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Vídeo do Dia | O preço da inteligência é a solidão – Leandro Karnal

A solidão é um monstro que entra de mansinho na sua vida. No primeiro contato você se assusta, tem pavor, grita, chora e pede socorro. Mas com o passar do tempo você vai se acostumando com aquela presença. O monstro então vai chegando cada vez mais perto, e conforme ele se aproxima você passa a deseja-lo, afinal, só ele pode lhe consolar nesses dias tão frios. Até que quando se percebe, você já está com a cabeça encostada no peito peludo desse monstro, que agora para ti, mais parece um urso de pelúcia. Ele te abraça, te consola, te embala e te leva para longe de tudo aquilo que outrora lhe era fundamental. O que importa agora, é o seu sentir, o seu pensar, entender o mundo e principalmente não fazer parte dele.

Segundo Leandro Karnal, o preço da inteligência é a solidão. Esse é o vídeo do dia! Continue reading Vídeo do Dia | O preço da inteligência é a solidão – Leandro Karnal

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A gente se sabota para se aturar

Cigarro, bebida, balada, música deprê ou literatura Cada um tem seus meios de sabotagem Auto-tortura ou maneira de expulsar sua dor Dê o nome que você quiser, mas a verdade é que cada um tem seus meios de aguentar Mesmo que isso faça doer mais Sangrar mais

É preciso ter uma válvula de escape, mesmo que ela seja dolorida Mesmo que cause mal Mesmo que só piore tudo Mas é uma maneira que temos para não pôr um ponto final no peso da vida

Pessoas que dizem que são felizes o tempo todo, satisfeitas e completas ou mentem pra si, ou eu as odeio Não da Não consigo conviver com pessoas assim Prefiro os intensos Prefiro aqueles que sentem em demasia Aqueles reais, os que sangram

A vida é pesada Existem momentos em que estamos mais fortes e aguentamos os trancos Mas geralmente a vida pesa mais do que podemos suportar E é aí que corremos para o flagelo nosso de cada dia A forca nossa de cada dia

O pão nem sempre saceia a fome O vinho nem sempre mata a sede E como viver com isso? Não me venha com o papinho de que tem gente que queria estar onde estou Isso não me ajuda a melhorar, só me mostra que a vida pode ser ainda mais cruel do que se apresenta atualmente

O que está acontecendo? Você pode me perguntar Sou eu que estou acontecendo Meus pensamentos E o peso disso ninguém pode medir No mais vou seguindo Agradeço e sorrio Corto minha alma enquanto transito entre vocês

Continuo sem o ponto final, so não sei até quando

Ele é limbo e quer sonhar 

Ser limbo faz parte dele, assim como ser sonhador

Ele nunca imaginou que conseguiria ir tão longe. Ele sempre quis, mas sabe como é né? Nem sempre nos sentimos tão capazes de realizar nossos sonhos. Ainda assim ele lutou. Antes do que as estatísticas previram ele chegou lá.

Ele olhou para os lados, avaliou o seu ambiente e se assustou, não era esse o lugar que ele imaginava. Ele sente saudades do tempo em que esse ambiente era apenas um sonho. No sonho as pessoas seriam verdadeiras. No sonho ele faria a diferença. Hoje ele não sabe se realmente faz. E as pessoas não são.

Quando tudo parecia longe demais para ser alcançado ele imaginava que essa tristeza seria passageira, mesmo que fosse em um espaço de tempo deveras longo.

Ele chegou e foi feliz, ou melhor, empolgado. A empolgação fez ele se fixar por ali. Tinha alcançado aquilo que sonhou. Ele burlou o tempo, chegou antes do mesmo. Ficou vivendo esse momento como se fosse único – e era, pois todos os momentos são únicos.

Mas como em todo sonho um dia ele acordou. Acordar o fez triste de novo. Inquieto. Inseguro. Sentiu-se incapaz.
Então ele quer criar outro sonho. Voltar a acreditar que a tristeza um dia vai passar. Ele não quer se sentir assim pra sempre, mesmo sabendo que sentir-se assim é a sua sina.

Ele tem pequenos momentos de repousos, logo seus novos sonhos não passam de pequenas imaginações mais passageiras do que qualquer tempo, sonho ou nuvem.

