Por que o filme “Coraline e o Mundo Secreto” assusta as crianças?

Com direção de Henry Selick, Coraline e o Mundo Secreto, teve sua estreia no cinema em 2009. De autoria do consagrado Neil Gaiman, o filme tem como base o mundo infantil, porém, os relatos de que muitas crianças não tiveram uma boa experiência com a trama é frequente.

Mães apavoradas e filhos assustados, assim pode ser a descrição das pessoas saindo do cinema após assistir o filme. Mas por que Coraline e o Mundo Secreto assusta as crianças? Bem, existem muitas teorias! Uma delas até liga a história à feitiçaria, como relata o portal de notícias – um tanto extremista – americano The Vigilant Citizen.

Encontrar a resposta para essa pergunta não é assim tão difícil, nem tão mágica quanto aparenta ser. Coraline em um momento do filme se vê perdida e sem seus pais, no lugar de sua mãe existe uma outra mãe que é a grande vilã da trama. Está aí um ponto crucial. Os pais são a base que dá confiança à uma criança, mexer com isso e colocar pitadas de horror deixará qualquer baixinho com medo – até mesmo adultos, na verdade – .

Não é de hoje que essa temática é usada, Alice no País das Maravilhas e até mesmo O Mágico de Oz já tiraram o sono de muita gente por aí. De qualquer forma, devemos respeitar a licença poética de Neil Gaiman e esperar para ver Coraline 2 nos cinemas.

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Crítica | Abusado de Caco Barcellos

A obra “Abusado” foi escrita por Caco Barcellos durante quatro anos. Lançado em 2003 o livro reportagem retrata o mundo do crime através da história do traficante carioca Marcinho VP, codinome dado para Juliano VP. Caco passeia por toda a história do morro da Dona Marta, desde sua fundação até o momento atual. De maneira livre ele passa a contar através da vida de Juliano as histórias das várias gerações que comandaram o tráfico de drogas na região.

O leitor se depara com um garoto que nasceu em uma região muito pobre, viveu em meio a casebres onde a higiene quase que não existe, o saneamento básico não chega até os moradores, a menos que os mesmos se unam e construam estruturas (quase sempre precárias) de escoamento de esgoto e de tubulações de água. Alguns contrastes são mostrados, como a vagabundagem quase que involuntária de alguns moradores que vivem pelos bares da região, contrapostas com os garotos que vivem pendurados nos canos construindo ou mesmo remendando tubulações de água.

Diante da precariedade da vida no seu entorno o ainda menino Juliano foi se espelhando naqueles que eram os heróis do morro, os que tinham melhores condições financeiras. Lendo ainda os primeiros capítulos você já começa a se questionar até que ponto esse menino (assim como tantos outros) de fato teve a oportunidade de escolher qual futuro seguir. Barcellos vai mostrando os rumos do crime que foram tomados por Juliano e as escolhas de honestidade feitas por alguns dos seus colegas, diante dessas mostras você se questiona sobre as reais possibilidades de escolha que cada pessoa tem. Alguém que nasce nessa região, completamente desprovida de qualquer assistência ou mesmo esperança de melhora, pode mesmo ser culpada caso faça uma escolha errada?

Perante as guerras do morro e do destino dos soldados do tráfico, fica nítido que o caminho da criminalidade é cruel e muitas vezes fatal. Parafraseando o contexto como um todo, é como se o Estado dissesse para os bebês que nascem no morro, “você está condenado a morrer muito cedo, faça algo para que isso não aconteça, mas eu não vou te ajudar, muito pelo contrário, irei te oprimir, afunilarei os seus caminhos, não deixarei você se desenvolver financeiramente, te julgarei por ser pobre, e se você não se manter na linha eu te prendo ou mato”.

A obra retrata ainda a bondade de alguns moradores do morro, assim como também deixa nítido a maldade de outros. A corrupção policial, sem a qual (dentre vários outros fatores) o tráfico de drogas não existiria é muito bem escancarada nas mais de quinhentas páginas.

Caco Barcellos ainda conta sobre como foi o processo de escrita do livro, numa narrativa onde ele revela como foram os encontros com Juliano, revelando até mesmo os seus medos. Compre a obra clicando na imagem abaixo e se prepare para ter outra percepção de mundo.

Coluna Traços | Pense antes de rir

 

Arte de colocar o sarcasmo, a sátira e a critica direta, em  pequenos espaços, geralmente em três pequenas colunas em preto e branco, têm o poder de alcançar um grande leque de  reflexões e é capaz de chocar seus leitores e trazê-los à realidade do seu cotidiano. As charges inseridas em jornais, possuem um papel de canalizador de idéias e pensamentos diários, muitos  confundem como um fragmento do humor, porém, elas alcançam proporções mais elevadas, além de arrancarem um meio sorriso.

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