Carta aberta às mães

Ela é mulher demais pra mim. Faz coisas que jamais imaginei que poderiam ser feitas. É guerreira, persistente, não deixa baixo quando precisa defender a sua honra ou a de suas crias. Ela é mais do que gente, pode-se colocá-la em um patamar acima do nosso. Poucas pessoas têm o privilégio de ser ela, e quando finalmente se tornam, dão duro para aprender o que uma outra lhe ensinou. Ela vive cansada, mas ainda tem tempo pra deixar ajeitado o que precisa levar no dia seguinte. Ela se preocupa, pergunta se realmente está tudo bem. Desconfiada como sempre, fica de olho até quando ninguém diz nada. Se descobre o que sua intuição dizia, chega pra quem seja e diz “tá tudo bem”.

Ela tá sempre correndo, vai de lá pra cá só pra tentar resolver uma coisinha. Se alguém pede para ela dar um tempo e descansar, ela diz que não dá, que precisa colocar tudo em dia. Ela acorda, levanta, toma café e vai trabalhar. Passa o dia fazendo o que gosta – e, quando não gosta, continua assim porque não tem outra saída. Na realidade, saída sempre tem, é o que ela sempre diz. Mas se for pra trocar o certo pelo duvidoso, ela já rebate. Prefere deixar tudo do jeito que está pra não causar problemas pra ninguém. Ela não tem que cuidar só dela, ela também cuida do marido, dos pais, dos filhos. Ela é o ponto central de tudo. De todos também. Ninguém seria nada sem ela e o mundo se torna bem melhor com ela.

Ela é várias em uma e ninguém consegue entender como consegue ser assim. Se se propõe a cozinhar, cozinha a melhor refeição que está ao seu alcance. Ela só fica feliz quando os outros também estão, por isso não mede esforços para colocar um sorriso no rosto de alguém. Ela tira forças de onde não tem e isso só acontece porque amanhã ela precisa acordar de novo e lutar mais uma batalha, matar mais alguns leões. Ela com certeza é o mundo de alguém e vários alguéns com certeza são o mundo dela. Em alguns dias, ela precisa de apoio. Ninguém é de ferro, então dependendo de como esteja, pede um carinho, uma xícara de café – e ninguém é louco de recusar isso logo a ela.

Ela às vezes é solteira, casada, filha, viúva, emprestada. Ela às vezes é pai, melhor amiga, quebra-galho, faz-tudo. Ela cozinha, lava, passa, limpa a casa. Ela ainda acha tempo pra ver as novelas dela – e ai de quem interromper esse momento. Ela faz tanto às vezes com nada e ainda agradece por tudo o que já foi conquistado. Tem homem que às vezes é ela também, faz todas as coisas citadas até aqui e isso não tira dele o fato de ainda ser homem. Tem gente que não entende que ela é a base para a vida e que, sem ela, muito provavelmente não haveria mais ninguém nesse planeta.

Ela pode se chamar Maria, Joana, Fátima ou Pedro, tanto faz. Não importa muito o nome, mas sim o sentimento e a posição. E dentre todas as posições, a que ela possui é, de longe, a mais importante – e talvez difícil – de todas: a de ser mãe.

“Houve um tempo quando eu não sabia quem eu era ou quem eu queria ser, mas eu sempre soube, desde um longo tempo, que eu queria ser mãe.”
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Doa-se verdadeiramente

“Tenho em mente que não nasci pra apenas jogar, o meu negócio é vencer. Mas pra toda vitória, há, sim, uma perda.”

Teve esse dia que, de certa forma, modificou tudo em nossas vidas. Você falou algumas coisas que não sabia, mas insistiu mesmo assim. Foi praticamente um tiro no escuro e o único alvo disponível era eu. Eu não posso julgar os motivos que fizeram você agir dessa forma, eu nem tenho esse direito, mas só queria que você soubesse que doeu e que, mesmo assim, não modificou nada. Está tudo da mesma maneira de quando você virou e foi embora.