Ele tem lutado pra sair desse limbo. Mas ele é limbo. Criou os seus próprios remédios para dormir e quem sabe sonhar, mas como todos os remédios feitos pelo homem, esses também têm seus efeitos colaterais.

Ele não sabe o que mais esperar da vida. Ele não sabe se um dia conseguirá seguir por esse caminho. Pela primeira vez ele está com medo de arriscar. Não que ele nunca tenha sentido medo, mas esse medo paralisador é único.

Ele sabe que no fundo ele vai além. Isso está marcado na sua pele. Ir além faz parte da sua identidade. Mas hoje, nessa fase ele tem medo de não ser ele mesmo. Medo de deixar de ser limbo para ser flor. Como todos querem que ele seja. Ser limbo é o que faz ele ser quem ele é. Ele sente orgulho de si. Mas não quer ficar lá. Ele deseja sonhar de novo. Ele vai mais uma vez tentar dormir em todo o seu caos.

Os diferentes sons do silêncio

“Tragam-me de volta os raios de luz que iluminavam a minha alma, sem ela eu não sei se sou capaz.”

Seria irônico dizer que o vazio, quando alocado bem no meio do peito, dói? Pergunto isso apenas para saber se o que se passa comigo é normal ou não. Penso que a ausência de algo não deveria fazer tanto estrago assim, mas pelo visto estive enganada por todos esses anos. Gostaria de saber o porquê disso acontecer logo agora. Não é justo cultivar algo tão bom para, depois de algumas palavras mal ditas, tê-lo arrancado de forma bruta e contínua. Dias se passaram desde o sumiço de tal sentimento, mas o buraco continua intacto, quando não alguns centímetros maior. Não era pra ser assim, nada disso estava no planejado. Mas eu não tenho controle sobre o que acontece em minha vida. Talvez nas pequenas coisas, mas não em algo desse tipo.

Os dias vão continuar assim? Cinzas, apáticos, ausentes de alegria? Eu costumava me encantar com os pássaros de manhã. Costumava, também, a sorrir para quem estivesse através de minha janela, só para ver se teria o sorriso de volta. Faz tempo que não o tenho, até mesmo o meu espelho esqueceu de como sorri. É tudo tão duro, árduo. Já me vejo sem forças para seguir e permanecer, ao menos, lutando por mais um dia. Dias assim não deveriam existir. Tragam-me de volta os raios de luz que iluminavam a minha alma, sem ela eu não sei se sou capaz. Eu nunca fui e com essa ausência de tudo, talvez não tenha a chance de tentar ser.

Já cansei até de minhas próprias visitas, os meus fantasmas pedem para eu não mais aparecer. Eu sei que no fundo tudo vai ficar bem, o problema é justamente entender que isso pode levar um pouco mais de tempo ainda. Se eu pudesse, já tinha dado um jeito em tudo, mas é meio impossível esperar que um milagre aconteça no meio desse mar de coisa ruim que me assombra. Não estou preparada para ouvir o eco de minha própria voz. O silêncio já me pertence, o ar está rarefeito, quantos dias mais eu hei de aguentar? Espero por um chamado qualquer, uma mão estendida em prol de me ajudar. Eu só espero que não a agarre para tentar me afundar de vez. Eu não posso lidar com todas as perdas novamente.

Continuo aqui, sem saber pra onde ir. As lágrimas escorrem soltas pelas curvas de um rosto que já esbanjou sentimentos bons por todos os lugares em que um dia passou. Os passos estão mais raros; os suspiros, mais rasos. Perdida no meio de uma desilusão, projeto minha vida sem imaginar sair daqui. Para onde quer que eu vá, sei que o vazio irá me acompanhar. Talvez o problema não seja eu afinal, mas sim tudo o que um dia já me satisfez e que hoje se desfez. Sei que daqui uns dias eu estarei longe disso, do vazio e da ausência. Mas enquanto ele não chega, escrevo palavras sem sentido pra ver se consigo me completar.

O que eu jamais desconfiaria era descobrir que não sou cheia de mim mesma. Acabei entendendo que nenhum vazio será capaz de desfrutar do que eu realmente​ sou, já que nem eu sei. Para onde vou? Algum outro tipo de buraco, eu espero. Profundo, escuro, sem ecos de um silêncio ensurdecedor.

