem ser divididas em 3 categorias principais: uma agrega as forçadas, outra as simpáticas e a última as empáticas. Explico:

1) As forçadas são todas as pessoas que fazem alguma coisa contra a sua vontade. São aquelas que ajudam o guardador de carros ali da rua com algumas moedas, mas apenas porque há alguém insistindo para que ela faça aquilo. O sentimento (ou a sensação) daquela pessoa pode até ser bom, mas não verdadeiro.

2) As pessoas simpáticas são aquelas que propagam o lado positivo de ser para os outros, são aquelas que sorriem quando precisam sorrir – ou até mesmo quando não precisam -, são aquelas que demonstram que o que sentem é verdadeiro e bom. Pessoas simpáticas às vezes não ajudam o guardador de carros ali da rua mas não porque não querem, e sim porque não podem. Não tenho nada hoje, amigo. Desculpa.

3) As pessoas empáticas – existentes, porém em menor número – são aquelas que definitivamente se colocam no lugar do outro. São aquelas que sentem e vivem o outro, sem sequer precisar fazer muito esforço. A empatia já faz parte delas e faz com que essas pessoas sintam não só a sensação boa de alguém, mas a ruim também, a ponto delas entenderem tudo – ou pelo menos quase tudo – do que se passa com ele.

Ser empático não é simples e eu, em momento algum, afirmei isso. Porém, é só com a prática que adquirimos essa característica. É só exercitando-a, dia após dia, que nós nos tornamos um pouquinho melhores do que fomos ontem. Talvez você esteja se perguntando como começar a praticar tal ato e tá tudo bem. Não há nada de errado em ter dúvidas, muito menos em querer saná-las. E é até por isso que resolvi escrever este texto. Eu quero apresentar a vocês – e a outros também, por que não? – duas obras que tratam a empatia de uma forma simples, singela e completamente verdadeira.

A primeira, literária, chama-se Extraordinário, escrita por R. J. Palacio. O livro conta a história de um menino de 11 anos, August (ou Auggie, como é chamado pela família e colegas), que possui uma doença muito rara. Até aí, tudo “normal”. A questão é que essa doença atingiu o seu rosto completamente, deformando-o desde o os olhos – que são caídos, quase no meio das bochechas – até as orelhas – que são praticamente inexistentes. Auggie levara uma vida normal até o início da quinta série em uma escola regular, ele mesmo narra isso pra gente logo no início. Todos o consideravam como uma criança deficiente e com necessidades, mas a verdade era que ele não passava de uma criança normal, que estudava (mesmo sendo em casa), brincava e se dedicava ao vício de fã que Star Wars lhe proporcionava.

 Primeira imagem divulgada da adaptação de Extraordinário para os cinemas.
Primeira imagem divulgada da adaptação de Extraordinário para os cinemas.

R. J. Palacio teve uma grande sacada ao escrever seu livro. Ao contrário de alguns livros que contam a história de cabo a rabo apenas através do ponto de vista do protagonista, ela decidiu alternar a narração da história entre August, Olivia (ou Via, sua irmã), Miranda (amiga de Via), Jack e Summer (amigos de Auggie), entre outros. São essas diferentes narrações que dão todo o encanto e beleza que a história tem. São essas narrativas, de cada um desses personagens, que nos mostra como a empatia pode ser exercida no dia a dia. Imagine só você precisar ser amigo de alguém que foi rejeitado sua vida inteira? Pois Jack imaginou, rejeitou, se esforçou e conseguiu. Mesmo sendo forçado no início (lembra-se desse grupo de pessoas?), o garoto conseguiu ver em August a essência de um menino que só queria estar naquela escola para estudar e aprender e, quem sabe, um dia parar de ser evitado pelos demais. Ele não queria amizades, não queria que os outros sentissem pena, nem nojo, nem nada disso; queria apenas ficar na dele, enfrentar tudo aquilo e talvez passar despercebido pelos olhares fixos em seu rosto.

O livro de Palacio é uma excessão dentro de tantas obras. Ele não traz uma história de drama, ele traz uma história de superação. Ele é tão leve e possui uma narrativa tão simples, mas convidativa, que o li em cerca de 3 dias. Foram quase 72 horas lendo 320 páginas e, olha, acreditem quando digo que leria mais 320 sem problema algum. Portanto, leiam. Deem uma chance ao livro que, como seu próprio nome, é extraordinário. Mas bom, seguindo, vamos à segunda obra que mencionei, dessa vez audiovisual.

