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Você tem medo de que?

Faz tempo que não abro essa porta que está diante de mim. Faz tanto tempo que nem sei mais como as coisas estão organizadas, se alguém já mexeu ou se continua a mesma coisa. Será que alguém leu os inúmeros rascunhos que deixei jogados sobre a escrivaninha? Será que tudo aquilo continua sendo para mim as melhores palavras que uma pessoa poderia colocar num papel? Provavelmente não, eu nunca fui tão boa assim. E, justamente por não ser tão boa assim, acabei deixando de lado muito do que acreditava. Na verdade, fui deixando para trás aquele computador sobre a mesma escrivaninha e as músicas que me inspiravam por puro medo. Sim, o medo que jurei não ter. Pois bem, olha ele aqui. Olá.

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Nem tudo precisa ser tão horrível assim

É horrível, né? É horrível não se sentir parte de algo. Eu, pelo menos, não me sinto. É como se tudo fosse desconhecido pela minha mente e corpo. Quando me dou conta, já estou vagando sem rumo, sem o sorriso que sempre fiz questão de estampar em meu rosto. Não há mais porquê. Não me vejo mais fazendo coisas que antes fazia tão naturalmente. E é horrível. É horrível porque mesmo com tão pouco tempo, as coisas tornaram-se obsoletas e dispensáveis de uma hora para outra. Não era pra ser assim, você havia me prometido que tudo iria mudar. Mas não mudou – e talvez nunca vá mudar.

Eu entendo que certas coisas não são para serem mesmo. A gente inventa realidades inexistentes na mente só pelo prazer de ali presenciar um final feliz. Finais felizes são raros e, quando acontecem, acontecem porque um grande esforço esteve envolvido. E você nunca se esforçou o suficiente. Mal sabia qual era meu maior medo ou o pior dos meus segredos. Tudo era motivo pra brincadeira, pra deboche. E é horrível esse tipo de coisa, porque você não se sente confortável em expor o seu lado, em se despir e se expor da maneira mais verdadeira que existe. Eu sempre fui verdadeira, talvez seja essa parte que fez você me acusar de ser alguém horrível também.

Preste atenção: eu sou quem eu deveria ser. Independentemente se isso soa horrível ou não, eu sei muito bem quem eu sou e quem eu poderia ter sido. Entende o tamanho da diferença disso? Eu poderia ser bem pior, é sério. Eu só não segui um caminho mais escuro, porque pouco antes disso acontecer, eu encontrei uma luz, de certa forma. Não vem ao caso agora como ela era ou de que forma surgiu. Eu só quero que você entenda de uma vez por todas que eu sou assim porque é exatamente assim que eu quero ser. Eu choro vendo trailer de filme, eu fico com um sorriso de canto estupidamente bobo quando vejo um detalhe que se sobressai a todo o resto. E a parte horrível disso é que você não instiga nada disso em mim. Eu achei que seria diferente esse lance que há entre a gente, mas não… Tudo tornou-se ridiculamente igual a tudo o que já vinha vivendo. E eu não quero isso, entende?

Eu não quero ter que me privar de rir do que acho engraçado ou deixar de derramar algumas lágrimas só pelo simples fato disso me fazer fraca. Ninguém é fraco apenas por demonstrar ser um ser humano, muito pelo contrário. Ser humano é um do atos mais corajosos que podem ser mostrados ao mundo nos dias atuais. As pessoas têm medo de se expor, elas têm medo da vida real. Guess what?, eu também tenho! Eu sei, eu já falei isso aqui. Mas percebe que horrível seria quem não tivesse? A vida tá aí, batendo em nossa porta, implorando para ser vivida. Eu to tentando, juro que to. Às vezes algumas coisas saem de controle, mas isso é normal. Algumas outras dão errado – e é exatamente nessas horas que me dá vontade de te acordar pra realidade e dizer algo do tipo ei, vamos juntar dois errados pra montar um certo? Tudo bem ter medo, eu também tenho, junta os dois medos também. Vai que no final dá tudo certo, né?

