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Você tem medo de que?

Faz tempo que não abro essa porta que está diante de mim. Faz tanto tempo que nem sei mais como as coisas estão organizadas, se alguém já mexeu ou se continua a mesma coisa. Será que alguém leu os inúmeros rascunhos que deixei jogados sobre a escrivaninha? Será que tudo aquilo continua sendo para mim as melhores palavras que uma pessoa poderia colocar num papel? Provavelmente não, eu nunca fui tão boa assim. E, justamente por não ser tão boa assim, acabei deixando de lado muito do que acreditava. Na verdade, fui deixando para trás aquele computador sobre a mesma escrivaninha e as músicas que me inspiravam por puro medo. Sim, o medo que jurei não ter. Pois bem, olha ele aqui. Olá.

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Reviravoltas

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Seria muito mais fácil você ter me dito a verdade, não acha? Sei lá, chegar com um papo de que esqueceu do compromisso que você mesmo marcou é um tanto quanto perturbador. Era só dizer que não dava mais, que não queria, qualquer coisa, sabe? Já que pretendia inventar algum tipo de desculpa, que inventasse algo convincente, porque essa que você arranjou não deu pra engolir.

A gente tava indo tão bem, por que mudar tudo agora? Será que só eu percebi o quanto poderia ir pra frente? Eu realmente estou sem saber o que pensar, tua janela nem aparece mais nos recentes daquele aplicativo de conversas – o que me impede, de certa maneira, de tentar compreender o que se passa com você.

Você é complicado, impôs barreiras antes mesmo de eu dizer que não tem problema em possui-las. Só que, veja bem, a sua persistência em algo que não é tão bom assim foi tão grande que me vi perdida em um mundo que não era o meu. Eu gosto do meu mundo, sabe? Digo, do meu novo mundo. Eu já estive por muito tempo em um lugar bem parecido com esse em que você está agora, acho que foi por perceber que ele só me deixava cada vez mais mal que resolvi sair de lá. Queria que você soubesse que tem um lugar bem melhor te esperando, mas você jamais conseguirá chegar lá se não der o primeiro passo. E me dói perceber que você parece que gosta de estar com as mãos e os pés amarrados, acreditando fielmente que nada mais pode ser feito. Saiba que pode, ok? Basta você querer.

Depois de tanto viver sobre um mar de marasmos, percebi que nada mudaria se eu não mudasse também. A partir do momento em que coloquei isso na cabeça, muita coisa começou a acontecer. E coisas boas! Por isso insisto em dizer que ainda há tempo para você. Não se faça de desentendido, você sabe muito bem do que estou falando. Por tudo o que você me disse, de cara soube que o futuro que lhe espera é grandioso. Mas ele nunca irá existir se você não fazer com que ele aconteça. É sério, me escuta. Você não tem sonhos? Porque se você disser que não, me desculpe, porque eu não vou acreditar. Viver uma vida sem sonhos é o mesmo que viver à deriva da realidade. É viver sem propósito, viver esperando a morte chegar.

Não faça isso com você mesmo. Empolgue-se com algo, faça os seus dias valerem a pena. Não seja apenas mais um desacreditado; mais um no poço das desilusões. A vida às vezes pode ser uma merda mesmo, mas às vezes ela até que é legal. Lembre-se disso.

Deveríamos ser a sociedade do ser, e não do parecer

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“As pessoas deveriam muito mais praticar o ser ao invés do parecer (…)”

Em todos os dias, por todos os lados, a única coisa que se vê são pessoas preocupadas com suas roupas, suas caras, seus batons e demais outros tipos de pronomes possessivos relacionados a elas mesmas. Fico preocupada quando, sem querer, vejo alguém tirando a famosa selfie apenas para postar em suas redes sociais comprovando de que está em tal lugar. E aí me vem à mente: comprovar pra que? Comprovar pra quem? As pessoas deveriam muito mais praticar o ser ao invés do parecer, mas não creio que isso vá acontecer tão rápido assim.