Há alguns meses, o Regra (sim, esse site mesmo) indicou o filme Little Boy. Demorei para assisti-lo, mas há 2 dias finalmente ele foi a minha escolha no Netflix. E que escolha, que filme sensacional (obrigada Erick!). Little Boy conta a história de Pepper, um menino que, por ter uma altura bem inferior aos outros meninos de sua idade e, por isso, não ter amigos, tinha apenas seu pai como parceiro. Até ele ir à guerra e deixar Pepper “sozinho”. Digo entre aspas porque o garoto não estava totalmente sozinho, ele tinha a sua fé e esperança de que, se seguisse uma velha lista do Antigo Testamento, a Segunda Guerra Mundial acabaria e seu pai voltaria rapidamente para a sua casa e sua família. Durante o filme todo, é mostrada a trajetória de Pepper em busca da concretização daquilo que ninguém entendia – inclusive em como o garoto precisou deixar tudo aquilo que tinham lhe falado até então sobre os japoneses (inimigos dos americanos na Guerra) de lado para se aproximar e criar um laço com um deles que morava na cidade há diversos anos.

Cena da despedida de Pepper e seu pai em Little Boy.
Cena da despedida de Pepper e seu pai em Little Boy.

Little Boy passa uma mensagem bela sobre a inocência de uma criança – inocência, essa, que o mundo nos rouba -, mostra como é possível fazer o bem a si e aos outros e afirma que acreditar fielmente em algo é sempre válido. A linguagem, tanto visual quanto a provinda do roteiro, é simples como Pepper; ela faz com que qualquer pessoa se coloque no lugar daquela criança que se despede do pai sem ter a certeza de que irá vê-lo novamente algum dia. E ela mexe. Ah, como mexe! Não me lembro de ter chorado tanto assistindo a um filme. Os pontos de virada do filme com certeza foram estrategicamente pensados para te pegar justamente quando você menos espera. E isso, meus amigos, é uma maneira sutil – e devastadora – de nos mostrar o que a empatia pode nos causar.

Então, com base nessas duas obras de arte espetaculares que pude experimentar na última semana – e também me baseando em tudo o que disse no início desse texto – afirmo: sim, é preciso falar sobre empatia. Não só para mudar o seu ser ou o seu viver, mas também para ajudar o outro e, quem sabe, poder mudar o mundo. Afinal, nós somos tudo aquilo que emanamos e praticamos – seja ele o bem ou o mal, a alegria ou a tristeza, a apatia ou a empatia. Entende?

Quantas histórias cabem em uma História?

Eu nunca fui muito fã de História e sempre achei que fosse porque a matéria é mais chata do que o habitual. Durante 23 anos eu sempre coloquei na minha cabeça que não entendia nada dos fatos e acontecimentos porque aquilo tudo era chato e não me importava. Mas estava errada, pois nesse ano, no meio de uma aula que tive na minha pós, percebi que o que me faltou foi apenas um professor que me fizesse prestar atenção na beleza que toda história traz. Afinal, todo mundo tem uma história, certo?

Bom, voltando ao ponto que comecei. Mesmo eu não gostando nem um pouco de História, sempre me interessei pela época da Segunda Guerra Mundial. Por conta do Nazismo, mais especificamente. Já adianto que não sou nenhuma neo-nazi e que não simpatizo com as atrocidades que o Führer cometeu na época. Só que algo me prende a atenção e eu ainda não sei bem o que é. Já passei por vários conteúdos sobre esse assunto, inclusive já analisei diversos deles em trabalhos universitários. O primeiro deles foi sobre o livro “A menina que roubava livros” que, aliás, considerei como meu livro favorito durante muitos anos. Desde que terminei de lê-lo, sonhava com o dia em que alguma produtora de cinema iria arcar com a responsabilidade de adaptar a história para as telonas, mas naquele longíquo ano de 2009, isso era praticamente impossível. Um best-seller mundial que não teve seus direitos comprados imediatamente? Esqueça. Mas ainda bem que não esqueci, pois finalmente em 2014 o tão aguardado filme foi lançado e a sensação de assisti-lo era semelhante a de quando coloquei a obra em minhas mãos para ler aquelas páginas.

Dessa obra icônica de Markus Zusak, caminhei ainda por “O menino do pijama listrado”, “O diário de Anne Frank”, “Caçadores de obras-primas”, “A dama dourada”, “A chave de Sarah” e, com certeza, várias outras. A memória não é uma grande amiga minha e é até por isso que muitas vezes não me lembro da história de um livro ou do nome de um filme. Lembro-me bem do sentimento que se apossou de meu peito quando terminei de ler um diário tão íntimo da pequena Annelies. Era um misto de revolta com gratidão por ter tido alguém tão única no mundo. Uma menina com tão pouca idade, mas que já encarava o mundo da maneira que ele realmente era – e continua sendo, infelizmente. Uma menina sonhadora que se atinha aos pequenos detalhes dos dias intermináveis que passava no anexo secreto. Uma menina que só queria que a guerra acabasse pra ela poder voltar pra casa e viver a sua vida do jeito que merecia: como uma pessoa – e não uma judia.