Quer dizer, nem tudo precisa ser tão horrível assim.
precisa?

Sobre ansiedades

ansiedade
Oi ansiedade, você já voltou desgraçada?

Sabe esse lance de aproveitar o presente o máximo que pudermos? Ele é sério. Não tem como adivinhar como estará a sua vida nem no próximo verão, quanto mais num futuro distante. É complicado esse negócio de ter que esperar pra viver, ainda mais pra gente que nem eu, hiper banhado em ansiedade. Os ansiosos me entenderão, não é tão simples viver um dia de cada vez. Nós sabemos que assim é melhor, mas sério, não é tão fácil.

Mais de uma vez eu aconselhei ao longo de textos aqui no Regra, coisas do tipo “deixa rolar”, “vai com calma”, “cada coisa no seu tempo”, mas viver isso fora das letras, na vida mesmo, feita com todas as suas nuances entre o amor e a misantropia, é um pouco mais hard.

Leia: A geração coca-cola, hoje toma Rivotril

A incerteza brota da face da ansiedade que me vigia nesse momento. Ela está aqui agora – quase que esqueço de te contar – sentada na janela do meu apartamento, me olhando com uma cara de dissimulada. A maldita tem olhos vermelhos como sangue, cabelos suaves como o vento e a pele branca como a morte. Ela me olha no fundo da minha alma e não me diz nada. Isso me corrói. O silencio é muito pior do que o não.

A verdade é que se você retribuir o olhar de alma pra alma, e ver a ansiedade nua como é, perceberá que o problema não é que você tem medo do fracasso vindouro, o seu único problema é não saber se ele virá. É meio doentio isso, eu sei. Mas é uma verdade quase que palpável. Mais dolorido do que o sofrimento é a incerteza do sofrer ou não. E é nesse ponto que temos que tomar cuidado, pois se não conseguirmos controlar nossa ansiedade, na tentativa de jogá-la janela abaixo podemos nós mesmos cair em queda livre e arruinarmos um futuro próspero.

Ao respirarmos fundo diante dessa angústia cíclica, vemos a ansiedade se dissipar e a calmaria voltar aos poucos para o nosso lado. Nós – os ansiosos – sofremos demais a cada período de tempo, simplesmente por não saber quando iremos sofrer de novo. Oi ansiedade, você já voltou desgraçada?

Leia: Que nossa ansiedade seja perdoada

A dura realidade onde sempre precisamos ser fortes

Eu nunca tive medo do escuro. Nem da noite, nem da luz apagada. Não, eu nunca tive. Tive medo de altura, da morte, do mal, mas do escuro não. Nunca entendi o fato da ausência de claridade perturbar tanto alguém, talvez seja por não conseguir ver o que está ali logo adiante. Eu não entendia o porquê de ter que deixar a luz acesa ao dormir, eu não entendia o real motivo daquele medo todo. Insegurança, não sei. Na verdade, nunca soube.
 
Eu nunca tive medo de andar na rua a noite. Tive medo das pessoas que estavam na mesma rua que eu, mas isso era independente do horário. Eu nunca tive medo de bichos como barata ou aranha, mas tive da lagartixa que pode muito bem andar com seu corpo gélido sobre o meu. Eu nunca entendi direito a situação em que você deixa de lado o que mais te atormenta para simplesmente seguir em frente.
 
Nunca tive escolhas permanentes, sempre mudei muito de opinião. O que é bom pra mim hoje, pode não ser amanhã. E tá tudo bem, né? A vida é feita de mudanças. Mudanças constantes. Mudanças bruscas. Mudanças traumáticas.
 
Eu nunca entendi qual era a do trauma, até finalmente possuir um. O trauma do amor, o trauma de ser dependente de alguém. O trauma de não ser suficiente ou até mesmo o trauma de não existir mais. A gente. Nada é eterno, mas a vontade de fazer com que tudo seja é sim. Queremos ser lembrados, queremos ser reconhecidos. E disso eu sempre tive medo, de não conseguir fazer valer a pena, de não ser lembrada da maneira como gostaria.
 
