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Vídeo do Dia | O preço da inteligência é a solidão – Leandro Karnal

A solidão é um monstro que entra de mansinho na sua vida. No primeiro contato você se assusta, tem pavor, grita, chora e pede socorro. Mas com o passar do tempo você vai se acostumando com aquela presença. O monstro então vai chegando cada vez mais perto, e conforme ele se aproxima você passa a deseja-lo, afinal, só ele pode lhe consolar nesses dias tão frios. Até que quando se percebe, você já está com a cabeça encostada no peito peludo desse monstro, que agora para ti, mais parece um urso de pelúcia. Ele te abraça, te consola, te embala e te leva para longe de tudo aquilo que outrora lhe era fundamental. O que importa agora, é o seu sentir, o seu pensar, entender o mundo e principalmente não fazer parte dele.

Segundo Leandro Karnal, o preço da inteligência é a solidão. Esse é o vídeo do dia! Continue reading Vídeo do Dia | O preço da inteligência é a solidão – Leandro Karnal

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A necessidade de pertencer 

A complexidade de não encontrar em si o sustento necessário para sanar a sede da alma, faz com que busquemos no cais alheio o líquido necessário para manter a cabeça em pé. É como se no fundo tivéssemos uma âncora amarrada no pescoço, que tenta nos grudar no lodo daquilo que gostaríamos de ser. É tão complicado lidar com tudo o que gostaríamos de ser em contraste com aquilo que os outros gostariam que fossemos, que acabamos não sendo nada, e nesse breu encontramos a dor.

A dor nos leva a necessidade de buscar um remédio que tape as escaras do peito. E geralmente caímos na amarga ilusão de achar que a solução para tamanho caos está no pertencer. Aí entra o maior erro de todos, no lugar de buscarmos pertencer a nós mesmos – o que em alguns casos já seria uma grande bosta – caímos no abismo de buscar pertencer aos outros. Mas como alguém vai se interessar por uma pessoa que não se interessa por ela mesma? Deveríamos buscar sempre responder a essa questão.

Mas realmente entendo como é difícil responder ao que quer que seja, pois diante dessa tormenta de tentar entender quais são as perguntas da vida, percebemos que não temos as respostas. Alguns não as têm por pertencer demais a si, ao ponto de não conseguir olhar mais nada a não ser o espelho. Já outros, de tanto buscar ser aceito, não consegue entender as perguntas por não ter em si as respostas necessárias.

Seguimos assim nessa insana explosão de contrariedades, diante de tudo aquilo que não temos, buscando ser o que não somos, para agradar aqueles que não gostamos. Dessa maneira, não pertencemos a nada e nem a ninguém – e quanto a ninguém, esse sim pode ser nós mesmos.

A gente se sabota para se aturar

Cigarro, bebida, balada, música deprê ou literatura Cada um tem seus meios de sabotagem Auto-tortura ou maneira de expulsar sua dor Dê o nome que você quiser, mas a verdade é que cada um tem seus meios de aguentar Mesmo que isso faça doer mais Sangrar mais

É preciso ter uma válvula de escape, mesmo que ela seja dolorida Mesmo que cause mal Mesmo que só piore tudo Mas é uma maneira que temos para não pôr um ponto final no peso da vida

Pessoas que dizem que são felizes o tempo todo, satisfeitas e completas ou mentem pra si, ou eu as odeio Não da Não consigo conviver com pessoas assim Prefiro os intensos Prefiro aqueles que sentem em demasia Aqueles reais, os que sangram

A vida é pesada Existem momentos em que estamos mais fortes e aguentamos os trancos Mas geralmente a vida pesa mais do que podemos suportar E é aí que corremos para o flagelo nosso de cada dia A forca nossa de cada dia

O pão nem sempre saceia a fome O vinho nem sempre mata a sede E como viver com isso? Não me venha com o papinho de que tem gente que queria estar onde estou Isso não me ajuda a melhorar, só me mostra que a vida pode ser ainda mais cruel do que se apresenta atualmente

O que está acontecendo? Você pode me perguntar Sou eu que estou acontecendo Meus pensamentos E o peso disso ninguém pode medir No mais vou seguindo Agradeço e sorrio Corto minha alma enquanto transito entre vocês

Continuo sem o ponto final, so não sei até quando

Ele é limbo e quer sonhar 

Ser limbo faz parte dele, assim como ser sonhador

Ele nunca imaginou que conseguiria ir tão longe. Ele sempre quis, mas sabe como é né? Nem sempre nos sentimos tão capazes de realizar nossos sonhos. Ainda assim ele lutou. Antes do que as estatísticas previram ele chegou lá.

Ele olhou para os lados, avaliou o seu ambiente e se assustou, não era esse o lugar que ele imaginava. Ele sente saudades do tempo em que esse ambiente era apenas um sonho. No sonho as pessoas seriam verdadeiras. No sonho ele faria a diferença. Hoje ele não sabe se realmente faz. E as pessoas não são.

Quando tudo parecia longe demais para ser alcançado ele imaginava que essa tristeza seria passageira, mesmo que fosse em um espaço de tempo deveras longo.

Ele chegou e foi feliz, ou melhor, empolgado. A empolgação fez ele se fixar por ali. Tinha alcançado aquilo que sonhou. Ele burlou o tempo, chegou antes do mesmo. Ficou vivendo esse momento como se fosse único – e era, pois todos os momentos são únicos.