Sabe o que é? Muita coisa já aconteceu comigo e você sabe disso muito bem. Eu nunca te escondi nada, dos meus piores pesadelos eu compartilhei, dos meus maiores sonhos também. E hoje vejo o quanto não foi justo o que você fez com tais informações, porque de tantas coisas que poderiam acontecer, aconteceu justo a mais imprópria. Olha só, entenda de uma vez, eu não tenho como mudar o que comigo aconteceu. Faz tempo, já passou, mas ainda dói de vez em quando. Aquela cicatriz que deixaram em meu peito, nele continua. E suponho que nele pra sempre ficará. E é até bom que isso aconteça, pois pra cada dia ruim que enfrento, eu sei que depois de um tempo toda a sensação de invalidez vai passar. Nada é eterno, nem mesmo as dores – as minhas e também as suas. Só, por favor, não piore a situação, tá? Eu já faço isso muito bem sozinho.

Eu sei que você não consegue compreender, que já fez de tudo pra saber, mas não adianta, eu não vou te deixar entrar nesse quarto escuro em que abriguei os meus medos. Não são poucos, já aviso de antemão, você irá se assustar, então não insista em algo que você sabe que não vai dar. Tenho em mente que não nasci pra apenas jogar, o meu negócio é vencer. Mas pra toda vitória, há, sim, uma perda. E a minha foi bem aquela pessoa que me fez sentir o céu e o inferno em um único dia. Céu por achar que estava tudo bem, inferno por descobrir que o tudo bem não estava tão bem assim. Não entendi bem o porquê de tudo aquilo, mas consegui adaptar a minha vida com relação a tudo que me aconteceu depois. Inclusive, me adaptei até aos seus trejeitos que de início achei únicos demais para serem verdadeiros.

Escondi​ informação demais ao longo desses últimos anos, foram tantas que se transformaram em fantasmas em minha mente. E o grande ponto não é discutir sobre o que devo ou não falar aos outros, mas se quero ou não. As cicatrizes ainda são recentes, não há motivo para cutucá-las logo agora. Nada vai mudar, lembra? Porém, ao mesmo tempo em que tenho isso inserido em meu ser, eu quero que haja mudança e até cogito em compartilhar algumas coisas. Só que essas são pensadas tão minuciosamente que tornam-se automáticas e falsas. E tá aí outra coisa que não gosto: a falsidade. Porque, vamos lá, se estou hoje, aqui, me despindo em forma de palavras, não há como eu não gostar da sinceridade. Em outras palavras: não há como eu querer indícios falsos quando só registro verdades em meu ser. Verdades, essas, que inclusive doem.

Às vezes até doem demais.

Eu não sei o que estou fazendo com a minha vida

“A gente nunca pode se acostumar com algo e achar que está tudo bem.”

Nem você e nem eu, acredite. Que atire a primeira pedra quem nunca teve essa frase rondando a sua cabeça. É praticamente impossível, já que pensamentos, de tão involuntários que são, simplesmente aparecem e tornam-se inevitáveis. É quase um mantra que faz com que ele permaneça conosco e nos impeça de fazer qualquer coisa que tenhamos vontade. E por quê? Por que nós nos deixamos nos levar por simples pensamentos? Não são nem fatos concretos, apenas suposições que nunca vamos saber se vai dar certo ou não se não tentarmos. É complicado isso, mas não é tão difícil de colocar em prática não.

Veja bem, só nessa última semana eu fiz uma lista mental de tudo o que já fiz nesses últimos dois anos. Foram poucas coisas na visão de alguns, mas para mim, protagonista de minha própria vida, foram muitas coisas; grandes coisas. E se parar para realmente analisar uma por uma, com certeza eu jamais imaginaria que fosse capaz daquilo. E eu fui. E se eu fui, qualquer um pode, certo? E mais: se eu fiz tudo o que já fiz, eu posso muito mais. São apenas fatos concretos, não mais suposições que um dia tanto questionei. A concretização de algo é de um sabor inigualável. É praticamente um sabor de vitória; de saber que você pode tudo o que quiser. Ninguém é melhor do que ninguém. E eu… bom, eu to é bem longe de ser parâmetro pra alguém.