Eu nunca tive medo de um dia não conseguir realizar os meus sonhos, pois no fundo sabia que iria realizá-los sim. Um a um. Um beijo, uma amizade, um show. Eu nunca tive medo de sair por aí e tentar a sorte nesse mundo tão louco que criaram. Eu até já saí, quebrei a cara, gastei dinheiro. Eu nunca tive vontade de fazer o que os outros gostariam. Casar, ter filhos, morrer junto.
 
Eu nunca tive uma relação de mãe-pai, sempre foi ela aqui e ele lá. Eu nunca entendi por que o amor acaba. Eu nunca soube o que dizer quando alguém vinha dizer que não estava bem. Eu também não estou. Aliás, alguém está?
 
Eu nunca pensei em passar por situações assim. Nunca sequer imaginei que existissem pessoas tão ruins a ponto de tirarem a minha privacidade. O meu sossego. A segurança. Eu nunca tive medo de enfrentar desafios difíceis. Mas desse eu tive. Eu to quase desistindo. Até porque eu nunca tive medo, também, de desistir.
 
Só não desisto agora porque é aquela história: alguém tem que trabalhar para que os outros tenham o que roubar.

O protagonista

Cansei. Da vida ofuscada pelo interesse. Do amor sob medida. Da atenção baseada na lei de troca. Da dor do acaso e descaso dentro do berço familiar. Eu não sei voar. Tenho medo de altura. Trago comigo apenas um corpo já flagelado pelo tempo. Dentro de mim uma luz que clama por piedade. Porque gosto apenas do abraço apertado dos braços de minha extensão. Da liberdade com a foça do vento no rosto. Da história contada por linhas tortas. E do laço eterno e dourado em meus dedos que, ainda, não me conheceu. O que posso dar é o que tenho dentro de mim. Sigo. Até o último despertar. Porque quem não é o protagonista da sua história, nunca terá história para contar.

Por Francisco


Francisco é o codinome de um leitor/escritor.

Quer ter sua crônica publicada aqui no Regra? É simples, basta mandar um e-mail para regradostercos@gmail.com. Sigamos juntos colando nas linhas aquilo que afoga o peito.

A geração coca-cola, hoje toma Rivotril

Começou cedo, eu estava longe de casa, abri os olhos e me senti sufocada sem nem mesmo estar totalmente acordada. Coloquei a culpa na cama do alojamento onde eu estava à trabalho, já que nada dali tinha o meu cheiro ou o cheiro de algo que eu conhecesse. Odiei a ideia de aceitar dormir naquele lugar frio, sozinho e silencioso. Quando sinto que as minhas ansiedades estão aflorando, me concentro nos pontos de paz e naquele dia enviei uma mensagem para alguém que me estrutura em meio aos meus medos que surgem famintos. Mas a vida não escolhe te dar folga se você tem uma crise de ansiedade num dia de trabalho extra, tudo o que ela te oferece é um comprimidinho alaranjado que tem gosto de sossego, que na verdade me deprime, mas me segura até poder ficar sozinha e ligar para alguém que me faça respirar em paz e lembrar quem eu sou de verdade. E essa é uma parte de um dia “meio ruim” de alguém que sofre com ansiedade.

