Entrevista: Nilson Sampaio

tiraO Regra dos Terços entrevistou o cartunista Nilson Sampaio, que está lançando o seu livro de tirinhas das baratas “Cuca e Racha – Subindo pelas paredes”.
Ele nos conta um pouco de sua história e sobre o livro que está para ser lançado na Gibiteca de Curitiba.

Regra dos  TerçosVamos começar à falar sobre a sua carreira. Quando que você começou e o que exatamente te moveu à ser desenhista?

Nilson Sampaio – Sempre soube que seria desenhista um dia, desde criança sempre quis desenhar fazer gibi, contar piadas ou desenhar na mad… A vontade de um dia ser um desenhista que soubesse desenhar coisas legais… Tô tentando ainda…

R – Quais são as suas influências?

N – Ziraldo, Aragonés, Gonzales, LAN, Solda, Paixão, Jacobsen e mais um monte de gente fera.

R – Você chegou à participar de um tempo do Clube dos Caricaturistas (importante grupo artístico que fundamentou em muito a profissão de caricaturista na cidade de Curitiba). Como é que foi essa experiência?

N – Gratificante, na época era bem bacana você fazer o que você gosta e as pessoas te pagarem por isso! Somos da turma que montou as trincheiras (risos).

R – E essa história de você ser o CEO do Site Sacizento?

N – O Sacizento é um blog de humor e é lá que eu descarrego todas as piadas que eu não consigo sair falando como gostaria, o www.Sacizento.com.br começou bem de boa, e hoje ele já tem o seu lugar na sombra e me permite pagar as contas e fazer outras…

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R – Sobre as baratinhas, Cuca e Racha, são dez anos de tirinhas. O que mudou de lá do começo para cá?

N – Elas ficaram mais maduras, hoje existe uma preocupação maior com o público com o recado, e ao mesmo tempo, penso: o que o Vicente acharia dessa tira..? Não sei se isso é bom ou ruim, mas faz vc repensar nas mensagens que deixa no mundo.

R – Os temas geralmente circundam o relacionamento Marido e Mulher. Porque escolheu exatamente este assunto?

N – Esse tema é o que mais me agrada por ser tão rico, é tão misterioso que não importa o casal, todos tem algum drama que daria outro livro deste de tiras

R – Você é um cartunista que tem uma opinião bem definida à respeito da política. Como foi para você a experiência de fazer este livro, num momento onde a área de políticas para a Cultura tem sofrido ataques, muitas vezes injustificados, principalmente no que tange às leis de incentivo fiscal?

N – Sinceramente me acho meio sem noção ou meio sonhador. Nesse momento que tudo é 8 ou 80 você lançar um livro de humor e quadrinhos que não fala de política é no mínimo utópico! Ah e quanto minha posição política eu faço questão de deixar bem clara!

R – Ziraldo e Fernando Gonsales participam do livro. Como é ter um livro com a participação de dois “Monstros” da Ilustração brasileira?

N – É uma baita responsabilidade. É como você estar no meio da viagem e não poder mais voltar pra trás, é uma baita de uma honra saber que eles gostam e curtem meu trabalho.

R – O lançamento na Gibiteca tem um gostinho especial? Por que?

N – Porque é a última do ano e também porque a gibiteca pra mim é um lugar especial.

R- Por quanto que está saindo o livro?
N – O livro custa 40,00 R$.

R – Quer mandar um salve, uma mensagem, fazer um comercialzinho? O espaço é livre!

N – Espero vocês no meu lançamento!

Além de livrarias, o livro pode ser adquirido pelo site http://www.sacizento.com.br.