Ser único não é tão bom

Ser único

Eu não faço parte de nenhuma tribo. Não me encaixo em nenhum dos estilos adotados pelos caras da minha idade. Não curto as mesmas músicas. Não me apego a credos. Não coleciono grandes rodas de amigos. Sou muito sociável, mas não há ninguém no mundo que me agrade mais do que estar sozinho.

Uma vez, apenas uma vez na vida me senti verdadeiramente pertencente a um grupo. Mas isso se desfez, como tudo na vida. Essas palavras não são o choro de um homem triste, são apenas as reflexões de um cara que já cansou se tentar fazer parte. Não quero mais, não preciso mais. Faço parte de mim, isso dói, mas a dor me satisfaz.

Quero fazer a diferença. Talvez o princípio seja esse então – ser diferente. Nisso eu sou bom, e como sou. Sou bom em muitas outras coisas também, inclusive em desanimar. Desistir. Voltar atrás. Vivo no pódio nessas modalidades. Nada me agrada o suficiente. Tudo tem data de validade. É complicado viver com meus pensamentos. Você nem sabe do que se trata tudo isso, ninguém sabe.

Mas deixa isso pra lá, vou voltar a sorrir. Ser quem nasci para ser. Nasci para ser único, mas acredite, isso não é tão bom.

 

Quem sofre também tem que aprender a sorrir

Mesmo com toda tristeza do mundo, precisamos aprender a sorrir

A vida é complicada quase sempre. Bela também, mas essencialmente complicada. A grama do vizinho geralmente é mais verde, pois somos daltônicos perante os problemas alheios. Temos dificuldade em aceitar a nossa tristeza, por acreditarmos que não haja justiça em um sorrir tanto, enquanto nós, eternos carregadores da dor do mundo levamos toda a tristeza nas costas.

Todos temos uma certa dose de dor para carregar, precisamos aceitar isso. O vizinho, aquele sorridente e quase sempre feliz também sofre, mas talvez ele tenha aprendido um segredo importante: precisamos encontrar razão para viver. Mesmo com a dor que esmaga nosso sorriso, mesmo com a tristeza que destroça nossa energia, precisamos procurar nos manter de pé e encontrar em algo um motivo para ir além.

Quem está lhe dizendo isso não é o colecionador mór de felicidades e sim um homem tão miserável quanto você, mas que entendeu que sempre que a tristeza bate na porta – e ela sempre bate – precisa ter um amparo para não se desfazer em choro.

Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar, dizer que aprendi
E na vida a gente tem que entender
Que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri

Mas quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar razão para viver
Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar

  • Tim Maia – Azul da Cor do Mar

http://www.youtube.com/watch?v=mky-EIfrCbk

Homem aflito

homem e mar
A aflição vem sempre que fico estagnado

Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Pergunta a famosa canção. Como pode um homem aflito viver o mesmo todo dia? Parafraseio. A aflição me move, me sustenta. Ela é o meu tabaco e minha cachaça. Ela é o meu deus, minha bússola mór.

Basta sentir o seu cheiro se aproximando e começo a me remoer por dentro. A tristeza vem vindo aos poucos, dia após dia. É como uma pessoa que vai surgindo na forte neblina, você percebe que vem algo, mas só tem certeza quando está perto demais. Assim a aflição vem. Um dia me pego refletindo sobre a letra daquela música. No outro sobre a brincadeira daquele colega. Depois sobre o problema da humanidade naquela matéria na TV. Aí me pego lendo e relendo livros que não se sabe se foram escritos ou chorados. Músicas que são a materialização da tristeza abstrata do compositor tocam em looping no meu fone de ouvido. A solidão, o silêncio, a tristeza, a aflição e finalmente o eu.

Percebo assim que já deu de ficar estagnado. Já parei o suficiente. Devo voltar a caminhar. Algo tem que fazer sentido. Alguém tem que ter importância. A diferença precisa ser feita. O mundo carece de pessoas que joguem fora seus medos e vivam aquilo que acreditam de fato. A aflição me abraça, beija meu pescoço e me seduz. Ela me mostra o seu sorriso, enquanto nos seus olhos refletem o caminho que eu deixei de seguir.

Chega de estar parado. Chega dos mesmos textos. Chega dos mesmos projetos. Chega do mesmo trabalho. É hora de andar novamente. De resto, agradeço a aflição e dou um até logo pois todos tendenciamos a estagnar no confortável, ainda bem que eu percebo a sua presença.