Meu diagnóstico chegou aos 18 anos, recém órfã de pai, recém iniciando a faculdade, recém dando orgulho para a família, ganhando grandes prêmios já de começo de carreira, comprando um carro, quase me casando, conseguindo quase tudo o que eu queria. E infeliz. Ansiosa demais pra desfrutar tudo isso. Me tratei durante anos com terapia, felizmente sem necessitar de medicações fortes, e melhorei consideravelmente até conseguir meu novo emprego que me obrigou mudar de cidade. Estava em São Paulo, morando sozinha, pagando minhas contas, encaminhando meu livro e planejando novas aquisições, quando numa noite acordei sozinha sem conseguir respirar. Água, respira, comprimido, respira, está tudo bem, respira, você não vai enlouquecer agora, respira. Respira. Choro. Respira. A madrugada foi me engolindo e quando melhorei razoavelmente já estava na hora de sair para trabalhar, minhas olheiras custaram um bom tempo de maquiagem. Veio como um tiro no meio da história que tinha tudo para dar certo, procurei ajuda profissional e hoje- meses depois- vivo novamente me segurando dentro dos escudos emocionais para conseguir dar conta desse coração acelerado.

A questão de tudo isso é que eu não sou a única perdida nessas crises noturnas, nesses cuidados emocionais para não sair correndo da fila do metrô ou sentar na sessão de congelados e chorar até secar no meio de um mercado lotado. A maioria dos meus amigos tomam algum tipo de calmante, floral ou usam algum tipo de química que lhes sirva de fuga anti-stress e tratam ansiedades. Alguns encontraram nos esportes, na fé, na religião, na comida, no álcool, no cigarro e afins, a superação de seus traumas que envolvem pais ausentes, sucessos meteóricos e assustadores, a superação dessas relações que são uma mistura de não-relações ou jogos de amor profundos que nos destroem e que virou moda nos últimos 20 anos. A nossa geração teve que decidir em meses entre medicina ou artes cênicas ou viver de renda paternal e tem como meta do final de mês ser feliz e provar isso nas redes sociais. A gente é obrigado a conseguir tudo antes dos 25, porque somos a geração da comunicação, somos os “google’s’ humanos e respirar, parar e pensar, é coisa de gente desocupada. Saímos de nossas casas amadas e quentinhas porque o salário já não paga mais as roupas de marca e o carrinho econômico já não combina mais com a garagem do papai. Conhecemos 6 mil pessoas online, mas não temos quem colocar na ficha do médico um nome realmente confiável no item “Em caso de emergência, ligar para:” Não casamos aos 19 porque é coisa do passado e não casamos depois dos 30 porque agora já não dá mais. Filhos, só um, tá vivendo no século XIX pra ter quatro? Paris, você precisa conhecer o Louvre ou não será digno de respeito, vai contar o quê para os filhos? Mochilar sem dinheiro por prazer? Coisa de drogado, alternativo e hippie.

Então saímos por aí dentro de nossas camisas sociais, alinhados com nossos sapatos lustrados que machucam o calcanhar, afogando dentro de um vestido colado para garantir a sensualidade, mas equilibrando para não ser vulgar e tentando ao máximo corresponder expectativas alheias que nunca se definem e são sempre extremas. Ordens que nos atropelam. Boletos que nos afogam. Padrões que nos desumanizam. Se não correspondermos esse ideal de vida que nos cobram como se fosse obrigatório evoluir na mesma velocidade que a Apple lança um celular, somos atrasados, coitados, lerdos e com poucos números na conta bancária. Falidos. Lembrei quando uma garrafa de vinho barato, comprada no posto de gasolina, me fazia feliz apenas por estar em família. Hoje em dia trabalho pesado para bancar meu Cabernet, uma única taça, olhando a sacada de um apartamento na metrópole cheia de ansiosos solitários como eu. Lembrei quando o cachorro quente na calçada ao lado das minhas melhores amigas enquanto o mundo ainda era um ideal abstrato, era o banquete dos sonhos e eu não trocaria por nada e por ninguém. Hoje em dia os restaurantes têm decorações com nomes importantes, mas eu não conheço de verdade ninguém que divide a mesa comigo. Nessa busca de sofisticar as felicidades simples, a geração coca-cola agora só consegue descansar quando tem uma caixa de Rivotril.