Nesse último final de semana, esteve em cartaz aqui em Curitiba uma peça de teatro baseada no diário dessa menina. E é claro que vocês já sabem o que fui conferir no sábado a noite: sim, a peça baseada no diário da pequena Anne Frank. Foram 90 minutos de fascínio, de terror, de agonia. Confesso que ri em algumas partes, como naquela em que a senhora van Pels precisou defecar em um balde por não poder ir ao banheiro. E, nisso, não tem nada de engraçado. Muito pelo contrário, essa situação além de cruel, é humilhante. Mas nós, acomodados em nosso bem estar e na nossa rotina inacabável, nos divertimos com as dificuldades e desgraças de alguém que sequer conhecemos.

Aproveitando a deixa, dia desses assisti o filme “Ele está de volta”, uma sátira de como seria o retorno de Hitler nos dias atuais. Confesso, mais uma vez, que ri em várias partes do filme, até porque ele é irônico do início ao fim. Mas, mesmo sendo irônico, dá pra ter uma noção de que o mundo seria horrível se Hitler ressuscitasse e, milagrosamente, conseguisse ascender ao poder mais uma vez! Nós seríamos manipulados novamente por um ser sem pudor e coração – tão sem coração que chega a matar um cachorro com um simples tiro, apenas porque o animal estava enchendo o seu saco. Agora, pare e pense: se ele fez isso com um cachorro, quantas outras crueldades ele não fez para com seu povo?

Câmaras de gás? Tiros a queima roupa? Humilhações públicas ao fazer com que os judeus usassem uma estrela amarela no peito?

É… Todo mundo traz consigo uma história. Algumas possuem uma beleza indiscutível. Já, outras, aterrorizantes. E talvez seja por isso que me fascino tanto com esses fatos. Pra aprender tudo aquilo que não devo praticar em hipótese alguma.

A Separação: o comum que se torna extraordinário

A Separação é um filme iraniano em que Nader (Peyman Moadi) e Simin (Leila Hatami) divergem sobre a possibilidade de deixar o Irã. Simin quer deixar o país para dar melhores oportunidades a sua filha, Termeh (Sarina Farhadi). Nader, no entanto, quer continuar no Irã para cuidar de seu pai, que sofre do Mal de Alzheimer.

Ao concordarem em se separar, Nader contrata Razieh (Sareh Bayat), uma empregada para ser responsável pelos afazeres domésticos e por tratar da rotina de seu pai. Ela, que está grávida, aceita o trabalho sem avisar o seu marido.

A premissa nos apresenta uma narrativa relativamente comum, mas a simplicidade do tema e o modo como foi abordado – a escolha de trabalhar o micro ao invés do macro – é o que o torna sublime.

Sem adornos, o filme explora os diferentes pontos de vista, oferecendo ao espectador material para formular suas próprias conclusões e juízos de valor, levantando mais perguntas do que respostas, o que considero, particularmente, muito mais interessante. Entretanto, não se deve ignorar a representação conflitante da figura da mulher, que neste caso ultrapassa a questão da perspectiva ocidental sobre o Oriente.

Confira o filme completo aqui.

  • Trailer
  • Ficha Técnica

Título Original: Jodaeiye Nader az Simin

Título no Brasil: A separação

Direção: Asghar Farhadi

Ano: 2010

Duração: 123 minutos

País: Irã

Classificação Indicativa: 12 anos

Gênero: Drama

  • Curiosidade [ALERTA DE SPOILER]

O filme deixa algumas questões em aberto, mas com um olhar atento e o conhecimento sobre práticas tradicionais iranianas é possível entendê-las:

Afinal, quem pegou o dinheiro? Simin. Há uma cena em que ela está discutindo com os trabalhadores que estão movendo o piano e eles dizem que Simin deve pagá-los mais. Ela paga com o dinheiro que foi colocado na gaveta.

O que acontece com o pai de Nader? É uma tradição iraniana usar roupas pretas após a morte de alguém, sendo que os parentes próximos devem vesti-las por 40 dias. Na cena final vemos toda a família usando roupas pretas, o que nos permite deduzir que o pai de Nader morreu.