Caixa-postal

Me atende. E entende.

Me fala que está tentando consertar do teu lado o que tá quebrado aqui, dentro de mim, e por isso não ligou ainda. Me explica o que eu faço com tudo que é seu e que ficou comigo, porque eu não aguento mais tirar o pó da nossa foto na tentativa de que eu te toque de alguma maneira e que aí, do outro lado da linha, você sinta. Eu to vivendo do que tem pra hoje e parei com os planos. Todos os projetos estão parados porque eu não sei como continuar sem você. Daí, eu queria só ter certeza de que você vai atender e eu não terei que me contentar com a caixa postal me pedindo pra deixar um recado. Porque, sinceramente, eu nem sei por onde começar e nem sei se tudo isso que eu sinto cabe num recado. Eu não sei como eu coloco os livros na minha estante e não sei se você anda comendo direito, se lembrou de tirar o vinho da geladeira, porque eu saí correndo da última vez e esqueci de avisar sobre isso. Você já falou com os seus pais essa semana, mais do que cinco minutos relapsos e sem profundidade? Eles precisam de você, assim como você deles e assim como eu preciso de você. Todo o tempo.

Então, me atende. Me escuta.

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Momentos ressignificados

Tem muita coisa que acontece em nossas vidas que nós só queremos guardar pra sempre na memória, não é mesmo? Pelo menos comigo é assim. São tantos momentos bons e únicos, que a coisa que mais faz sentido é querer viver aquilo pra sempre e um pouco mais. Soa egoísta querer alguém que te faz bem sempre por perto? Não sei, prefiro pensar que pra tudo há um motivo de ser do jeito que é. O que sei, na verdade, é que existem momentos com significados que só a gente entende – e não tem porquê outras pessoas entenderem também.

Têm sentimentos que por si só já dizem tudo o que precisa ser dito. Momentos inesquecíveis que foram vividos do jeito que deveriam ter sido possuem um grande significado pra mim. São momentos que me tiram sorrisos, que me fazem acreditar que aquilo não foi em vão. Têm pessoas que também fazem eu me sentir assim. Talvez eu não transpareça isso da melhor forma possível, mas quando eu posso, eu explodo palavras, faço com que chova sentimentos simples, mas sinceros. Nem todo mundo pode entender o que se passa aqui dentro, mas fico feliz com os poucos que entendem.

Eu não preciso agradar a todos, aprendi que quem quer estar com a gente, dá um jeito de estar. A presença se faz fundamental quando percebemos que algo significativo está acontecendo. Quando não há presença, há o vazio – e não importa o quanto a gente tente, vazios nunca serão preenchidos por completo. Faço ao máximo para não ser parte do vazio de alguém, ainda mais alguém que só quero o bem. Acredito que certas atitudes dizem muito mais que palavras e por mais que eu custe a entender esse conceito, faço o possível para tal. Nem todo mundo corresponde às nossas expectativas – idealmente falando. Ninguém é perfeito, mas os momentos que passamos com certos alguéns podem ser.

Alguns significados carregam sentimentos verdadeiros com memórias que custam a se soltar das garras em que as prendi. Algumas memórias custam a sumir pelo simples fato de não conseguirem se distanciar de seus significados iniciais. Algumas pessoas conseguem ser mais especiais do que aparentam ser – e acredito que isso acontece só porque elas trazem, dentro de si, significados e memórias e sentimentos que as fizeram ser assim, exatamente como são e como deveriam ser.

tudo acontece; tudo permanece.

Dificuldade em ser

Você faz o seu máximo, eu sei disso. E agradeço tal ato. Eu sei também que nem sempre dá pra cumprir com o que se promete, mas você tenta. Do seu jeito, mas tenta.

Talvez você não tenha sido o exemplo que sempre quis, mas alguma coisa de você eu tirei. Independentemente do que seja, saiba que sou grata pelos ensinamentos que me passou. Saiba também que aqui dentro de mim corre o teu sangue, então não tem como eu não estar ligada a você. Às vezes é difícil, difícil até demais, mas eu continuo tentando permanecer firme – pelo menos diante de você.

Eu queria conseguir colocar mais coisa pra fora em uma data como essa, mas eu não consigo. Me desculpe por isso – é algo que venho tentando mudar já tem um certo tempo. Mas é complicado, algo me impede de tirar o escudo que coloquei ao redor de mim. Um dia, quem sabe, não?!

Quem sabe um dia eu não consiga conversar de maneira sincera com você. Quem sabe, também, se um dia as coisas voltam a ser como eram para ser originalmente? Tudo desandou e nisso ninguém tem culpa. Você tentou, eu também. A grande questão é que eu não soube lidar muito bem com as diferenças que se instalaram entre a gente.