Por anos acompanho o andar da vida, não só da minha, mas de todos aqueles que estão ao meu redor. O Facebook tá aí pra isso, né? Pra expor aquilo que nós queremos que os outros vejam. E só analisando o que eu posto comparado ao que os outros postam, é inacreditável a diferença que há. Enquanto posto palavras – que, na minha concepção, servem para melhorar não só o emocional de alguém, mas também a sua alma -, os outros postam fotos do bar, da festa, fazem check-in, debocham de quem não se envolve naquilo que acham o certo, esse tipo de coisa. Que triste. É realmente muito triste ver que a imagem que as pessoas querem passar são todas forjadas, photoshopadas, criadas. Não existe mais expor o que há por dentro, não existe mais o se despir de corpo e alma.

Em dias que eram para ser comuns, iguais a todos os outros, independente de serem datas festivas ou não, a alegria deveria reinar ainda assim. A sinceridade deveria se fazer presente, mostrando a quem estivesse ao seu redor que ela vale a pena, que está ali para ser usada. As pessoas deveriam ser mais sinceras umas com as outras. Elas deveriam, inclusive, se abrir umas às outras, dizendo o que fazem, quais seus medos, seus maiores desejos. Todo mundo tem algo para contar a alguém. Coisas boas, coisas não tão boas assim, coisas felizes. A felicidade está em falta – e como eu sinto a sua falta… Sinto tanto que sinto que estou cometendo algum tipo de erro gravíssimo quando compartilho momentos felizes com os outros. Ninguém quer saber das suas conquistas, eles não conseguiram as deles ainda. A grande questão é: não conseguiram porque não foram ou porque pareceram?

A importância do ser se faz ainda maior quando estamos diante de situações assim. Fico imaginando o quanto deixamos de ganhar no ser simplesmente por querer parecer. Parecer feliz, parecer certo, parecer apaixonado. A autossabotagem é tão grande que se torna quase proporcional à minha aversão a tudo isso. Pra que parecer feliz quando você simplesmente pode ser feliz? Pra que fingir se apaixonar, enganar parte dos sentimentos de outra pessoa, quando vocês poderiam estar juntos e inteiramente apaixonados? Às vezes o que falta no pessoal do parecer é uma pessoa do ser. Uma pessoa que mostre que todas as aparências de nada valem se no interior deles nada se sente. O sentir é essencial para todo mundo. Até para aqueles que acreditam que jamais serão – quando, na realidade, já são.

Gosto das lembranças, mas prefiro o momento

O que eu faria se pudesse retornar alguns anos de minha vida? Não sei, talvez eu voltaria para a minha infância, lá pros meus 4 ou 5 anos. Pros 6 não, com 6 anos presenciei a separação dos meus pais. Nenhuma criança merece vivenciar essa experiência e eu juro que não gostaria de vivenciá-la novamente. Mas sim, voltaria aos meus 4 anos, com minha família unida ainda. Naquela época já existia o meu irmão, com 1 ano e pouquinho. Era gorducho, andávamos de lá pra cá. Ele segurando a minha mão, sempre. Eu era tipo o porto seguro dele. Onde eu ia, ele ia atrás. É, eu queria voltar para o meu aniversário de 4 anos, aquele que teve o tema da Branca de Neve. Ou podia ser até o aniversário de 5, ele foi dos Dálmatas. Veja que eu fui uma criança vidrada nos desenhos da Disney. Mas não podia ser diferente, até porque eu tinha grande parte desses desenhos em VHS, ou fita, como gostava de chamar.

Bom, talvez eu quisesse voltar para os meus 9/10 anos também, época em que estudei num dos melhores colégios que já existiram nessa cidade. Sim, existiram. No passado. Ele fechou, infelizmente. Faliu. Quando soube, que aperto no peito. Tive tantos momentos bons lá. Tantas professoras apaixonadas pelo que faziam. Foi lá que tirei a minha primeira nota vermelha da vida. Na 5ª série. 4ª, não me lembro bem. Higiene e Saúde, se não me engano. Quem é que tinha essa matéria no currículo escolar? Pois eu tinha. E tirei vermelha. Mas mesmo assim, eu voltaria sem pensar duas vezes para essa fase. Voltaria só pra dar um beijo em cada profissional que já pisou naquele colégio. Mais ainda: eu voltaria para agradecer a paixão que eles emanavam ao dar uma aula ou um cházinho na coordenação. Não sei, mas talvez tenha sido dessa paixão que criei as minhas próprias. Por ciências. Por matemática. Por português. Pois bem, desde pequena já era indecisa quanto a área que mais gostava para, num futuro, exercê-la profissionalmente. Eu sempre gostei de um pouco de tudo. E não vejo mal algum nisso.

