Goiás faz propaganda machista por não entender o verbo #EleNão

Olhares sensuais de mulheres super maquiadas. Close nos seios. Novos rostos femininos com caras e bocas. Mais closes nos seios. Por mais inacreditável que pareça, o assunto aqui é: lançamento do novo uniforme de um clube de futebol. No vídeo, em nenhum momento as modelos aparecem como jogadoras, ou sequer torcedoras do clube. A propaganda é clara: tenta vender o novo ‘manto’ através da sensualidade e sexualização dos corpos femininos. Pois é, o Goiás não aprendeu nada com 2018.

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Que tiro foi esse viado?

Jornalista é uma merda. Toda vez que nos reunimos lá surge logo aquele velho assunto [leia com a voz assustadora]: P O L Í T I C A! E olha o Lula vindo…. Olha o Bolsomito  indo [desculpa a referência antiga e sem vergonha]. E quando surge o nome do “político mais honesto do Brasil” [pausa dramática com olhar sério e debochado]  começam as teorias da conspiração.

Alguns acreditam que o conservadorismo vai tomar conta e que puta, preto e  viado vai tudo morrer. Já eu acredito  no contrário… O conservadorismo pode até tomar conta, mas uma vez que a população saiu do armário não há candidato conservador que segure.

Olhe a história recente, Jango no poder ameaçando atender aos clamores popular. Teve-se o golpe militar e vinte e um anos depois, lá estava a população podendo votar. Incluindo os pobres e analfabetos.

Ou seja, os conservadores podem até tomar o poder. Torturar, matar e  amedrontar uma parcela da população. Mas parar o avanço da  humanidade? O avanço dos direitos individuais? O avanço democrático daqueles que querem ter suas vozes representadas? Isso não, jamais.

A população homoafetiva do país está demonstrando cada dia mais que está com a artilharia montada para exigir de vez o seu lugar. As  mulheres estão assumindo não apenas os postos de trabalho, mas os lugares de destaque nas ruas. Os negros estão se fortalecendo e impondo respeito nos debates públicos.

E como forma desesperada de impedir esse avanço os conservadores levantam muros. Alguns em forma de  texto, outros de candidatos. Mas meu amigo é bom reforçar esses muros aí, pois o tiro que está vindo do lado de cá está um arraso.

Série Mulheres Árabes | #1 Niloofar Rahmani

rahmani

*Nota (01/03/17): Após uma conversa com Mariana Haddad, notei um descuido neste artigo. Embora seja um país muçulmano, o Afeganistão não é um país árabe. Portanto, o termo mais adequado para se referir à Niloofar Rahmani seria “mulher oriental”, e não “mulher árabe”.

Niloofar Rahmani, de 25 anos, cresceu em Kabul, capital do Afeganistão. Ela se alistou para um programa de treinamento da força aérea em 2010, mas manteve segredo de seus parentes que acreditam que uma mulher não pertence ao “mundo fora de casa”. Dois anos depois, ela se tornou a primeira mulher pilota de asa fixa na história do Afeganistão e primeira pilota mulher do país, desde a queda do regime talibã.

Rahmani e outras nove mulheres inspiradoras de todo o mundo foram premiadas, pelos Estados Unidos, com o International Women of Courage Award 2015.

Muitas meninas no Afeganistão têm sonhos, mas há uma série de problemas e ameaças no caminho.

Acredita-se que havia pilotas afegãs durante o período comunista pré-talibã, mas os detalhes são escassos. Quase 14 anos após o governo talibã ter sido derrubado em uma invasão liderada pelos Estados Unidos, as mulheres afegãs têm rumado com mais força e voz em busca de uma sociedade mais igualitária. Isso marca uma mudança radical na luta pelos direitos das mulheres, mas as atitudes conservadoras ainda prevalecem.

Em 2013, após fortes ameaças supostamente do Talibã, Rahmani teve que deixar o país por dois meses. Ela afirmou que coisas simples, como andar nas ruas e ir às compras não eram mais possíveis e que sentia como se toda sua liberdade tivesse ido embora.

Em entrevista à AFP, Rahmani relembrou um episódio em que ela desafiou as ordens de um superior, que a impediu de realizar o transporte aéreo de soldados feridos em uma província rebelde no sul do país. As mulheres são tradicionalmente proibidas de transportar mortos ou feridos no Afeganistão, pois “muitos acreditam que as mulheres têm um coração pequeno e que são muito emocionais”, disse Rahmani. Ao completar a tarefa, Rahmani disse ao seu comandante que a punisse se ele achasse que ela havia feito alguma coisa errada. Ele sorriu e a parabenizou.