Mas tá tudo bem, daqui eu sigo tentando não tropeçar nos obstáculos que a vida me impôs. Sigo também caminhando em busca de uma solução para o problema que eu mesma inventei. De qualquer forma, achei que seria injusto não escrever pra você, já que escrevo para o máximo de pessoas que consigo.

Desculpe qualquer coisa,
feliz seu dia.

Nem tudo precisa ser tão horrível assim

É horrível, né? É horrível não se sentir parte de algo. Eu, pelo menos, não me sinto. É como se tudo fosse desconhecido pela minha mente e corpo. Quando me dou conta, já estou vagando sem rumo, sem o sorriso que sempre fiz questão de estampar em meu rosto. Não há mais porquê. Não me vejo mais fazendo coisas que antes fazia tão naturalmente. E é horrível. É horrível porque mesmo com tão pouco tempo, as coisas tornaram-se obsoletas e dispensáveis de uma hora para outra. Não era pra ser assim, você havia me prometido que tudo iria mudar. Mas não mudou – e talvez nunca vá mudar.

Eu entendo que certas coisas não são para serem mesmo. A gente inventa realidades inexistentes na mente só pelo prazer de ali presenciar um final feliz. Finais felizes são raros e, quando acontecem, acontecem porque um grande esforço esteve envolvido. E você nunca se esforçou o suficiente. Mal sabia qual era meu maior medo ou o pior dos meus segredos. Tudo era motivo pra brincadeira, pra deboche. E é horrível esse tipo de coisa, porque você não se sente confortável em expor o seu lado, em se despir e se expor da maneira mais verdadeira que existe. Eu sempre fui verdadeira, talvez seja essa parte que fez você me acusar de ser alguém horrível também.

Preste atenção: eu sou quem eu deveria ser. Independentemente se isso soa horrível ou não, eu sei muito bem quem eu sou e quem eu poderia ter sido. Entende o tamanho da diferença disso? Eu poderia ser bem pior, é sério. Eu só não segui um caminho mais escuro, porque pouco antes disso acontecer, eu encontrei uma luz, de certa forma. Não vem ao caso agora como ela era ou de que forma surgiu. Eu só quero que você entenda de uma vez por todas que eu sou assim porque é exatamente assim que eu quero ser. Eu choro vendo trailer de filme, eu fico com um sorriso de canto estupidamente bobo quando vejo um detalhe que se sobressai a todo o resto. E a parte horrível disso é que você não instiga nada disso em mim. Eu achei que seria diferente esse lance que há entre a gente, mas não… Tudo tornou-se ridiculamente igual a tudo o que já vinha vivendo. E eu não quero isso, entende?

Eu não quero ter que me privar de rir do que acho engraçado ou deixar de derramar algumas lágrimas só pelo simples fato disso me fazer fraca. Ninguém é fraco apenas por demonstrar ser um ser humano, muito pelo contrário. Ser humano é um do atos mais corajosos que podem ser mostrados ao mundo nos dias atuais. As pessoas têm medo de se expor, elas têm medo da vida real. Guess what?, eu também tenho! Eu sei, eu já falei isso aqui. Mas percebe que horrível seria quem não tivesse? A vida tá aí, batendo em nossa porta, implorando para ser vivida. Eu to tentando, juro que to. Às vezes algumas coisas saem de controle, mas isso é normal. Algumas outras dão errado – e é exatamente nessas horas que me dá vontade de te acordar pra realidade e dizer algo do tipo ei, vamos juntar dois errados pra montar um certo? Tudo bem ter medo, eu também tenho, junta os dois medos também. Vai que no final dá tudo certo, né?

Quer dizer, nem tudo precisa ser tão horrível assim.
precisa?

Eu ainda me importo

Quando foi que a gente deixou de se importar? Não é uma pergunta difícil de responder. Ou é? Confesso que já não sei de mais nada. Os dias passam sem mais nem menos, não sinto mais aquela alegria que tomava conta de mim dia e noite, sem parar. É estranho dizer coisas assim? Digo, sem mais nem menos? Porque eu me sinto estranha e já faz algum tempo. Não é de hoje que as coisas não vêm sendo o que deveriam ser. Na verdade, já faz vários dias que venho analisando e pensando o que deveria fazer caso algo desse tipo acontecesse. Infelizmente aconteceu e eu permaneço perdida no lugar de onde sequer consigo sair.

Não ando me preocupando com as coisas, sabe? É até estranho, porque eu sempre fui aquela que não passa um minuto sem se preocupar. O meu coração está mais leve, ele até me diz que preciso continuar assim. Então por que insisto em tentar encontrar um problema onde não existe um? Talvez o problema disso tudo seja eu mesma, mas nem assim essa suposição me convence. Tenho andado tão bem, tão, sei lá, eu mesma. Pode até ser que a alegria de sempre não me visite mais com tanta frequência, mas é legal saber que ela sempre estará dentro de mim quando eu precisar. A gente sempre precisa de uma dose de sentimento bom.

