Eu ainda me importo

Quando foi que a gente deixou de se importar? Não é uma pergunta difícil de responder. Ou é? Confesso que já não sei de mais nada. Os dias passam sem mais nem menos, não sinto mais aquela alegria que tomava conta de mim dia e noite, sem parar. É estranho dizer coisas assim? Digo, sem mais nem menos? Porque eu me sinto estranha e já faz algum tempo. Não é de hoje que as coisas não vêm sendo o que deveriam ser. Na verdade, já faz vários dias que venho analisando e pensando o que deveria fazer caso algo desse tipo acontecesse. Infelizmente aconteceu e eu permaneço perdida no lugar de onde sequer consigo sair.

Não ando me preocupando com as coisas, sabe? É até estranho, porque eu sempre fui aquela que não passa um minuto sem se preocupar. O meu coração está mais leve, ele até me diz que preciso continuar assim. Então por que insisto em tentar encontrar um problema onde não existe um? Talvez o problema disso tudo seja eu mesma, mas nem assim essa suposição me convence. Tenho andado tão bem, tão, sei lá, eu mesma. Pode até ser que a alegria de sempre não me visite mais com tanta frequência, mas é legal saber que ela sempre estará dentro de mim quando eu precisar. A gente sempre precisa de uma dose de sentimento bom.

Alguns pensamentos diferentes tomam conta da minha mente de vez em quando. Mas juro que não deixo eles permanecerem ali por muito tempo. Eu sei que determinadas situações ainda me fazem mal e é até por isso que tento distrair a mente, focar em algo que sei que vai me fazer bem – nem que seja momentaneamente. Eu não quero viver uma vida de suposições, quero ter sensações também. Sentimentos, me entende? Eu sou toda feita por eles, dos bons até os mais perversos. Que não me pertencem, devo enfatizar. Mas às vezes é inevitável a produção de alguns. É errado, mas errar também faz parte do ser humano, certo?

Eu gostaria de compreender quando foi que tudo mudou. Eu costumava prestar mais atenção nos detalhes, eu realmente gostava de tentar ajudar. Mas acredito que de tanto me sentir sufocada com palavras alheias, acabei me sufocando até mesmo com aquelas que não disse. Eu tento me esconder, faço de tudo para que ninguém descubra o que realmente sinto ao ver certas coisas diante de meus olhos. Mas é tarefa impossível, a quantidade de sentimentos que ainda vive em mim é maior do que toda a vontade que sinto de fingir que tanto faz, tanto fez. Não é tão fácil esquecer das coisas assim e até mesmo quando eu sei que tem gente que deixou de se importar, eu vou lá e permaneço me importando. Nem que seja por nós dois. Ou só por mim – o que, na verdade, é o que acontece na maioria das vezes.

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Aprenda a ser gente

tmp_23362-large1580411387Olha a que ponto você chegou. Por não saber escutar os outros, afastou todos que ainda permaneciam ao seu lado. Pra que, hein? Só pra ter aquele gostinho da razão? Aliás, que razão? Porque isso você nunca teve. A partir do momento em que você desrespeita o espaço, bem como a opinião de alguém, você já não tem mais nenhuma razão. Acho que isso você sabe, né? Mas se não souber, presta atenção nos seus próximos passos, tá?

Presta atenção por onde anda, com quem anda e, o principal, como anda. O mal da sociedade atual é o de julgar os outros sem sequer conhecê-los. É mais fácil, entende? É muito mais fácil falar mal de quem não segue a mesma linha de pensamento da gente. Afinal, quem são os outros perto de mim, certo? Errado! Aprender a aceitar que as pessoas são diferentes entre si é ponto fundamental pra viver em harmonia com o mundo ao seu redor. A gente pode aprender muito com as diferenças das pessoas, tem muita coisa legal pra aprender ainda nessa estrada que é a vida.

Não to aqui pra apontar o dedo pra ninguém, mas em alguns momentos é preciso dizer algumas coisas que eu sei que irão machucar – em partes. É preciso fazer com que determinada pessoa perceba que o que está fazendo é errado, mas que ainda há tempo de mudar. Mudanças são importantes. Se for pra melhor ainda mais! E é por isso que insisto na questão de que é preciso prestar atenção nas coisas que faz, porque uma hora ou outra tudo o que você prega pode voltar ao seu encontro, só que de maneira piorada. E coisas assim nunca são legais. Vai por mim.