Estamos em 2017, ano em que consegui riscar mais um sonho da minha pequena grande lista: a faculdade de Letras. Mas, antes dele, eu tive vários outros – riscados, devo frisar. Supérfluos até podem ser, mas não menos importantes dos outros que vejo por aí em outras pessoas. Por exemplo: em 2015, um ano de muitas mudanças e decisivo perante alguns aspectos emocionais, me vi aceitando um emprego que ficava a duas horas de distância de casa. Um emprego em que precisei levantar antes do sol nascer para chegar no horário. Um emprego que me ensinou muito, não só profissionalmente, mas que também me mostrou que sou capaz de cumprir com o que me comprometi. De início, eu precisava daquele emprego para me estabelecer na profissão de publicitária, é claro, mas eu também queria algo a mais: uma pós-graduação de luxo, digamos assim, para estudar cultura. Quem é que em pleno século XXI estuda cultura, né? Bobagem! Pra eles (seja lá quem eles fossem), não pra mim. Eu tinha direito a bolsa de 30%, eu queria aquilo, queria me desafiar e desafiar as minhas finanças. Desafiei. Custei, mas consegui. Uns perrengues sempre apareciam, normal, como a falta de dinheiro pra almoçar na faculdade no sábado. Acontece, mas consegui. TCC aprovado com nota máxima, lágrimas de felicidades e amizades que levarei para a vida. Valeu a pena, né?

Ainda em 2015, em paralelo com a rotina doida do trabalho mais o estudo, me vi produzindo eventos. Oi?, sim, é isso mesmo. Tirei dinheiro do meu bolso, tive prejuízos que nem gosto de lembrar, frustrações que trago ainda comigo, mas nada do que fiz me traz arrependimento. E isso é bom, porque eu conheci tanta gente do bem, tanta gente que ainda está comigo. Conheci artistas que eu admirava e que hoje eu posso chamar de amigos, quem sabe. Daqueles que eu colocava num patamar acima do meu e, quando percebia, já estava tomando uma cerveja com eles, contando sobre a minha vida. Doido, não? Foram quatro eventos entre maio e outubro de 2015, quatro eventos do qual me orgulho demais. E aí, no ano seguinte, eu até quis continuar insistindo nisso, mas vi que não ia dar, sabe? Como eu mesma me convenci, preferi ganhar dinheiro.

Ok, 2016, ano de mais mudanças, mais sonhos riscados na listinha. Trabalhei bastante, cresci profissionalmente de um jeito que nem eu mesma acreditei. Fiz coisas que jamais achei que ia fazer, tipo viajar e conhecer um pouquinho melhor algumas dessas inúmeras cidades do Brasil. Fui elogiada, aprendi a me valorizar, a ver o lado bom de tudo e aí, quando já tava naquelas de agora vai, um baque. Não foi. A gente nunca pode se acostumar com algo e achar que está tudo bem. Porque a vida é cíclica e ela vai te jogar uns desafios novos, como a minha me jogou.

E eu to falando tudo isso pra que mesmo? Sei lá, talvez pra mostrar pra quem ler, tipo você, que você pode fazer as coisas. Você é capaz de lutar pelos seus sonhos; de concretizar cada um deles. E tudo bem não dar certo de primeira, porque às vezes não dá mesmo. O que não dá pra fazer é desistir. Por que se você desistir, o que é que vai te fazer feliz?

ps: e entenda que não mencionei quem, mas sim o que mesmo, pois como já diria Fall Out Boy, você é aquilo que você ama e não quem te ama; achei importante enfatizar.

You rock; you always rock

É, o ano está acabando. E, junto dele, vem aquele pensamento sobre o que eu fiz com a minha vida até agora. Não adianta negar, eu sei que é assim. É normal pensamentos do gênero virem em nossa direção justo nessa época. É sério, liga não, é tudo normal. Você vai perceber isso quando se der conta de que começou a responder a essa questão. E melhor: apenas com vibrações positivas pelo que passou e não lamentações pelo que poderia ter sido.

