O 6º filme da franquia Shaknado promete ser o mais No Sense de todos

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Grotesc-O-Vision, mostra internacional de cinema de horror e grotesco

Virgin Cheerleaders in Chains – still-60 (foto Nika Braun)

Na semana em que se comemora o Halloween (ou Dia Das Bruxas), será realizada em Curitiba a quarta edição do Grotesc-O-Vision, mostra internacional de cinema de horror e grotesco, que contará com exibições de filmes, oficinas, painéis e rodas de bate-papo com realizadores e exibidores ligados ao gênero.

O vento vai de 30 de outubro a 02 de novembro (segunda a quinta-feira), com todas as atividades concentradas no Auditório Salvador de Ferrante do Teatro Guaíra (mais conhecido como Guairinha), no Centro da cidade. Todas as atividade são gratuitas, com exceção das oficinas, que estão com inscrições abertas, a preços simbólicos.

Curtas, longas e Creepypastas
A programação de filmes desta edição contará com uma mostra competitiva de curtas-metragens, e uma seleção internacional com 6 longas. Entre os destaques, está a estreia latino-americana de “Virgin Cheerleaders in Chains”, filmado nos EUA e dirigido pelo curitibano Paulo Biscaia Filho, sendo seu primeiro trabalho internacional, em uma coprodução Austin-Curitiba (EUA/BRA).

A seleção conta ainda com filmes de diversas partes do mundo, como o australiano “Red Christmas (que tem no elenco a atriz Dee Wallace, que nos anos 80 atuou em “E.T. – O Extraterrestre” interpretando a mãe do menino Elliot), “Freak Out” (de Israel), “Noite do Virgem” (Espanha), “Replace” (Alemanha / Canadá) e uma sessão especial do clássico do cinema trash “Plan 9 From Outer Space”, do diretor Ed Wood, na noite de  Halloween (31 de outubro), contando com encenações ao vivo, discos voadores pendurados e outros recursos.

Uma novidade na programação deste ano são as Creepypastas, um sarau de contação de histórias de terror, que será realizado na noite de encerramento, com10 histórias previamente inscritas e selecionadas.

Oficinas, painéis e rodas de bate-papo
Além da programação de filmes, Grotesc-O-Vision 2017 terá duas oficinas, 3 painéis com realizadores do cinema nacional (Rodrigo Aragão e equipes do filme “Virgin Cheerleaders in Chains e do programa “Cinelab”), rodas de bate-papo com canais de TV (Space e A&E) e cobertura especial do Canal Brasil. As oficinas são “História do cinema de horror contemporâneo” com o pesquisador Carlos Primati e “efeitos especiais”, com equipe do programa “Cinelab”, do Universal Channel: Kapel Furman, Armando Fonseca e Raphael Borghi. As inscrições estão abertas, podendo ser feitas na página de facebook do evento, no valor de R$ 40,00 cada, (pagamento via Paypal).

O Grotesc-O-Vision 2017 é um projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba, com incentivo da Ebanx Payments e realização da Vigor Mortis e Moro Filmes. O evento contará com os canais convidados Space e A&E, e cobertura especial do Canal Brasil. O Spooky Movie – International Horror Film Fest é colaborador dessa mostra.

Serviço:
Mostra Grotesc-O-Vision 2017
Horários: das 9h às 21h
Local: Auditório Salvador de Ferrante do Teatro Guaíra (Guairinha)
Endereço: Rua XV de Novembro, 971 – Centro (Curitiba – PR)
Entrada: mostras, painéis e rodas de bate-papo gratuitos. Oficinas com inscrições abertas a R$ 40,00 cada.
Informações: vigormortis@vigormortis.com.br
Página no Facebook: www.facebook.com/grotescovision/

Regra Indica | Philomena

Philomena (Stephen Frears, 2013)
Philomena (Stephen Frears, 2013)

Philomena é um filme que, por mais que comece com uma cena do repórter Martin Sixsmith, conta a história de Philomena Lee, uma irlandesa que, lá na nos anos 50, engravidou fora do casamento. Por conta desse ato pecador, foi deserdada pela família e obrigada a permanecer em um lar de freiras desde então.

Lá, deu a luz à criança e permaneceu por anos trabalhando no local para poder “bancar” as despesas que dava às irmãs. Philomena – e as demais moças que possuíam filhos no local – só podia passar uma hora diária com a sua criança, Anthony, o que já mostra o tamanho da dor de uma mãe ao se separar do próprio filho. Porém, imagine essa separação de forma permanente, como aconteceu com Phil. Sim, as freiras colocaram para adoção cada uma das crianças e com Anthony não foi diferente.