Acredite no que digo aqui. Sei que não sou a dona da verdade, mas já enfrentei muita situação chata por causa de atitudes que custei a mudar. Faça um esforço para melhorar quem você é como pessoa, pois mudando a sua forma de ser, as coisas acontecem como devem ser. Todo mundo merece o que há de melhor, mas é preciso muito esforço para tal. O esforço nunca é em vão, é válido dizer isso. Mas pra chegar onde se quer, é necessária uma dose de empatia, sempre. Principalmente com quem você julga ser pior do que você – até porque ninguém é melhor do que ninguém. E eu espero que você saiba disso também.

O Natal que não conhecemos

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Esse texto pode parecer meio ingrato, já aviso de antemão. Explico o porquê: há alguns anos não consigo me sentir feliz na época de fim de ano. Juro. Lembro de que há alguns anos, na véspera do Natal, me peguei chorando, aparentemente sem motivo. Foi apenas com o decorrer de alguns mais que pude entender que a angústia que sinto na suposta época mais feliz do ano é decorrente da empatia que desenvolvi com o tempo.

Ano passado, durante as férias coletivas da empresa onde trabalhava, pensei em várias coisas que rodeiam o mês de Dezembro. Se em algumas famílias é a alegria que predomina, em outras essa alegria é inversamente proporcional. Vivemos em um mundo dicotômico, onde poucos tem de mais, muitos de menos e o restante faz o que pode para sobreviver. Nem todo mundo espera a noite de Natal para se fartar na ceia da meia noite. E nem todo mundo tem esperanças de encontrar o velhinho Noel para receber o seu tão sonhado presente – mesmo que a pessoa em questão tenha se comportado muito bem durante o ano todo.

O ano de 2015 foi fundamental para o meu crescimento. E foi ao final desse mesmo ano que compreendi que eu não tenho a obrigação de me sentir feliz em uma data que muitas pessoas não se sentem assim. Eu não me sinto feliz ao imaginar que muita gente trabalha tanto pra não ganhar o suficiente nem para o pão, quem dirá para o chester. Não me sinto bem em saber que na minha infância eu tive de tudo – e quando digo tudo, é porque nunca me faltou nada – e que várias crianças por aí não tem sequer uma bola de meia pra brincar com os amigos da rua. Eu não me sinto feliz diante dessas situações e talvez isso aconteça porque não me sinto feliz com o mundo em que vivo.

Sei que muitos de vocês devem estar pensando que “é fácil falar tudo isso, mas você faz alguma coisa pra mudar?”. É normal esse tipo de pensamento, não os julgo, eu também já fui assim – às vezes até sou ainda. Não posso mudar tudo o que me deixa insatisfeita, mas posso mudar algumas atitudes próprias que, lá na frente, num futuro qualquer, irão repercutir de alguma forma. Eu não posso presentear todas as crianças carentes, mas eu posso ser o Papai Noel de uma delas através da campanha das cartinhas dos Correios. Eu não posso obrigar todas as pessoas a pensarem assim, mas eu posso escrever um conto retratando essa realidade para tentar abrir os olhos de algumas tantas.

Em um outro texto que escrevi aqui no Regra, indiquei duas obras (um filme e um livro) que trabalham o lado empático de qualquer um. Nesse, já que estamos falando de Natal e suas diversas ramificações sentimentais, indico mais duas: A pequena vendedora de fósforos, de Hans Christian Andersen, e Um conto de Natal, de Charles Dickens. Meu primeiro contato com o último foi através de um especial de Natal da Disney que assisti uns anos atrás na TV, mas eu recomendo fortemente a leitura do livro, primeiro porque ele é pequeno mesmo e você encontra baratinho se procurar bem, e segundo porque é uma história do Dickens.

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Texto feito, explicações dadas e dicas sugeridas, é hora de eu sair de fininho e torcer para que isso tudo tenha o significado certo e real que tinha em mente.

Feliz Natal para vocês – seja ele da maneira que for.

É preciso falar sobre empatia

Segundo o dicionário, empatia é o “processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro”. Ou seja, empatia é ver o mundo através dos olhos do outro; é entender a situação como um todo não através de nossos preconceitos e preceitos, mas sim através da percepção da outra pessoa – seja ela quem seja.

O mundo atual encontra-se em um verdadeiro caos, onde as pessoas não se respeitam mais e tudo acontece apenas para conquistar o que tanto querem. O mundo se transformou em um lugar mesquinho, egoísta, xenófobo, racista e etecétera. Porém, como para todos os comuns há as excessões, ainda é possível encontrar pessoas boas e que emanam o bem para o seu próximo – independente de sua idade, raça ou classe social.

