Filosofar é aprender a morrer para saber viver

A reflexão sobre a morte não é tarefa das mais simples, muitas vezes evitada por causa dos pensamentos e sentimentos que suscita. Saber que vai morrer escancara para o ser humano a consciência de sua finitude. Para alguns, isso é motivo de reflexão, para outros, de temor e desespero.

A dificuldade de abordar o tema – no cotidiano, na Ciência, Filosofia e até mesmo na Teologia – se dá porque a morte pode ser pensada e observada, mas não experimentada por meio de repetição. E a experiência, desde Aristóteles, é considerada fundamental para produção de conhecimento.

Contudo, o ato de refletir sobre a morte pode ser visto como uma das maneiras mais singulares de praticar a Filosofia, definida por Sócrates como “preparação para a morte”. Já o pensador alemão Arthur Schopenhauer considera a morte como “musa da Filosofia”. Ou seja, filosofar é aprender a morrer.

Alguns filósofos, como o grego Epicuro, ensinam a não temer a morte. A lógica é simples: quando a morte se faz presente, o ser humano já não é, assim não há motivo para temê-la. Ele vê a morte como um processo natural que não pode ser evitado – um conjunto de átomos em movimento que se separam para posteriormente formarem novos seres.

Outros filósofos provocam reflexão. Martin Heidegger entende que o ser humano é um “ser para a morte”. Michel de Montaigne considera que “meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade”.

A morte não faz parte da vida, posto que decreta o seu fim. Mesmo assim, provoca reflexões e comportamentos que interferem na nossa maneira de viver. Viver com medo da morte ou viver sem temê-la, ainda que consciente de sua inevitabilidade?

No Cristianismo, a morte é vista como o último inimigo a ser destruído (1 Cor 15:26). O cerne da religião cristã é o Ministério Pascal de Cristo, cujo ápice é a ressurreição. Tomás de Aquino explica a morte humana como consequência do mal moral, ou seja, do pecado original. Corrompido o corpo, a alma humana não se corrompe, pois, como substância intelectual, é incorruptível.

Atualmente, vivemos em um mundo com grande presença do efêmero e valorização excessiva da aparência – o que pode ser interpretado como manifestação de um vazio existencial. A reflexão sobre a morte, portanto, pode colaborar com uma consciência diferenciada da vida e do significado de estarmos no mundo.


Autor: Prof. Dr. Luís Fernando Lopes, filósofo, teólogo e coordenador do curso de licenciatura em Filosofia do Centro Universitário Internacional Uninter.

Jovem simula a própria morte com ketchup e é preso

Brincadeira de mal gosto leva jovem de 22 anos para a cadeia. Policiais militares de Campo Mourão receberam uma denúncia dizendo com um jovem havia sido assassinado. A ligação aconteceu no mesmo momento em que uma foto de um corpo estirado no chão, com um líquido vermelho ao redor foi publicada nas redes sociais.

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Sumiu o corpo do Garrincha

O corpo de um dos maiores craques do futebol brasileiro desapareceu do cemitério em Magé, RJ. Segundo funcionária do local, o corpo foi exumado recentemente e colocado em uma gaveta, mas o grande problema é que não existe em nenhum arquivo essa exumação e muito menos a informação de qual seria a gaveta onde teria sido colocado o corpo. O prefeito da cidade alegou que o cemitério está passando por uma reforma, seria esse o motivo para a bagunça nas lápides. Veja as imagens do cemitério e o caso afundo no vídeo abaixo.

A falta de amor mata

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Quem não tem amor, morre.

O sofrimento existe pra todas as pessoas. Entristecer faz parte da condição humana. Todos os povos sofrem, cada um com o seu caos. Os africanos sofrem, os europeus também, cada um por condições diferentes. Pra alguns o sofrimento é imposto, por outros ele é buscado (inconscientemente).

A seca mata, a fome mata, a doença mata, a bala mata, a desesperança mata, o desamor mata, e a riqueza também, mas essa, se não tiver amor pode matar a alma. O amor é condição básica para a vida humana.

Leia: Quando nos fingimos de cegos, estamos perdendo amor.

Tudo se vai, todos morrerão, mas o amor, esse fica. Quem não tem o que comer ou beber, morre, mas viver sem amor, também é morrer, ainda que vivo. Não resta ressalvas, se já não está vivo tanto faz o caos.

Amar sem ser amado só é condição de vida para São Francisco, de resto é tormenta. Somos resposta ao que temos, se não temos amor, não temos mais nada, morremos.

Leia: Amores sozinhos morrem de sede.