Durante incansáveis 50 anos, a protagonista da história permaneceu procurando sobre o paradeiro de seu menino. E foi no meio dessa busca que entra a participação de Martin, ex-repórter da BBC demitido injustamente por algo que não foi dito por ele. No meio de vários burburinhos sobre a sua conduta profissional, um naco de esperança foi lhe dado após uma conversa ocasional que teve com a filha de Phil. Ela explica rapidamente sobre o que se passava com a mãe e perguntou se ele não podia ajudar. Após uma resposta negativa e o fato de estar desempregado, pensou melhor e decidiu ajudar aquela senhora.

O filme é baseado em fatos reais e possui um ritmo muito gostoso, com lágrimas e risadas que fluem de maneira muito natural. A angústia de Phil não só passa para Martin, mas também para nós, meros espectadores. A história é muito comovente e possui um rumo jamais imaginado lá no início dela. Além disso, recebeu vários prêmios, como o de melhor roteiro pelo Prêmio BAFTA de Cinema e também pelo Festival de Veneza.

Assista abaixo ao trailer e procure o filme o quanto antes para assistir (dica: tem no Netflix):

Por que o filme “Coraline e o Mundo Secreto” assusta as crianças?

Com direção de Henry Selick, Coraline e o Mundo Secreto, teve sua estreia no cinema em 2009. De autoria do consagrado Neil Gaiman, o filme tem como base o mundo infantil, porém, os relatos de que muitas crianças não tiveram uma boa experiência com a trama é frequente.

Mães apavoradas e filhos assustados, assim pode ser a descrição das pessoas saindo do cinema após assistir o filme. Mas por que Coraline e o Mundo Secreto assusta as crianças? Bem, existem muitas teorias! Uma delas até liga a história à feitiçaria, como relata o portal de notícias – um tanto extremista – americano The Vigilant Citizen.

Encontrar a resposta para essa pergunta não é assim tão difícil, nem tão mágica quanto aparenta ser. Coraline em um momento do filme se vê perdida e sem seus pais, no lugar de sua mãe existe uma outra mãe que é a grande vilã da trama. Está aí um ponto crucial. Os pais são a base que dá confiança à uma criança, mexer com isso e colocar pitadas de horror deixará qualquer baixinho com medo – até mesmo adultos, na verdade – .

Não é de hoje que essa temática é usada, Alice no País das Maravilhas e até mesmo O Mágico de Oz já tiraram o sono de muita gente por aí. De qualquer forma, devemos respeitar a licença poética de Neil Gaiman e esperar para ver Coraline 2 nos cinemas.

Regra Entrevista | Helouise Prado e o filme A Culpa é Minha?

Cena do documentário "A Culpa É Minha?"
Cena do documentário “A Culpa é Minha?”

No Brasil uma mulher é estuprada a cada três horas. Nesse número estão inclusos apenas os casos onde foi efetuada a denúncia através do telefone 180, do Governo Federal. Das 103 milhões de mulheres que vivem no nosso país, uma a cada cinco considera já ter sofrido algum tipo de violência por parte de algum homem, segundo os dados da Fundação Perseu Abramo de 2010.

Que roupa você estava usando? Onde você ia tão tarde assim? Isso é hora de mulher andar sozinha na rua? Você estava bêbada? Muitas mulheres encontram essas perguntas quando vão buscar por socorro após serem violentadas sexualmente, o que acaba gerando diversos outros traumas que podem destruir a sua maneira de se ver e se encaixar em sociedade. Fruto de uma cultura machista, esse tema precisa ser debatido e suas reais raízes e consequências precisam ser expostas.

Leia: Como me tornei homem de verdade

Recentemente publicamos aqui no Regra uma entrevista exclusiva com o grupo Mulamba falando exatamente sobre o abuso sexual contra mulheres. Mas não é só na música que encontramos materiais que denunciam essa realidade cruel. A jornalista Helouise Prado lançou no final do ano passado o documentário A Culpa é Minha?, que mostra essa realidade pelo prisma das vitimas. O que acontece quando uma mulher é violentada? Quais são os problemas que a acompanham? Como a sociedade passa a enxergar essa vitima? Esses são apenas alguns dos tópicos abordados nesse material.

Helouise passou a se sentir ligada pelo tema a partir do momento em que identificou ao seu redor diversas mulheres que já viveram esse mesmo problema. Não tendo como agir judicialmente diante das circunstâncias – por saber do medo que as vitimas tinham de seus agressores – a jornalista passou a se aprofundar nos estudos do feminismo, e entrou para um grupo de apoio a vitimas. Foi aí que ela descobriu que o problema era muito maior do que se podia imaginar. “O problema da violência doméstica não se baseia só na agressão física, mas que ela afeta o psicológico e que deixa traumas quase que irreparáveis” afirma Helouise.  Foi diante dos números que a jornalista sentiu “a obrigação de contribuir de alguma forma, foi aí que surgiu a ideia de fazer um documentário baseado na história vivida por elas, até para que essas mulheres pudessem se sentir mais humanas a ponto de enxergar uma luz no fim do túnel”, afirma.