Hoje morrerei naquela cadeira

Estou condenado à morte. Morrerei hoje naquela cadeira. Esse será o meu fim. Até aqui não tinha percebido a dimensão real do problema que tinha me metido. Eu tinha certeza de que no final tudo daria certo. Nunca me imaginei passando por esse momento, ter ciência de que esse é o seu fim é uma das piores sensações que existe em todo o mundo. Eu só tinha lido nos livros, visto nos filmes e ouvido as fofocas populares sobre como as pessoas se sentem nesse momento, mas nada disso foi tão real, tão fiel ao ponto de me adiantar um pouquinho que fosse de como me sentiria quando me encontrasse nessa situação. Tenho a oportunidade de dar o último adeus para minha família, eu choro, minha mulher tenta me acalmar me falando que voltaremos a nos encontrar em breve, mas eu não sei se acredito nessas baboseiras religiosas. Dou meu último adeus, sinto seus lábios pela última vez. Nossa, como ela é linda, e eu a deixarei aqui, sozinha, sem filhos e com um cachorro vira-lata que só sabe destruir nossos móveis. Respiro fundo, preciso manter a compostura pelo menos na frente dela. Enxugo as lágrimas, repito que a amo com todo o meu ser. Me viro, estou cercado por pessoas e ando. A cada passo que dou nesse corredor comprido, sombrio e gelado meu peito se afoga em amargura e aperto. Não há mais esperança, hoje eu morrerei naquela cadeira. Eu tinha que ter pensado nisso antes de ter feito as escolhas que fiz, mas jamais imaginava que uma simples escolha poderia ter consequências tão drásticas. Já vejo a porta por onde entrarei, minhas pernas tremem. Tenho vontade de parar, chorar, gritar, implorar perdão a Deus por ter chamado as crenças religiosas de baboseiras, mas tem muitas pessoas atrás de mim, preciso continuar. Mantenho a postura, não me permito o choro, nem a pausa na caminhada. Partirei como homem sério, que assume as consequências das suas escolhas. E eu entro no ambiente e já vejo a cadeira na qual morrerei. Sento-me. Eu mesmo aperto o sinto e respiro. Como eu nunca percebi antes o quanto é bom respirar? O ar entrando por nossas narinas, ele caminha nosso corpo adentro, enche os nossos pulmões, vitaliza nossas energias, eu deveria ter valorizado essa sensação mais vezes. Mas agora é tarde, em instantes eu morrerei nessa cadeira. Uma voz fala no auto-falante, tudo vai acontecer em instantes. Cadê o padre? Todos que estão condenados à morte tem direito de se confessarem a um padre antes de morrer. Como nunca considerei a hipótese de me confessar antes desse momento? Eu deveria ter sido mais religioso, meu lugar certamente será no inferno. Eu não quero sentir dor, já basta a vida pesada que tive até aqui, já basta o fim que por si só já é trágico, já basta estar amarrado numa cadeira, já basta eu mesmo ter escolhido as opções que me levaram até aqui, por favor, tudo menos dor. O padre não vem, mas o remédio que tomei há uma hora  começa a fazer efeito. Minhas pupilas começam a ficar cada vez mais pesadas. A cadeira treme devagar. Essa será minha última visão, em segundos eu sei que morrerei nessa cadeira. A escuridão, o silêncio, a paz. 
Sou acordado pela aeromoça, acabei de chegar no meu destino, eu estava enganado, não morri nessa cadeira. Agradeço a moça, muito linda por sinal, observo sua cintura e fico na dúvida se é fina ou afinada pela roupa, percebo seus seios volumosos e me lembro do rosto da minha mulher, não posso traí-la nem em pensamento. Temo que Deus tenha percebido o que se passou em minha mente. Fico em pé, sinto meus músculos esticando. Agradeço ao Divino por não ter me levado nessa lata que voa – nunca entendi como podem os aviões voar. Hoje mesmo vou na missa, ou amanhã, mas certamente irei antes de voltar a entrar nesse objeto perigoso e mortífero. Sempre tive pânico de avião.