A vida é um conjunto de imediatismos, mas se não soubermos usá-lo ao nosso favor, de que adianta nos gabarmos pelos feitos conquistados se não tem com quem compartilharmos? E é diante dessa situação que te faço um convite para responder a seguinte pergunta: como foi o seu 2016? O que você fez de memorável, seja para os outros ou para si mesmo? Caso hesite em responder, saiba que você mais ficou parado do que agiu ante algumas situações.

Eu, autora do post, ouso em dizer que, em 2016, fiz coisas que jamais imaginaria, tipo ter aquele monte de trabalho acumulado em cima da escrivaninha, apenas esperando a minha boa vontade de dar um jeito nele. Ouso em dizer, também, que se não fosse a minha independência, maioridade ou o dinheiro na conta, não teria nem como meter o louco e viajar para 3 estados diferentes em um período de 7 meses.

Posso dizer, ainda, que se não houvesse mudanças em minha curta carreira profissional, talvez eu estivesse no mesmo lugar em que estava. E que bom que não fiquei lá, que bom que alguém acreditou em mim, acreditou que eu fosse capaz de gerenciar muita coisa que eu nem tinha conhecimento da existência. Eu cresci. É, 2016 foi um ano de crescimento.

Não só profissionalmente, não só na questão monetária, mas também na questão pessoal e espiritual. A gente cresce quando menos esperamos, quando nos abrimos para as mudanças. Mudanças são necessárias, até mesmo essenciais, para aquela reviravolta que tanto esperamos. É preciso mudar nós mesmos antes de querer exigir que o mundo mude.

Sei que talvez muitas pessoas duvidem dos meus feitos ou da capacidade de ter mudado. Eu sei que já fui pior do que sou hoje, sei também que talvez não tenha dado o meu melhor pra muita coisa que passei. Mas juro: mudei e foi pra melhor. Claro, com uns deslizes aqui ou ali, mas mudei e assumo os erros passados. Acredito que se não fossem eles, não seríamos quem somos hoje. Os erros são tão importantes quanto as mudanças.

A ideia desse texto não é enfatizar o que conquistei ou o que ainda quero conquistar – e se pareceu assim, me desculpe. A ideia inicial de tudo isso aqui é enfatizar que todos somos passíveis de erros e capazes de mudanças. Mudanças essas não só boas pra você, mas pra todos que estão ao seu redor; o mundo ao seu redor necessita de você e da sua perseverança.

O mundo, antes de tudo, precisa de você e do que você faz. Você importa. Don’t forget: you rock.

Feliz Natal! 🙂

Conte contigo

Permitam-me dissertar sobre algo que muitos não compreendem e que me faz não compreendê-los. É sério, permitam-me que eu procure entender, ao menos, esse ponto de vista tão distante dos meus olhos. Como será que pessoas assim aguentam o tranco interminável que é a vida sem ter uma válvula de escape sequer? Elas trabalham dia e noite e, para se dispersarem daquilo, trabalham mais um pouco? É isso?

Veja bem, eu entendo que nem todo mundo gosta de ir a lugares x ou y, mas é difícil de acreditar que nada no mundo o tire de casa para ver a beleza que há além da janela. Há vida além dela, falo sério. Falo sério também quando digo que há beleza em coisas pequenas, como um sorriso, um abraço, uma música ou um pedido de desculpas. Sim, desculpas, aquilo que tantos temem em pedir, mesmo sabendo que não dói, que revigora, que faz bem. O que te faz bem? A certeza dessa sensação boa ou a angústia do que nem aconteceu ainda?

Pense bem, não tem pressa não. Aliás, ainda temos alguns dias para preparar aquela listinha com os desejos para o próximo ano. Você vai mudá-los dessa vez? Ou eles vão continuar sendo os mesmos de 3 anos atrás, onde você pede amor, alegria, saúde e paz? Você se ama? Você se ama o suficiente para que seja alegre, saudável e em paz? Você sequer se lembra de que pra tudo acontecer, o primeiro passo depende de você? Não é fulano, é você e nada mais. Ninguém mais.