Alguns pensamentos diferentes tomam conta da minha mente de vez em quando. Mas juro que não deixo eles permanecerem ali por muito tempo. Eu sei que determinadas situações ainda me fazem mal e é até por isso que tento distrair a mente, focar em algo que sei que vai me fazer bem – nem que seja momentaneamente. Eu não quero viver uma vida de suposições, quero ter sensações também. Sentimentos, me entende? Eu sou toda feita por eles, dos bons até os mais perversos. Que não me pertencem, devo enfatizar. Mas às vezes é inevitável a produção de alguns. É errado, mas errar também faz parte do ser humano, certo?

Eu gostaria de compreender quando foi que tudo mudou. Eu costumava prestar mais atenção nos detalhes, eu realmente gostava de tentar ajudar. Mas acredito que de tanto me sentir sufocada com palavras alheias, acabei me sufocando até mesmo com aquelas que não disse. Eu tento me esconder, faço de tudo para que ninguém descubra o que realmente sinto ao ver certas coisas diante de meus olhos. Mas é tarefa impossível, a quantidade de sentimentos que ainda vive em mim é maior do que toda a vontade que sinto de fingir que tanto faz, tanto fez. Não é tão fácil esquecer das coisas assim e até mesmo quando eu sei que tem gente que deixou de se importar, eu vou lá e permaneço me importando. Nem que seja por nós dois. Ou só por mim – o que, na verdade, é o que acontece na maioria das vezes.

Sobre Sentir

eu sinto, não como os demais. sinto devagar, sem pressa. tento não pular etapas. e gosto de pensar que todo novo relacionamento pode ser algo mais. algo duradouro e que agregue. mas hoje só vejo pessoas rasas.

rasas de sentimentos; rasas de intensidades; rasas de emoções; rasas de vontades.

vejo pessoas carentes de histórias, querendo tê-las para contar no tempo passado da juventude, mas rasas na construção de cada linha que faça sentido para essa história.

vejo pessoas imediatistas, carentes de outros e de alguéns, mas rasas o suficiente para não conseguir dar nada em troca. sim, eu acredito que seja uma troca, uma troca de sentimentos.

vejo a ansiedade do novo, a curiosidade pelo desconhecido, a euforia pela quantidade; mas não há espaço para o profundo, para o intenso, para a loucura. loucura, sim, por que não?

enfim, vejo pessoas rasas. rasas demais.

Eu sinto muito

Eu sinto muito. Sinto até demais. Sinto o que não deveria sentir. Sinto coisas minhas e de tantas pessoas mais.

Sim, eu sinto muito. Vivo de lembranças que há tanto já deveria ter esquecido. Vivo de memórias que se apossaram de mim de tal maneira que já não tem mais formas de distingui-las se são ou não reais. Vivo de histórias, conquistas, superações. Vivo por viver. E eu sinto muito.

Sinto tanto que nem sei mais o que é o não-sentir, se é que isso existe. Eu uso a alegria dos outros como se fosse minha, eu me projeto ao futuro a partir de lembranças que ainda vivem e que estão guardadas em mim. Eu sinto muito por ter que escrever essas palavras que já não se calam mais. Palavras sufocam. E por tentar jogá-las a uma folha de papel em branco, acabo sentindo um pouquinho mais. Frustração, talvez seja. Quem sabe, pode até ser vergonha. Por sentir muito; sentir demais.

Trago lembranças antigas em questão de dois segundos ao âmago do meu ser. Só eu sei o peso de tudo, só eu sei o tamanho do meu mundo. Só eu sei o tanto que sinto e o tanto que sinto muito por sentir tanto. E eu sinto. Sinto o que não deveria, o que não queria. Sinto coisas boas, coisas ruins. Coisas leves e outras tão pesadas que fazem eu duvidar de mim. Duvidar do meu sentir eu jamais senti, mas se um dia me for delegada essa tarefa, com certeza sentirei também.

Eu sou assim, uma pessoa sentida por sentir demais. E prefiro ser assim do que não sentir nada; ser apática. De todos os sentimentos, a apatia é o que mais me amedronta. Já pensou você não mais sentir nada? Nem amor, nem rancor? Nada. Prefiro ser simpática a antipática, empática a apática. Prefiro sentir demais do que sentir de menos – ou até não sentir. Pois com a escassez de sentimentos bons e positivos que temos hoje no mundo, é preferível sentir muito e desculpar-se, ainda, por aqueles que não sentem nada.