Quando temos incerteza precisamos comer merda

Tudo na vida é questão de escolha e isso pode se tornar um fardo. Ter que escolher não é tão simples quanto pode parecer. Mas a cada minuto que passa, a cada fração de tempo que nos envelhece, precisamos escolher mais e mais. E é nessa situação de merda, em que a nossa vontade será feita, que nos encontramos no caos.

É tipo aquela velha história do gênio da lâmpada, que aparece e lhe dá três desejos, o único desejo que não pode ser pedido, é o de ter mais desejos. Se o gênio não alertasse a nós, pobres mortais, certamente escolheríamos justo a opção proibida. E eu te garanto que não é nem tanto por ambição e sim por medo de escolher errado e não poder escolher outro caminho quando chegar o tempo do após.

Diante dessa encruzilhada nos escondemos na incerteza e ficamos embaixo do muro, não em cima como pregam as vãs filosofias, mas embaixo, onde não se pode mais levantar se não comer um caminhão de merda. Porque esse muro da incerteza não fica instalado na terra e sim na mais profunda e densa merda que somos.

E quando estamos assim tudo o que desejamos é que venha o tal do destino, o mesmo desgraçado que nos colocou na situação de ter que escolher, e decida por nós. Mas quando isso não acontece precisamos arriscar, comer a nossa merda a bolonhesa e sair para um dos lados do muro. Nesse momento o maior medo que nos assola é de escolher justamente o lado que tem a grama menos verde.

No fundo, o que deveríamos focar é na realidade de que qualquer lugar é melhor do que estar embaixo do muro, mesmo que o local escolhido não seja o melhor lugar do mundo. Mas, nesse momento eu não consigo mais continuar a falar sobre isso, pois preciso começar a comer essas merdas que estão ao meu redor.

Sobre ansiedades

ansiedade
Oi ansiedade, você já voltou desgraçada?

Sabe esse lance de aproveitar o presente o máximo que pudermos? Ele é sério. Não tem como adivinhar como estará a sua vida nem no próximo verão, quanto mais num futuro distante. É complicado esse negócio de ter que esperar pra viver, ainda mais pra gente que nem eu, hiper banhado em ansiedade. Os ansiosos me entenderão, não é tão simples viver um dia de cada vez. Nós sabemos que assim é melhor, mas sério, não é tão fácil.

Mais de uma vez eu aconselhei ao longo de textos aqui no Regra, coisas do tipo “deixa rolar”, “vai com calma”, “cada coisa no seu tempo”, mas viver isso fora das letras, na vida mesmo, feita com todas as suas nuances entre o amor e a misantropia, é um pouco mais hard.

Leia: A geração coca-cola, hoje toma Rivotril

A incerteza brota da face da ansiedade que me vigia nesse momento. Ela está aqui agora – quase que esqueço de te contar – sentada na janela do meu apartamento, me olhando com uma cara de dissimulada. A maldita tem olhos vermelhos como sangue, cabelos suaves como o vento e a pele branca como a morte. Ela me olha no fundo da minha alma e não me diz nada. Isso me corrói. O silencio é muito pior do que o não.

A verdade é que se você retribuir o olhar de alma pra alma, e ver a ansiedade nua como é, perceberá que o problema não é que você tem medo do fracasso vindouro, o seu único problema é não saber se ele virá. É meio doentio isso, eu sei. Mas é uma verdade quase que palpável. Mais dolorido do que o sofrimento é a incerteza do sofrer ou não. E é nesse ponto que temos que tomar cuidado, pois se não conseguirmos controlar nossa ansiedade, na tentativa de jogá-la janela abaixo podemos nós mesmos cair em queda livre e arruinarmos um futuro próspero.

Ao respirarmos fundo diante dessa angústia cíclica, vemos a ansiedade se dissipar e a calmaria voltar aos poucos para o nosso lado. Nós – os ansiosos – sofremos demais a cada período de tempo, simplesmente por não saber quando iremos sofrer de novo. Oi ansiedade, você já voltou desgraçada?

Leia: Que nossa ansiedade seja perdoada