Mas, e se eu voltasse para os meus 13/14 anos? Não foi de todo ruim. Quer dizer, tirando as inseguranças que eu tinha quanto ao mundo e a mim mesma, foi uma fase proveitosa. Conheci vários amigos que trago comigo até hoje, conheci também bandas que considero como minhas favoritas até hoje. Aprendi mais sobre respeitar e ser respeitada. Conheci meus próprios limites e sonhos. E alimentei-os. Cada sonho que tive. O de me formar, de entrar numa faculdade, de ter o meu próprio dinheiro, ir aos shows e conhecer as bandas que tanto admirava, aperfeiçoar a minha escrita – que já naquela época implorava para ser mostrada ao mundo -, ser eu mesma. Já naquela época, inclusive, insistiam em me dizer o que eu devia ou não fazer. As pessoas insistiam em me dizer como eu tinha que ser, o que eu deveria vestir, como deveria me portar. Por um tempo eu até dei bola, mas depois de um tempo não mais. Então cresci.

Fora esses três momentos, eu poderia voltar também pra um outro mais: o de quando conheci a minha banda favorita. Ou talvez no momento em que dei meu primeiro beijo, minha primeira declaração de amor, o primeiro elogio que recebi sobre algo que criei. Naquele que tive o êxtase, ou naquele que me partiram, me deixaram, me abandonaram. Nem só de momentos bons a nossa vida é feita, né? Ao contrário do que eu pensava, tive que encarar coisas cruéis e que jamais imaginei que pudessem existir. Com o passar dos anos, as responsabilidades me encontraram, as contas, o cansaço, a cobrança da sociedade em você ser extremamente bom naquilo que decidiu fazer. Mas também fui encontrada pelo apoio, pela força, pelas palavras de carinho de cada um daqueles que conheci há anos e que permanecem aqui até hoje.

A vida me encontrou, os desafios são constantes, os dias não são fáceis, mas se eu tivesse que realmente escolher um ano para voltar e revisitar o passado, muito provavelmente eu pediria para que, mesmo assim, permanecesse no presente. Não por não querer reviver momentos, mas sim por achar que no passado fica o que já foi e no presente se encontram as novas oportunidades de um futuro tão bom quanto – ou até melhor – o passado foi.

Sobre Traumas

traumas é uma palavra grega que significa ferida. são fatos imprevisíveis e indesejáveis que, de forma violenta, nos atingem e produzem alguma forma de lesão ou dano, dor do tipo crônica ou sentimentos embaralhados e atitudes controversas, que levam a questionamentos sem respostas. no trauma não há semântica, há suposições e a continuidade de um processo chamado vida.

mas está tudo bem. você pode ir em frente. mesmo com traumas. carregá-los tornar-vos-á uma pessoa melhor. não há orgulho a ser perdido. pelo contrário. traumas ensinam para quem sobrevive. a vida merece continuar. e ir de encontro com um novo começo. afinal, a vida é uma roda e a roda nunca para de girar.

nesses meus poucos anos de vida, posso dizer que tenho a experiência de recomeçar de novo e de novo, todos os dias, sem medo de dizer que falhei, que fiz escolhas erradas. já engoli em seco o orgulho, a dor, a vergonha. eu sobrevivi e continuei em frente. não estou aqui bancando o hipócrita. também reconheço meus defeitos. tenho eles aos montes. e desconfio que esses ultrapassam as minhas qualidades. mas no final das contas, todos sabemos que são elas, as qualidades, que pesam mais na balança.

então, eu luto todos os dias com o meu leão, as vezes até com mais de um. tenho traumas que ainda guardo para mim, sem reservar o direito de outros saberem. eu sigo em frente. não me vitimizo, essa não é uma opção que me cabe. faço-me forte diariamente com dozes exageradas de coragem para esquecer destes traumas. a dor é minha e embora todos possam compreender, ninguém nunca, jamais, vai poder entender o quão doloroso pode ser olhar para trás e lembrar. nunca ninguém vai entender até isso acontecer com você.

mas esta é a pior parte: lembrar, lembrar dói; e por isso eu sigo em frente;