Às vezes eu tenho essa impressão de que muitas pessoas buscam mostrar tanto e reter tão pouco. Reter é necessário também. Não somos nada sem a respiração que fazemos sem perceber, somos menos ainda sem os pensamentos e atitudes boas que praticamos sem ao menos entender. Não é preciso entender, é preciso fazer. Mudar. Compartilhar.

Penso que cada um de nós está aqui para realizar algo a alguém. Se não for por quem imaginou que fosse, que seja por você. Muita gente se esquece de si mesmo, o que é triste. Já cansei de ver pessoas fazendo tanto para quem pouco se importou e que não merecia. Quem acabou se acabando não era o outro não, sempre é quem tá na ponta, tentando, se doando. Digo que não há nada de errado em tentar, o que é errado é tentar, perceber que não dá certo e continuar tentando. O incerto. E que talvez nunca se transforme em certo.

O correto é perceber quem é você e para o que (ou quem, vai saber) você está disposto a lutar. Tudo se resume a uma única coisa: persistência. Se não for para mudar a própria vida, que seja a de alguém. Ou vice versa, vai de você.

Não se esqueça de onde veio, muito provavelmente é para lá que você voltará caso tudo saia dos trilhos e você não tiver mais com quem contar.

PS: só não se esqueça que mesmo achando que está sozinho, conte contigo.

Conversa de espelho

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Oi, você. Como está? Está tudo bem? Mesmo? É que eu vi você toda quietinha aqui no canto, então resolvi vir te perguntar. Conta pra mim sobre o seu dia? Como você passou o seu domingo? Saiu e foi ver alguns parentes? Amigos? Ou preferiu ficar na sua enquanto assistia aquela série que estava há tempos separada no Netflix? Você se divertiu? Se sentiu bem consigo mesma? Pois é isso que importa.

Tem algo te incomodando? Uma situação? Um alguém? Sempre tem um alguém, não precisa mentir pra mim. Eu estou ao seu lado, vai ficar tudo bem. Acredita em mim, né? Porque eu acreditei em você quando me pediu, até por isso que estou aqui, para te retribuir o que de bom você me ofereceu. Olha só, uma ajuda assim não é todo mundo que está disposto a dar, então aceita. Sem pestanejar, sem nada. Só aceita. Eu sei como é difícil para você acreditar em tudo o que te digo, mas te garanto que não são palavras ditas apenas da boca pra fora. Todas trazem uma carga de emoção; de sentimento. Sei bem que você sabe o que isso quer dizer.

O que aconteceu com aquele teu sorriso que sempre iluminava os lugares por onde passava? O que aconteceu com os teus sonhos? Eles eram tão seus. Não faça com que os outros tirem de ti o que de mais belo você tem. Eu sei do que você é capaz e conheço um pouco de cada um dos seus medos. Então, ei, não deixe com que eles atrapalhem o seu crescimento, está bem? Ter medo não significa que você não tem coragem de enfrentá-los. Ter medo significa que o novo está por vir e que é normal se sentir assim. A vida nunca foi fácil, ainda mais pra você. Eu sei disso. Você custou a acreditar que eu sou assim como sou, mas acreditou. Ou estou errada quanto a isso? Espero que não. Diga pra mim que não?

Preste atenção nisso que irei te dizer agora: você não está sozinha. Na verdade, nunca esteve. Você só quis se isolar um pouco de todos que te faziam mal até então e tá tudo bem quanto a isso. A questão é que não dá para se esconder do mundo até a hora da morte, sabe? O mundo não aguenta com a sua ausência; a sua presença nele é bem mais importante. A sua forma de se expressar, as palavras que você diz, as músicas que canta mesmo não sabendo cantá-las da maneira correta, tudo isso tem um peso enorme quando se trata de você. O seu feito é bem maior do que os defeitos. Aliás, que defeitos? Talvez você os enxergue aos montes, mas eu, sinceramente, não vejo nada além de uma covinha no queixo que te faz ficar ainda mais bela. Tua beleza é rara, você deveria acreditar nisso quando as pessoas dizem. Não sou eu, não é tua mãe ou quem quer que seja, é o mundo. O mundo te vê dessa forma, você só tem que agradecer e, se quiser, retribuir.

