sobre seguir em frente

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Sobre Sentir

eu sinto, não como os demais. sinto devagar, sem pressa. tento não pular etapas. e gosto de pensar que todo novo relacionamento pode ser algo mais. algo duradouro e que agregue. mas hoje só vejo pessoas rasas.

rasas de sentimentos; rasas de intensidades; rasas de emoções; rasas de vontades.

vejo pessoas carentes de histórias, querendo tê-las para contar no tempo passado da juventude, mas rasas na construção de cada linha que faça sentido para essa história.

vejo pessoas imediatistas, carentes de outros e de alguéns, mas rasas o suficiente para não conseguir dar nada em troca. sim, eu acredito que seja uma troca, uma troca de sentimentos.

vejo a ansiedade do novo, a curiosidade pelo desconhecido, a euforia pela quantidade; mas não há espaço para o profundo, para o intenso, para a loucura. loucura, sim, por que não?

enfim, vejo pessoas rasas. rasas demais.

Sobre Traumas

traumas é uma palavra grega que significa ferida. são fatos imprevisíveis e indesejáveis que, de forma violenta, nos atingem e produzem alguma forma de lesão ou dano, dor do tipo crônica ou sentimentos embaralhados e atitudes controversas, que levam a questionamentos sem respostas. no trauma não há semântica, há suposições e a continuidade de um processo chamado vida.

mas está tudo bem. você pode ir em frente. mesmo com traumas. carregá-los tornar-vos-á uma pessoa melhor. não há orgulho a ser perdido. pelo contrário. traumas ensinam para quem sobrevive. a vida merece continuar. e ir de encontro com um novo começo. afinal, a vida é uma roda e a roda nunca para de girar.

nesses meus poucos anos de vida, posso dizer que tenho a experiência de recomeçar de novo e de novo, todos os dias, sem medo de dizer que falhei, que fiz escolhas erradas. já engoli em seco o orgulho, a dor, a vergonha. eu sobrevivi e continuei em frente. não estou aqui bancando o hipócrita. também reconheço meus defeitos. tenho eles aos montes. e desconfio que esses ultrapassam as minhas qualidades. mas no final das contas, todos sabemos que são elas, as qualidades, que pesam mais na balança.

então, eu luto todos os dias com o meu leão, as vezes até com mais de um. tenho traumas que ainda guardo para mim, sem reservar o direito de outros saberem. eu sigo em frente. não me vitimizo, essa não é uma opção que me cabe. faço-me forte diariamente com dozes exageradas de coragem para esquecer destes traumas. a dor é minha e embora todos possam compreender, ninguém nunca, jamais, vai poder entender o quão doloroso pode ser olhar para trás e lembrar. nunca ninguém vai entender até isso acontecer com você.

mas esta é a pior parte: lembrar, lembrar dói; e por isso eu sigo em frente;