Sobre Sentir

eu sinto, não como os demais. sinto devagar, sem pressa. tento não pular etapas. e gosto de pensar que todo novo relacionamento pode ser algo mais. algo duradouro e que agregue. mas hoje só vejo pessoas rasas.

rasas de sentimentos; rasas de intensidades; rasas de emoções; rasas de vontades.

vejo pessoas carentes de histórias, querendo tê-las para contar no tempo passado da juventude, mas rasas na construção de cada linha que faça sentido para essa história.

vejo pessoas imediatistas, carentes de outros e de alguéns, mas rasas o suficiente para não conseguir dar nada em troca. sim, eu acredito que seja uma troca, uma troca de sentimentos.

vejo a ansiedade do novo, a curiosidade pelo desconhecido, a euforia pela quantidade; mas não há espaço para o profundo, para o intenso, para a loucura. loucura, sim, por que não?

enfim, vejo pessoas rasas. rasas demais.

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Eu sinto muito

Eu sinto muito. Sinto até demais. Sinto o que não deveria sentir. Sinto coisas minhas e de tantas pessoas mais.

Sim, eu sinto muito. Vivo de lembranças que há tanto já deveria ter esquecido. Vivo de memórias que se apossaram de mim de tal maneira que já não tem mais formas de distingui-las se são ou não reais. Vivo de histórias, conquistas, superações. Vivo por viver. E eu sinto muito.

Sinto tanto que nem sei mais o que é o não-sentir, se é que isso existe. Eu uso a alegria dos outros como se fosse minha, eu me projeto ao futuro a partir de lembranças que ainda vivem e que estão guardadas em mim. Eu sinto muito por ter que escrever essas palavras que já não se calam mais. Palavras sufocam. E por tentar jogá-las a uma folha de papel em branco, acabo sentindo um pouquinho mais. Frustração, talvez seja. Quem sabe, pode até ser vergonha. Por sentir muito; sentir demais.

Trago lembranças antigas em questão de dois segundos ao âmago do meu ser. Só eu sei o peso de tudo, só eu sei o tamanho do meu mundo. Só eu sei o tanto que sinto e o tanto que sinto muito por sentir tanto. E eu sinto. Sinto o que não deveria, o que não queria. Sinto coisas boas, coisas ruins. Coisas leves e outras tão pesadas que fazem eu duvidar de mim. Duvidar do meu sentir eu jamais senti, mas se um dia me for delegada essa tarefa, com certeza sentirei também.

Eu sou assim, uma pessoa sentida por sentir demais. E prefiro ser assim do que não sentir nada; ser apática. De todos os sentimentos, a apatia é o que mais me amedronta. Já pensou você não mais sentir nada? Nem amor, nem rancor? Nada. Prefiro ser simpática a antipática, empática a apática. Prefiro sentir demais do que sentir de menos – ou até não sentir. Pois com a escassez de sentimentos bons e positivos que temos hoje no mundo, é preferível sentir muito e desculpar-se, ainda, por aqueles que não sentem nada.