Não precisa se preocupar com o fato de que ainda não é hora para isso ou não é hora para aquilo, entenda de uma vez por todas que não há hora para fazer o que se quer e ser feliz. A vida é tão curta, não há porquê você adiar algo tanto assim. Tenha em mente que se você quiser algo, você vai lá e faz. Se não quiser, ok, não faz. Mas não se deixe consumir pela sensação de que a vida está passando e que você não está fazendo nada. Porque você está. Você está aqui, viva, enfrentando um dia após o outro. Está, não está? Porque se você não estiver, bom, aí a conversa já é outra.

E eu prefiro adiá-la o tempo que for preciso.

Entre o caos e a razão, há sempre alguém tentando sobreviver

Ele tinha medo de que nada do que planejou acontecesse de fato. Era inseguro, não se dava conta de que realmente fazia a diferença por onde passava. Ele faz uso das palavras para se expressar, não sabe direito como usá-las, mas ao menos tenta – e continuará tentando. Ele também se preocupa com o que os outros pensam dele, até demais eu diria. Mas ele se esconde atrás de seu medo de não agradar o mundo e diz pra si próprio que está tudo bem, que tudo vai passar, que nada disso acontece sem motivo.

Ele tenta transparecer um pouquinho da sua admiração por tudo, qualquer acontecimento já enche os seus olhos. Ele faz questão de mostrar o porquê de gostar dos seus livros, das suas músicas e dos seus escritos. Diz que cada letra, cada palavra, transmite um sentimento para dentro do seu coração que o faz se sentir bem e em casa. Ele sorri não só com a boca, mas também com os olhos quando isso acontece. Ele ainda não sabe, mas merece demais alguém que tenha um coração tão grande quanto o seu para lhe fazer feliz.

Ele se diz estranho, não acredita muito quando o elogiam. Sempre diz que sua roupa tá amassada e seu cabelo tá bagunçado. Mal sabe ele que quase ninguém se importa com isso. Ele também se preocupa com quem está ao seu lado, seja conhecido ou não. Ele sempre questiona se a pessoa está feliz ou se tem amigos suficientes para satisfazer a pequena solidão que a aflige. Ele também é assim, conhece tanta gente mundo afora, mas poucos o conhecem como ele gostaria. Ele já quase se despiu de roupa, para provar que também tinha o que tantos procuravam, e também de alma, para mostrar que nem só de corpo as pessoas são feitas. Ele se viu numa encruzilhada de emoções e não soube lidar com nenhuma delas, a não ser a da vergonha de ter se exposto tanto assim.

Ele não é como os outros, que só querem passar o tempo até algo melhor aparecer. Ele quer algo a mais, quer se envolver com alguém disposto a encará-lo como realmente é, até porque não sabe e nem quer saber como que finge um sentimento detrás de um sorriso sem emoção alguma. Ele se vê, lá na frente, de bem com a vida que tem; se vê feliz com o pouco que conquistou, pois sabe que o que importa mesmo são os momentos raros e não os inúmeros bens materiais que uma pessoa normalmente tem. Ele não quer se preocupar com o domingo monótono ou a melodia arranhada, ele quer mesmo é olhar pro lado e perceber que mesmo com tudo isso rolando, a beleza ainda existe. Ele acredita no bom e no bonito; quem dera todo mundo ser assim.

Ele se vê curioso pela vida do outro, mas não de um jeito ruim. Ele tem vontade de saber exatamente quem é determinada pessoa e no que ele pode ajudá-la a ser um pouco melhor. Ele também quer ser melhor, ele sabe que pode ser. Ele acredita que o mundo é belo, que ainda existem pessoas boas e que fazem a vida valer a pena. Às vezes ele se doa demais aos outros, mas às vezes ele também se cansa disso. Ele tem medo de dizer essas coisas em voz alta na frente de certas pessoas, mas quando está em segurança, livre de qualquer ameaça, diz tudo e mais um pouco para si mesmo. Ele não se acha belo, mas sabe que possui qualidades que poucas pessoas ainda tem. Ele foca cada vez mais nessas qualidades e tenta deixar de lado o que o incomoda vez ou outra. Ele quer esquecer o que não lhe faz bem. Ele quer ser o que sempre quis ser e que tenta incessantemente ser.