Deuzulivre da morte essa sociedade que só faz correr

O garoto passou correndo por mim como um raio, algo o angustiava, algum compromisso com ar de urgência deveria estar atormentando aquela mente. Quem nunca correu na rua que atire a primeira pedra. Eu já corri, e muitas vezes. Corri pra pegar o ônibus – a vida é cheia dos seus compromissos e perder tempo esperando o próximo busão que só vem de cinco em cinco minutos não dá. Eu já corri pra chegar primeiro – deuzulivre ser a mulher do padre. Já corri pra não bater o ponto atrasado no trabalho – deuzulivre² levar bronca do chefe. Já corri porque apertei a campainha. Já corri muito pra pegar a bola antes do carro. Ontem mesmo eu corri, pois iria chover. E aquele garoto correu hoje, só que o carro na rua também corria. Quando os corredores se encontraram eu virei o meu pescoço mais rápido que a velocidade da luz (pelo menos foi assim que eu senti) e deu tempo de ver aquele corpo virando uma, duas vezes no ar e se debruçando no asfalto com tanta força que bateu, voou um pouco e voltou. O menino atordoado tentou levantar, e desse vez quem foi rápido como um raio fui eu, e o obriguei a ficar deitado no chão. Pois é, eu corri pra acudir o corredor que foi atingido pelo outro que corria, que perigo!

Logo uma multidão também correu para se aglomerar em torno do perdedor da vez. Seu burro, onde já se viu correr assim na rua? Disse a mulher que correu tanto pra chegar até o local que foi a que tirou o primeiro lugar. Quem manda correr assim? Deve ser maluco. Disse o outro moço que correu atravessando a rua louco pra pôr o dedo em riste em direção ao perdedor da vez. Quem atropelou esse rapaz, quem? Disse o homem que deve ter saído do bueiro correndo, furioso por um carro correr em plena via de carros que só correm. Pelo menos assim aprende a não correr mais, disse outra moça que ainda estava ofegante ao chegar ao local do acidente. O perdedor estava ali, no chão, sendo julgado por todos, talvez até mesmo pelos deuses. O outro perdedor estava em pé, com o olhar tão perdido quanto o garoto no chão, mas pelo menos tinha condições de falar ao telefone com sua esposa, e contar que na corrida de hoje quem perdeu foi ele.

Correndo também veio a ambulância, que retirou o corpo magrelo do garoto do chão e levou quase que voando a algum hospital ali perto. O motorista estava ainda em desespero, precisando que alguém o dissesse que iria ficar tudo bem, que ele não teve culpa. Mas a multidão precisou sair correndo daquele lugar de miséria, enquanto ainda julgavam a atitude maluca daquele garoto que se aventurou em correr no meio da rua. Enquanto isso eu fiquei ali, parado, incrédulo da hipocrisia de tantos corredores. Fiquei ali tentando adivinhar o que tinha feito o garoto correr em direção à lataria daquele carro corredor. Pensei que poderia ter sido eu, correndo atrás da bola, fugindo da campainha ou da bronca do meu chefe. O ser humano é cruel, não perde tempo, logo vai correndo pisar no miserável da vez. Hoje aquele motorista perdeu, o garoto perdeu, a humanidade perdeu mais uma oportunidade de correr para fazer o bem sem olhar a quem. Pensei em ir consolar o motorista, mas tive que correr pra escrever essa crônica. Deuzulivre.