Ela tinha apenas 18 anos quando ouviu a notícia que a Força Aérea Afegã queria recrutar pilotos e imediatamente se inscreveu. Enquanto impulsiona mudanças, Rahmani também tem que lidar e ser cautelosa para não desrespeitar as normas culturais em um país conhecido por seu sexismo.

Em um episódio, quando um colega homem da base aérea estendeu a mão para cumprimentá-la, ela recusou. Ele a questionou e ela sorriu educadamente, dizendo posteriormente em entrevista que não queria passar a mensagem errada. No Afeganistão, até mesmo um simples gesto, como um aperto de mão entre homens e mulheres, às vezes pode ser interpretado como um sinal de mau caráter.

Rahmani é uma das três mulheres afegãs que foram treinadas para se tornarem pilotas desde a invasão de 2001 e a única, desde então, a entrar na força aérea. Quando questionada sobre quanto tempo levaria para que a Força Aérea tivesse um número igual de homens e mulheres pilotos, ela respondeu:

Não tão cedo. Talvez 20 ou 30 anos. Mas eu tenho esperança.

Capitã Niloofar Rahmani perto do Rio Arkansas, após se graduar no programa de treinamento de voo na base da força aérea de Little Rock. (Foto: Andrea Morales, The New York Times)

Em dezembro de 2016, a Capitã Niloofar Rahmani voltou às capas dos jornais. Preocupada com a sua segurança e seus familiares após uma série de ameças de morte, ela pediu asilo nos Estados Unidos, onde vinha treinando pelos últimos 15 meses, em bases aéreas no Arkansas, Flórida e Texas.

As autoridades militares do Afeganistão pediram que os Estados Unidos rejeitassem seu pedido de asilo, alegando que sua “vida não está em risco de maneira alguma”. Rahmani disse que seus colegas afegãos na força aérea a trataram com desprezo e que ela se sentiu em risco.

O general Mohammad Radmanish, porta-voz do Ministério da Defesa, contestou suas alegações de estar em perigo:

“Tenho certeza de que ela mentiu dizendo que ela foi ameaçada, apenas para ganhar o caso de asilo. É sem fundamento ela alegar que sua vida estava em risco ao servir na Força Aérea Afegã.”

Rahmani afirma que a Força Aérea Afegã deixou de pagar seu salário pouco depois do início do programa de treinamento americano. Essa situação, aliada à eleição do presidente Donald Trump, que trouxe uma ordem executiva suspendendo a entrada de refugiados nos Estados Unidos, deixa as coisas ainda mais sombrias.

Que a trajetória de Rahmani fale mais alto do que as vozes tentando silenciá-la.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

Pressão por ser calvo

Youtuber PC Siqueira tem sofrido pressão por ser calvo
Youtuber PC Siqueira tem sofrido pressão por ser calvo

Existe uma pressão social muito grande em cima de todos nós desde que nascemos. Essa pressão vai desde o tipo de roupa que devemos usar, até a “definição” de qual biotipo devemos ter. Na era da selfie vale tudo pelo ângulo perfeito, por ser mais um rostinho bonitinho a se destacar na multidão por sua beleza. Diante de tudo isso as pessoas crescem sendo apertadas, espremidas por esses padrões sociais.

As mulheres certamente são as mais afetadas por toda essa pressão, mas algo pouco comentado e que certamente merece o seu espaço nesse debate é a pressão que os homens também sofrem diante desses paradigmas. É verdade que a maioria dos homens nem se dão conta de que estão lutando para se manter dentro de uma indústria da beleza, ou pelo menos fingem não ligar para isso. Essa questão se dá pelo machismo, homofobia, ignorância ou apenas correria do dia a dia que não os deixa tempo para refletir sobre a vida.

Leia: Como me tornei homem de verdade

O youtuber PC Siqueira refletiu sobre esse assunto em um vídeo do seu canal na semana passada. Ele está passando por um processo de calvície e tem encarado piadas sobre o fato. Para resolver essa questão que tanto o incomoda ele resolveu fazer um implante capilar, mas se de um lado as piadas sobre a calvície podem parar, outro tipo de perseguição virá: as piadas machistas e homofóbicas, que dizem que “homem que é homem” não faz implante, não cuida da aparência, não pode ligar para o seu corpo a esse ponto.

Se de um lado a sociedade te cobra para manter-se dentro do padrão de beleza pelas grandes marcas estipulado, de outro te cobra para não ligar pra isso e ser como você é. Ou seja, diante dessa sociedade medíocre em que vivemos, ou você nasce segundo os moldes que eles querem para vender seus produtos, ou você está condenado a ser chacota de cobaias mais idiotas que você.

 Leia: Gorda, chata, mãe e sozinha