Mas como em todo sonho um dia ele acordou. Acordar o fez triste de novo. Inquieto. Inseguro. Sentiu-se incapaz.
Então ele quer criar outro sonho. Voltar a acreditar que a tristeza um dia vai passar. Ele não quer se sentir assim pra sempre, mesmo sabendo que sentir-se assim é a sua sina.

Ele tem pequenos momentos de repousos, logo seus novos sonhos não passam de pequenas imaginações mais passageiras do que qualquer tempo, sonho ou nuvem.

Ele tem lutado pra sair desse limbo. Mas ele é limbo. Criou os seus próprios remédios para dormir e quem sabe sonhar, mas como todos os remédios feitos pelo homem, esses também têm seus efeitos colaterais.

Ele não sabe o que mais esperar da vida. Ele não sabe se um dia conseguirá seguir por esse caminho. Pela primeira vez ele está com medo de arriscar. Não que ele nunca tenha sentido medo, mas esse medo paralisador é único.

Ele sabe que no fundo ele vai além. Isso está marcado na sua pele. Ir além faz parte da sua identidade. Mas hoje, nessa fase ele tem medo de não ser ele mesmo. Medo de deixar de ser limbo para ser flor. Como todos querem que ele seja. Ser limbo é o que faz ele ser quem ele é. Ele sente orgulho de si. Mas não quer ficar lá. Ele deseja sonhar de novo. Ele vai mais uma vez tentar dormir em todo o seu caos.

Ser único não é tão bom

Ser único

Eu não faço parte de nenhuma tribo. Não me encaixo em nenhum dos estilos adotados pelos caras da minha idade. Não curto as mesmas músicas. Não me apego a credos. Não coleciono grandes rodas de amigos. Sou muito sociável, mas não há ninguém no mundo que me agrade mais do que estar sozinho.

Uma vez, apenas uma vez na vida me senti verdadeiramente pertencente a um grupo. Mas isso se desfez, como tudo na vida. Essas palavras não são o choro de um homem triste, são apenas as reflexões de um cara que já cansou se tentar fazer parte. Não quero mais, não preciso mais. Faço parte de mim, isso dói, mas a dor me satisfaz.

Quero fazer a diferença. Talvez o princípio seja esse então – ser diferente. Nisso eu sou bom, e como sou. Sou bom em muitas outras coisas também, inclusive em desanimar. Desistir. Voltar atrás. Vivo no pódio nessas modalidades. Nada me agrada o suficiente. Tudo tem data de validade. É complicado viver com meus pensamentos. Você nem sabe do que se trata tudo isso, ninguém sabe.

Mas deixa isso pra lá, vou voltar a sorrir. Ser quem nasci para ser. Nasci para ser único, mas acredite, isso não é tão bom.

 

Homem aflito

homem e mar
A aflição vem sempre que fico estagnado

Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Pergunta a famosa canção. Como pode um homem aflito viver o mesmo todo dia? Parafraseio. A aflição me move, me sustenta. Ela é o meu tabaco e minha cachaça. Ela é o meu deus, minha bússola mór.

Basta sentir o seu cheiro se aproximando e começo a me remoer por dentro. A tristeza vem vindo aos poucos, dia após dia. É como uma pessoa que vai surgindo na forte neblina, você percebe que vem algo, mas só tem certeza quando está perto demais. Assim a aflição vem. Um dia me pego refletindo sobre a letra daquela música. No outro sobre a brincadeira daquele colega. Depois sobre o problema da humanidade naquela matéria na TV. Aí me pego lendo e relendo livros que não se sabe se foram escritos ou chorados. Músicas que são a materialização da tristeza abstrata do compositor tocam em looping no meu fone de ouvido. A solidão, o silêncio, a tristeza, a aflição e finalmente o eu.

Percebo assim que já deu de ficar estagnado. Já parei o suficiente. Devo voltar a caminhar. Algo tem que fazer sentido. Alguém tem que ter importância. A diferença precisa ser feita. O mundo carece de pessoas que joguem fora seus medos e vivam aquilo que acreditam de fato. A aflição me abraça, beija meu pescoço e me seduz. Ela me mostra o seu sorriso, enquanto nos seus olhos refletem o caminho que eu deixei de seguir.

Chega de estar parado. Chega dos mesmos textos. Chega dos mesmos projetos. Chega do mesmo trabalho. É hora de andar novamente. De resto, agradeço a aflição e dou um até logo pois todos tendenciamos a estagnar no confortável, ainda bem que eu percebo a sua presença.

A falta de amor mata

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Quem não tem amor, morre.

O sofrimento existe pra todas as pessoas. Entristecer faz parte da condição humana. Todos os povos sofrem, cada um com o seu caos. Os africanos sofrem, os europeus também, cada um por condições diferentes. Pra alguns o sofrimento é imposto, por outros ele é buscado (inconscientemente).

A seca mata, a fome mata, a doença mata, a bala mata, a desesperança mata, o desamor mata, e a riqueza também, mas essa, se não tiver amor pode matar a alma. O amor é condição básica para a vida humana.

Leia: Quando nos fingimos de cegos, estamos perdendo amor.

Tudo se vai, todos morrerão, mas o amor, esse fica. Quem não tem o que comer ou beber, morre, mas viver sem amor, também é morrer, ainda que vivo. Não resta ressalvas, se já não está vivo tanto faz o caos.

Amar sem ser amado só é condição de vida para São Francisco, de resto é tormenta. Somos resposta ao que temos, se não temos amor, não temos mais nada, morremos.

Leia: Amores sozinhos morrem de sede.