O lançamento acontece quinta feira (22/12/2016) à partir das 19:00, no Salão de lançamentos da Gibiteca de Curitiba. Endereço: Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533, Solar do Barão – Centro.
Horário: 19:00
Entrada Franca
Mais informações:


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Jyudah e o Encontro de Ilustradores

logo-maltao-1Há quase quatro anos acontece em Curitiba um evento que tem mudado a cena cultural da cidade, principalmente para os quadrinistas e desenhistas da capital. O Maltão – Encontro de Ilustradores, acontece à cada dois meses, e é organizado por Jyudah, desenhista, produtor e fomentador cultural. O evento, além de um grande encontro de artistas locais, se tornou referência por trazer grandes nomes para expor suas obras e debater um pouco sobre o mercado. Todo o bate-papo acontece de maneira muito natural, nas mesas espalhadas por todo o  Quintal do Monge, no centro histórico de Curitiba.

Tão importante quanto a exposição dos nomes e desenhos, certamente são as propostas de uma política cultural mais sólida no mercado. E se tem algo que o Jyudah dedica a sua vida, certamente é nisso. Militante assíduo do movimento cultural, ele encabeçou diversas políticas públicas com o impacto direto para esse setor. Um dos exemplos que podemos levantar aqui é a Gibiteca de Curitiba, que após muito esforço e militância, voltou para o seu local de origem dentro do Solar do Barão. Conversamos com Juydah sobre o movimento cultural de Curitiba e também sobre suas atividades, confira.

Regra dos Terços – Você atua há muito tempo no cenário cultural, dentro das diversas conquistas que podemos levantar aqui, acredito que uma muito expressiva seja o renome que o Maltão tem. Como esse projeto começou?
Jyudah – Obrigado pelo espaço. Bem, o Maltão é um encontro de ilustradores que nasceu em 2013. Nesse período, no Brasil, existia um movimento forte entre ilustradores pelo país e em cada cidade onde organizavam, davam o nome de alguma comida típica da cidade, com o acréscimo de “ilustrado” no nome.  O primeiro dos encontros do país, foi criado pelo Kako (kakofonia) e batizado de Bistecão Ilustrado, na cidade de São Paulo. Curitiba teve duas versões desses encontros, que foram o “Costelão Ilustrado” e o Pinhão Ilustrado”. Hoje, nenhum desses encontros acontecem mais, infelizmente.
No caso do Maltão, em 2013, por conta das conferências municipais de cultura, comecei junto de outras pessoas, um movimento no sentido de buscar políticas públicas para a área. Estava conversando com o Adilson Farias e ele me deu a ideia de ressuscitarmos os encontros que haviam antes.
Então,  começamos por juntar o pessoal numa cafeteria e fizemos. Foi legal, mas no encontro, ninguém bebia café e o dono do lugar não vendia cerveja. Aí a gente viu que tinha que fazer esses encontros num bar, que era o lugar certo.
Por isso, eu conversei com o Adilson, o qual considero o verdadeiro criador do Maltão e disse que se déssemos continuidade à esse encontro, deveríamos fazer algo bem diferente dos outros encontros, à iniciar, por tirar o nome “ilustrado” dele e também criar um propósito, que beneficie a classe e os artistas. Por isso, decidi que faríamos uma edição à cada 2 meses, que em cada uma delas, trouxéssemos um ilustrador para fazer o desenho de cartaz e uma exposição no espaço e por fim, dar uma direção sonora, com algumas músicas que relacionam-se com o seu desenho de trabalho.
O formato tem dado certo e estamos aí até hoje.