Leia: “E os namoradinhos?”

Helouise conversou com nossa equipe sobre o documentário, acompanhe a entrevista completa abaixo, na sequencia o filme.

Regra dos Terços – De onde vem a sua ligação com o tema?
Helouise Prado – Vi que muitas mulheres próximas a mim viviam o problema dentro de casa, mas que ao mesmo tempo eu não conseguia ajudar essas mulheres judicialmente, até porque, sabendo o histórico delas e o medo em que elas viveram – e que umas ainda vivem – não haveria uma denuncia formal tão cedo por parte delas. Eu comecei a estudar o feminismo, depois entrei em um grupo de apoio a vítimas de relacionamentos abusivos e lá me vi perplexa com a quantidade de relatos chocantes. Vi que o problema da violência doméstica não se baseia só na agressão física, mas que ela afeta o psicológico e que deixa traumas quase que irreparáveis. Me senti na obrigação de contribuir de alguma forma, foi aí que surgiu a ideia de fazer um documentário baseado na história vivida por elas, até para que essas mulheres pudessem se sentir mais humanas a ponto de enxergar uma luz no fim do túnel.

RT – Você acredita que toda mulher sofre ou sofreu algum tipo de abuso? Como isso se dá?
HP – Sim, eu acredito. O abuso começa desde quando ainda somos crianças e incentivadas, por exemplo, a acreditar que o beliscão vindo do coleguinha é um ato de amor, onde escutamos a frase: “mas filha, ele fez isso porque gosta de você”. Quem nunca ouviu uma dessas, não é mesmo?
Eu creio que toda a mulher já sofreu ao menos uma passada de mão no bumbum, por exemplo, dentro do coletivo. Infelizmente, a cultura machista ainda está enraizada não somente na criação dos homens, mas na das mulheres também, porque ao longo da pesquisa presenciei muitas mulheres se diminuindo, questionando os próprios abusos que passaram e culpando umas as outras. Isso tudo só vai mudar quando nós, enquanto sociedade, mudarmos a nossa postura ao educar novas crianças, exemplo que uma das entrevistadas também fala no filme. São nas pequenas atitudes em casa, como a divisão de tarefas sem separar por gênero, por exemplo.

RT – Como foi todo o processo para a produção do documentário?
HP – Consegui as entrevistadas com mulheres da frente feminista, que me ajudaram muito em indicações e, algumas delas até me convidaram a conhecer melhor os espaços delas e tudo mais. Elas foram muito acolhedoras.
A dificuldade que encontrei foi em conseguir quem falasse. O processo é complicado para quem já deu muitas entrevistas, porque muitos jornalistas ainda possuem pouco conhecimento sobre o movimento e acabam transmitindo uma mensagem suja e preconceituosa para quem assiste, além de que, muitas das vezes culpabilizam as vítimas de forma indireta em reportagens, o que desmotiva muito algumas delas a voltarem a se expor.
Na prática, foi conturbado, pois eu comecei focando apenas nos depoimentos das meninas e, até então, ficaria apenas nas experiências de vida e superação delas, o que pra mim, estava tudo indo bem. No processo de edição descobrimos um problema muito maior, porque todas as entrevistadas apontavam a culpa como ponte divisória entre elas e a busca por ajuda e senti que isso não podia passar batido.
A partir daí, mudamos todo o roteiro, o foco e até o nome do documentário. Editamos em pouquíssimos dias, mas foi uma loucura! Conclui minha pesquisa com base em dados que consegui com a SESP e fomos traçando a linha condutora em base nestes dados, sempre incluindo a delegada para dar a voz da credibilidade nestas estatísticas.
Usei o trecho informal da Ludmila como forma de condução porque, além dela falar muito bem sobre tudo que envolvia meu tema, ela é super expressiva. Coisa de atriz mesmo. Onde ela falava, eu via a possibilidade de encaixar todo o restante, sentimos a necessidade de deixar ela contar e dar a linha a sequência das outras meninas.

RT – Qual é sua expectativa com ele?
HP – Eu espero poder alcançar através do documentário essas mulheres que ainda estão em situação de risco. Estou divulgando nas páginas dos amigos, vou exibir na Cinemateca de Curitiba e divulgar muito para que lote a sala (risos). Além de poder levar em DVD nas ONGS que acolhem mulheres da periferia.

RT – Quais são os próximos trabalhos que você tem em mente?
HP – Vou dar sequência, criando uma série web documental baseada nas pautas feministas, com cerca de cinco ou mais episódios, cada um abordando uma questão dentro do movimento. Depois também quero fazer outros filmes com temas sobre a margem da pobreza em Curitiba, por exemplo, ou com pessoas aleatórias na XV para saber suas histórias, bem coisa de Eduardo Coutinho.


Quem quiser entrar em contato com a Helouise é só mandar um e-mail para jornalismohelouise@gmail.com.

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