O mundo exige demais dele e ele exige demais do mundo. Ainda busca o equilíbrio entre os dois, mas sabe que precisa aprender muito para alcançar tal objetivo. Ele não se preocupa tanto com o tempo que irá levar até alcançar a sua verdadeira paz, pois sabe que a cada dia que passa, uma nova conquista é alcançada. 

Ele é batalhador, por isso continua caminhando em frente e sem abaixar a cabeça. Ele ainda não sabe o que está por vir e, mesmo tendo medo de não conseguir, imagina que com dedicação irá fazer tudo o que sempre quis.

Preserve o que há de melhor em você mesmo

Não conte a ninguém o que você tem em mente. É isso mesmo, não conte. As pessoas, quando sabem o que você quer, pensa, sente ou deseja, dão um jeito de te dizer que tudo isso é errado, que não vale a pena. É claro que essa premissa não é válida para todas, mas sim para uma boa parcela delas. Já cansei de ter sonhos jogados no lixo ou ver minhas esperanças esvaindo-se por entre meus dedos por apenas ter comentado algo que tinha em mente. De tantas vezes que vi isso acontecer, aprendi a me calar. Infelizmente não deveria ser o certo, mas do jeito que as coisas estão, é o mais aceitável a se fazer.

Não compartilhe dos seus sonhos com quem você mal conhece. É sério. De tanto acreditar no lado bom de todas as pessoas, acabei topando com muitos lados ruins por aí. E doeu, como doeu. Ainda não consigo assimilar como pode existir tanta gente cruel e incapaz de querer o bem junto com você. Eu sei que o mundo não é cor de rosa e que nem todo mundo pensa da mesma forma que eu, mas você não irá concordar comigo caso eu diga que o mundo seria bem melhor se fosse feito assim? Pois então.

Não comente sobre os seus pensamentos mais obscuros. É certo que todo mundo os tem, mas não comente. No meio de uma sociedade como a nossa atual, é capaz de te taxarem como alguém problemático, louco ou qualquer coisa do gênero. Eles podem ser isso aí também, mas ai de quem proferir loucuras aos ouvidos deles. Quem não tem domínio sobre os próprios pensamentos não merece estar entre os normais – se é que isso existe realmente. Afinal, o que é normal? O que seria ser alguém normal? Eu não sei, gostaria de entender.

Não espalhe por aí planos que você possui para os próximos dias, meses ou anos. Não espalhe, porque sempre terá alguém prestando atenção nos teus passos e fazendo o possível para impedi-los. Talvez encarar as coisas dessa forma seja um pouco intenso demais, mas é assim que elas são. Tem gente que não está nem aí para você, muito menos para o que você pretende fazer. E aí, quando você espalha que quer fazer algo que outra pessoa também quer, tudo desanda. As coisas não vão pra frente, uma maré de azar parece vir de encontro a você. Mas não é porque você não merece algo, entende? É porque alguém que nem tem tanto contato assim com você está emanando energia negativa a tudo isso que você tem vontade de conquistar.

Então, assim, não conta nada, tá? Amadureça a ideia, trabalhe nela, faça por merecer. Aí, quando você ver que o negócio fluiu – e continuará assim -, você conta pra quem quiser. É sério. Saber guardar um segredo é apenas para os fortes e confesso que por muito tempo não me via como tal. Mas depois de levar diversos tombos por conta de que algumas pessoas não souberam lidar com o meu crescimento, aprendi a segurar a euforia dentro de mim. É difícil, não vou mentir. Mas é melhor se esforçar nesse início do que não ter mais forças para se levantar lá no fim.