R – Qual é a principal proposta do Maltão?
J – Vamos lá! Como disse, já havia um movimento forte no país com os encontros, porém, eles foram minguando e as tentativas que fizeram na cidade, nenhuma havia vingado. Hoje, pelos meus dados, além do Urban Sketchers, no país todo, só existe a gente e o pessoal de Florianópolis que faz esses encontros.
Outra necessidade que tínhamos, é que a cidade tem muitos artistas do mais alto gabarito, mas que às vezes, pouca gente sabe disso. Por exemplo, o Tadao Miaqui. Você sabia que a série do Alladim da Disney foi feita aqui em Curitiba no estúdio dele no Capão da Imbuia? Ou que o Zé-Gotinha foi criado pelo Nilson Muller e o Smilingüido pela Márcia D’haese e eles também são daqui?
Essa deficiência em se fazer o profissional ser conhecido e também conhecer o pessoal mais novo é uma necessidade que a profissão tem e que é necessária, para a melhoria da profissão.
O Guia do Ilustrador é uma das grandes iniciativas feitas no país na área, o IlustraBrasil e aqui em Curitiba, já havia uma “militância” por assim dizer, forte que o Marcelo Marques Lopes fazia nas aulas e palestras que ele dava, pela valorização da profissão e do artista.
Então, para trazer à tona uma maneira de ajudar à melhorar esse cenário, resolvemos fazer esse formato com exposição e aos poucos estamos melhorando, pois agora temos um DJ, que é o Tiago Rangel, que é parte indispensável do encontro como um todo e também lá, tem os apoiadores que sempre nos ajudam à sortearmos seus trabalhos, podemos utilizar o espaço para trocar figurinhas, fazer planos de atividades, em outras áreas, como até a de mobilização de classe.
Já perguntaram se esse era o propósito do Maltão, mobilizar a classe e etc e eu costumo dizer que também pode ser, mas que o espírito contido no encontro é o da diversão e valorização do Ilustrador. Posso colocar várias outras coisas lá dentro e que cabem como atração. Talvez erre em alguma coisa aqui, acerte outras lá, mas esses dois propósitos nunca deixarão de ser o norteador do encontro, pois afinal, é a sua essência.

R – Você é quem faz a curadoria do evento. Quais os critérios que você usa para escolher o Ilustrador da edição?
J – Por mais simples que pareça, para organizar uma edição do Maltão, eu levo dois meses preparando. Por isso, cada ilustrador está já selecionado com 1 ano de antecedência e creia, passa muito rápido! A do Rogério Coelho, levou um ano e meio para conseguir fazer o encontro e o resultado foi ótimo.
Os critérios que eu uso para escolher o Ilustrador, são basicamente estes:

1 – Tem que profissional reconhecido na área.
2 – Tem que ter um trabalho bonito ou contextualizada com a proposta que a gente queira atingir, seja uma mulher no mês de Maio, seja para levantar uma área da ilustração em específico como a Ilustração Fashion, por exemplo e etc…
3 – Tem que ser uma pessoa gente boa e disponível à outras pessoas. Isso é imprescindível, porque no encontro, você tem veteranos, que já se conhecem faz tempo, mas também existem estudantes, que são entusiasmados em conhecer melhor aquela pessoa à qual ele já viu o trabalho.
Então, como a gente está se reunindo no bar, conversando, desenhando e tal, que passa muita gente, fica estranho você acolher uma pessoa que age com certo “nojinho” e esquisitice com o pessoal.

R – Para finalizar, essa edição de Dezembro o convidado para a exposição foi o Paixão. Porque você escolheu logo ele para encerrar o ano?
J – A razão de ter escolhido o Paixão, é porque ele é muito sangue bom! E ele continuará tendo sempre espaço lá dentro, porque além dos 3 critérios que mencionei, ele é muito engraçado!
Mas falando sério, 2016 foi um ano conturbado em muitos sentidos para nós brasileiros e o trabalho dele como chargista e seu olhar como um cronista, faz uma excelente vitrine desse mundo de hoje, que mais parece o Wild, wild Life do Talking Heads.

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É com muito orgulho que o Regra dos Terços anuncia a sua parceria com o Maltão – Encontro de Ilustradores. A partir de hoje, você poderá conferir aqui no site entrevistas exclusivas com os artistas da área de ilustração da cidade, bastidores desses encontros, resenhas, críticas e reflexões sobre o mercado atual. Tudo isso será encabeçado por Jyudah, que chega para somar com a equipe do Regra dos Terços. Não esqueça de curtir a página do Maltão no Facebook.


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