Há tipos e tipos de pessoas boas e que podem ser divididas em 3 categorias principais: uma agrega as forçadas, outra as simpáticas e a última as empáticas. Explico:

1) As forçadas são todas as pessoas que fazem alguma coisa contra a sua vontade. São aquelas que ajudam o guardador de carros ali da rua com algumas moedas, mas apenas porque há alguém insistindo para que ela faça aquilo. O sentimento (ou a sensação) daquela pessoa pode até ser bom, mas não verdadeiro.

2) As pessoas simpáticas são aquelas que propagam o lado positivo de ser para os outros, são aquelas que sorriem quando precisam sorrir – ou até mesmo quando não precisam -, são aquelas que demonstram que o que sentem é verdadeiro e bom. Pessoas simpáticas às vezes não ajudam o guardador de carros ali da rua mas não porque não querem, e sim porque não podem. Não tenho nada hoje, amigo. Desculpa.

3) As pessoas empáticas – existentes, porém em menor número – são aquelas que definitivamente se colocam no lugar do outro. São aquelas que sentem e vivem o outro, sem sequer precisar fazer muito esforço. A empatia já faz parte delas e faz com que essas pessoas sintam não só a sensação boa de alguém, mas a ruim também, a ponto delas entenderem tudo – ou pelo menos quase tudo – do que se passa com ele.

Ser empático não é simples e eu, em momento algum, afirmei isso. Porém, é só com a prática que adquirimos essa característica. É só exercitando-a, dia após dia, que nós nos tornamos um pouquinho melhores do que fomos ontem. Talvez você esteja se perguntando como começar a praticar tal ato e tá tudo bem. Não há nada de errado em ter dúvidas, muito menos em querer saná-las. E é até por isso que resolvi escrever este texto. Eu quero apresentar a vocês – e a outros também, por que não? – duas obras que tratam a empatia de uma forma simples, singela e completamente verdadeira.

A primeira, literária, chama-se Extraordinário, escrita por R. J. Palacio. O livro conta a história de um menino de 11 anos, August (ou Auggie, como é chamado pela família e colegas), que possui uma doença muito rara. Até aí, tudo “normal”. A questão é que essa doença atingiu o seu rosto completamente, deformando-o desde o os olhos – que são caídos, quase no meio das bochechas – até as orelhas – que são praticamente inexistentes. Auggie levara uma vida normal até o início da quinta série em uma escola regular, ele mesmo narra isso pra gente logo no início. Todos o consideravam como uma criança deficiente e com necessidades, mas a verdade era que ele não passava de uma criança normal, que estudava (mesmo sendo em casa), brincava e se dedicava ao vício de fã que Star Wars lhe proporcionava.

 Primeira imagem divulgada da adaptação de Extraordinário para os cinemas.
Primeira imagem divulgada da adaptação de Extraordinário para os cinemas.

R. J. Palacio teve uma grande sacada ao escrever seu livro. Ao contrário de alguns livros que contam a história de cabo a rabo apenas através do ponto de vista do protagonista, ela decidiu alternar a narração da história entre August, Olivia (ou Via, sua irmã), Miranda (amiga de Via), Jack e Summer (amigos de Auggie), entre outros. São essas diferentes narrações que dão todo o encanto e beleza que a história tem. São essas narrativas, de cada um desses personagens, que nos mostra como a empatia pode ser exercida no dia a dia. Imagine só você precisar ser amigo de alguém que foi rejeitado sua vida inteira? Pois Jack imaginou, rejeitou, se esforçou e conseguiu. Mesmo sendo forçado no início (lembra-se desse grupo de pessoas?), o garoto conseguiu ver em August a essência de um menino que só queria estar naquela escola para estudar e aprender e, quem sabe, um dia parar de ser evitado pelos demais. Ele não queria amizades, não queria que os outros sentissem pena, nem nojo, nem nada disso; queria apenas ficar na dele, enfrentar tudo aquilo e talvez passar despercebido pelos olhares fixos em seu rosto.

O livro de Palacio é uma excessão dentro de tantas obras. Ele não traz uma história de drama, ele traz uma história de superação. Ele é tão leve e possui uma narrativa tão simples, mas convidativa, que o li em cerca de 3 dias. Foram quase 72 horas lendo 320 páginas e, olha, acreditem quando digo que leria mais 320 sem problema algum. Portanto, leiam. Deem uma chance ao livro que, como seu próprio nome, é extraordinário. Mas bom, seguindo, vamos à segunda obra que mencionei, dessa vez audiovisual.