Hoje morrerei naquela cadeira

Estou condenado à morte. Morrerei hoje naquela cadeira. Esse será o meu fim. Até aqui não tinha percebido a dimensão real do problema que tinha me metido. Eu tinha certeza de que no final tudo daria certo. Nunca me imaginei passando por esse momento, ter ciência de que esse é o seu fim é uma das piores sensações que existe em todo o mundo. Eu só tinha lido nos livros, visto nos filmes e ouvido as fofocas populares sobre como as pessoas se sentem nesse momento, mas nada disso foi tão real, tão fiel ao ponto de me adiantar um pouquinho que fosse de como me sentiria quando me encontrasse nessa situação. Tenho a oportunidade de dar o último adeus para minha família, eu choro, minha mulher tenta me acalmar me falando que voltaremos a nos encontrar em breve, mas eu não sei se acredito nessas baboseiras religiosas. Dou meu último adeus, sinto seus lábios pela última vez. Nossa, como ela é linda, e eu a deixarei aqui, sozinha, sem filhos e com um cachorro vira-lata que só sabe destruir nossos móveis. Respiro fundo, preciso manter a compostura pelo menos na frente dela. Enxugo as lágrimas, repito que a amo com todo o meu ser. Me viro, estou cercado por pessoas e ando. A cada passo que dou nesse corredor comprido, sombrio e gelado meu peito se afoga em amargura e aperto. Não há mais esperança, hoje eu morrerei naquela cadeira. Eu tinha que ter pensado nisso antes de ter feito as escolhas que fiz, mas jamais imaginava que uma simples escolha poderia ter consequências tão drásticas. Já vejo a porta por onde entrarei, minhas pernas tremem. Tenho vontade de parar, chorar, gritar, implorar perdão a Deus por ter chamado as crenças religiosas de baboseiras, mas tem muitas pessoas atrás de mim, preciso continuar. Mantenho a postura, não me permito o choro, nem a pausa na caminhada. Partirei como homem sério, que assume as consequências das suas escolhas. E eu entro no ambiente e já vejo a cadeira na qual morrerei. Sento-me. Eu mesmo aperto o sinto e respiro. Como eu nunca percebi antes o quanto é bom respirar? O ar entrando por nossas narinas, ele caminha nosso corpo adentro, enche os nossos pulmões, vitaliza nossas energias, eu deveria ter valorizado essa sensação mais vezes. Mas agora é tarde, em instantes eu morrerei nessa cadeira. Uma voz fala no auto-falante, tudo vai acontecer em instantes. Cadê o padre? Todos que estão condenados à morte tem direito de se confessarem a um padre antes de morrer. Como nunca considerei a hipótese de me confessar antes desse momento? Eu deveria ter sido mais religioso, meu lugar certamente será no inferno. Eu não quero sentir dor, já basta a vida pesada que tive até aqui, já basta o fim que por si só já é trágico, já basta estar amarrado numa cadeira, já basta eu mesmo ter escolhido as opções que me levaram até aqui, por favor, tudo menos dor. O padre não vem, mas o remédio que tomei há uma hora  começa a fazer efeito. Minhas pupilas começam a ficar cada vez mais pesadas. A cadeira treme devagar. Essa será minha última visão, em segundos eu sei que morrerei nessa cadeira. A escuridão, o silêncio, a paz. 
Sou acordado pela aeromoça, acabei de chegar no meu destino, eu estava enganado, não morri nessa cadeira. Agradeço a moça, muito linda por sinal, observo sua cintura e fico na dúvida se é fina ou afinada pela roupa, percebo seus seios volumosos e me lembro do rosto da minha mulher, não posso traí-la nem em pensamento. Temo que Deus tenha percebido o que se passou em minha mente. Fico em pé, sinto meus músculos esticando. Agradeço ao Divino por não ter me levado nessa lata que voa – nunca entendi como podem os aviões voar. Hoje mesmo vou na missa, ou amanhã, mas certamente irei antes de voltar a entrar nesse objeto perigoso e mortífero. Sempre tive pânico de avião.

Eu não nasci pra viver essa vida

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(foto | Erick Reis)

Eu não nasci pra viver essa vida. Muitos falam pra mim (inclusive eu mesmo) que a vida é dura, que nem sempre podemos fazer tudo o que queremos. Mas vozes falam pra mim (vindas de mim mesmo) que a vida não precisa ser vivida assim, ela pode e deve ser vivida fora do sistema.

Temos apenas duas opções, ou nos encaixamos nos moldes padrões e vivemos segundo os demônios do mundo, ou vamos na contramão disso e enfrentamos os nossos próprios demônios. Qual é mais cruel? Qual tortura mais? Qual caminho é mais penoso? Pra muitos é o próprio, pra mim, é o de muitos.

A vida segue com os seres perambulantes do planeta, a grande maioria seguindo apenas o fluxo do rio. Eles não se questionam para onde estão indo, apenas vão porque todos estão naquele caminho. Li em um livro de um cronista curitibano que “nós passaremos em branco”, é Luís Henrique Pellanda, você tem toda razão, passaremos. Podemos fazer o que quisermos, mas ao fim de tudo, ao nos depararmos com a cruel realidade do abismo dos famosos sete palmos abaixo da terra (se bem que hoje, talvez na tentativa de fugir desse destino, muitos tem optado por sepultar seus mortos em gavetas verticais) tudo o que tivermos construído se esfarelará, assim como nossa massa corpórea. De que adianta viver uma vida mecânica? Agradando aqueles que assim como nós, desaparecerão ao passar de algumas milhares de noites? De nada meu caro, de nada adianta.

Se quer ser eterno, eternize-se na pintura, pois veja bem, até hoje falamos dos selvagens homens das cavernas. Se quer ser eterno, eternize-se na música, quase 200 anos depois, ainda falamos de Ludwig Van Beethoven. Plante uma árvore, ou milhares delas assim como fez Sebastião Salgado. Cada um tem sua maneira de eternizar-se, alguns só precisam encontrar.

Mas para mim, a grande questão da vida não é o fato de passar em branco após o falecimento, a grande questão é encontrar e rabiscar a folha central de si, para não passar em branco pra você mesmo.  Essa cruel realidade atormenta as noites de sono daqueles que a vislumbram mas ainda não conseguiram palpá-la. Esse é o mundo no qual vivemos.