Há alguns meses, o Regra (sim, esse site mesmo) indicou o filme Little Boy. Demorei para assisti-lo, mas há 2 dias finalmente ele foi a minha escolha no Netflix. E que escolha, que filme sensacional (obrigada Erick!). Little Boy conta a história de Pepper, um menino que, por ter uma altura bem inferior aos outros meninos de sua idade e, por isso, não ter amigos, tinha apenas seu pai como parceiro. Até ele ir à guerra e deixar Pepper “sozinho”. Digo entre aspas porque o garoto não estava totalmente sozinho, ele tinha a sua fé e esperança de que, se seguisse uma velha lista do Antigo Testamento, a Segunda Guerra Mundial acabaria e seu pai voltaria rapidamente para a sua casa e sua família. Durante o filme todo, é mostrada a trajetória de Pepper em busca da concretização daquilo que ninguém entendia – inclusive em como o garoto precisou deixar tudo aquilo que tinham lhe falado até então sobre os japoneses (inimigos dos americanos na Guerra) de lado para se aproximar e criar um laço com um deles que morava na cidade há diversos anos.

Cena da despedida de Pepper e seu pai em Little Boy.
Cena da despedida de Pepper e seu pai em Little Boy.

Little Boy passa uma mensagem bela sobre a inocência de uma criança – inocência, essa, que o mundo nos rouba -, mostra como é possível fazer o bem a si e aos outros e afirma que acreditar fielmente em algo é sempre válido. A linguagem, tanto visual quanto a provinda do roteiro, é simples como Pepper; ela faz com que qualquer pessoa se coloque no lugar daquela criança que se despede do pai sem ter a certeza de que irá vê-lo novamente algum dia. E ela mexe. Ah, como mexe! Não me lembro de ter chorado tanto assistindo a um filme. Os pontos de virada do filme com certeza foram estrategicamente pensados para te pegar justamente quando você menos espera. E isso, meus amigos, é uma maneira sutil – e devastadora – de nos mostrar o que a empatia pode nos causar.

Então, com base nessas duas obras de arte espetaculares que pude experimentar na última semana – e também me baseando em tudo o que disse no início desse texto – afirmo: sim, é preciso falar sobre empatia. Não só para mudar o seu ser ou o seu viver, mas também para ajudar o outro e, quem sabe, poder mudar o mundo. Afinal, nós somos tudo aquilo que emanamos e praticamos – seja ele o bem ou o mal, a alegria ou a tristeza, a apatia ou a empatia. Entende?

Eu sinto muito

Eu sinto muito. Sinto até demais. Sinto o que não deveria sentir. Sinto coisas minhas e de tantas pessoas mais.

Sim, eu sinto muito. Vivo de lembranças que há tanto já deveria ter esquecido. Vivo de memórias que se apossaram de mim de tal maneira que já não tem mais formas de distingui-las se são ou não reais. Vivo de histórias, conquistas, superações. Vivo por viver. E eu sinto muito.

Sinto tanto que nem sei mais o que é o não-sentir, se é que isso existe. Eu uso a alegria dos outros como se fosse minha, eu me projeto ao futuro a partir de lembranças que ainda vivem e que estão guardadas em mim. Eu sinto muito por ter que escrever essas palavras que já não se calam mais. Palavras sufocam. E por tentar jogá-las a uma folha de papel em branco, acabo sentindo um pouquinho mais. Frustração, talvez seja. Quem sabe, pode até ser vergonha. Por sentir muito; sentir demais.

Trago lembranças antigas em questão de dois segundos ao âmago do meu ser. Só eu sei o peso de tudo, só eu sei o tamanho do meu mundo. Só eu sei o tanto que sinto e o tanto que sinto muito por sentir tanto. E eu sinto. Sinto o que não deveria, o que não queria. Sinto coisas boas, coisas ruins. Coisas leves e outras tão pesadas que fazem eu duvidar de mim. Duvidar do meu sentir eu jamais senti, mas se um dia me for delegada essa tarefa, com certeza sentirei também.

Eu sou assim, uma pessoa sentida por sentir demais. E prefiro ser assim do que não sentir nada; ser apática. De todos os sentimentos, a apatia é o que mais me amedronta. Já pensou você não mais sentir nada? Nem amor, nem rancor? Nada. Prefiro ser simpática a antipática, empática a apática. Prefiro sentir demais do que sentir de menos – ou até não sentir. Pois com a escassez de sentimentos bons e positivos que temos hoje no mundo, é preferível sentir muito e desculpar-se, ainda, por aqueles que não sentem nada.