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VOLTA DO TALIBÃ AO PODER NO AFEGANISTÃO AMEAÇA DIREITOS DAS MULHERES

VOLTA DO TALIBÃ AO PODER NO AFEGANISTÃO AMEAÇA DIREITOS DAS MULHERES
Reprodução/Al Jazeera

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta segunda-feira (16) o estabelecimento, por meio de negociações, de um novo governo no Afeganistão que seja “unido, inclusivo e representativo, inclusive com a participação plena, igualitária e significativa das mulheres”. A capital do país, Cabul, foi tomada neste domingo (15) pelo grupo fundamentalista islâmico, que já vinha avançando em outras regiões. O temor é de que haja retrocessos em relação ao direito das mulheres.

A conquista rápida de Cabul por parte do Talibã ocorre na esteira da decisão do presidente dos EUA, Joe Biden, de retirar as forças de seu país do Afeganistão depois de 20 anos de uma guerra que custou bilhões de dólares. Há um temor de que o Talibã imponha leis baseadas no islamismo, nas quais as mulheres quase não têm direitos. Atualmente, as mulheres podem estudar, trabalhar e participar da política no país, mas nem sempre foi assim.

Reprodução/Al Jazeera

Até 2001, sob comando do talibã, as mulheres não podiam estudar, trabalhar e nem sair de casa desacompanhadas de um parente do sexo masculino. O uso de burcas era obrigatório. O governo também promovia apedrejamento de mulheres acusadas de adultério.

Marianne O’Grady, vice-diretora da organização Care Internacional, acredita que mesmo com a volta do Talibã ao poder, a situação anterior a 2001 não deve se verificar. “Não é possível ‘deseducar’ milhões de pessoas, e se as mulheres agora estão atrás das paredes e não podem mais sair tanto, elas ainda podem dar aulas aos parentes e vizinhos e filhos, o que não acontecia há 25 anos”, disse.

No Twitter, a ex-embaixadora da Juventude da ONU, Aisha Khurram contou que o clima na Universidade de Cabul era de despedida das alunas neste domingo. “Alguns professores disseram adeus para as alunas enquanto todos evacuavam a Universidade de Cabul nesta manhã… e nós talvez não vejamos nossa formatura assim como milhares de estudantes no país”, escreveu.

A paquistanesa Malala Yousafzai, que foi baleada pelo Talibã em 2013 a caminho da escola, manifestou preocupação com a situação das mulheres afegãs. “Estou profundamente preocupada com mulheres, minorias e defensores dos direitos humanos. Poderes globais, regionais e locais devem pedir um cessar-fogo imediato, fornecer ajuda humanitária urgente e proteger refugiados e civis”, escreveu no Twitter.

Mulheres que viviam em cidades do interior do Afeganistão já vinham fugindo para a capital desde maio deste ano, quando o Talibã começou a avançar, principalmente no norte do país. Em julho, segundo a agência de notícias internacional Reuters, mulheres que trabalhavam em um banco em Kandahar, no Sul do Afeganistão, foram escoltadas do escritório até suas casas pelo talibã e proibidas de trabalhar a partir de então. Na cidade de Herat, as mulheres estão proibidas de frequentar universidades.

Porta-voz do Talibã, Suhail Shaheen afirmou à imprensa que o grupo quer uma transição de poder pacífica nos próximos dias. Ele também afirmou que o grupo insurgente vai proteger os direitos de mulheres, assim como a liberdade para os profissionais de mídia e diplomatas.

Milhares de civis desesperados para fugir do Afeganistão lotaram o aeroporto de Cabul, nesta segunda-feira (16), depois que o Talibã tomou a capital, levando os militares norte-americanos a suspenderem os voos de saída de pessoal.

Multidões lotaram o aeroporto tentando escapar, incluindo algumas pessoas que se agarraram a um avião de transporte militar dos EUA que taxiava na pista, de acordo com imagens publicadas por uma empresa de mídia.

Soldados norte-americanos atiraram para o alto para deter pessoas que tentavam embarcar à força em um voo militar que deveria retirar diplomatas e pessoal da embaixada dos EUA, disse uma autoridade norte-americana.

Cinco pessoas morreram em meio ao caos no aeroporto nesta segunda-feira, segundo reportagens, mas uma testemunha disse que não estava claro se elas foram baleadas ou pisoteadas durante o tumulto. Uma autoridade dos EUA disse à Reuters que dois homens armados foram mortos por forças norte-americanas no local nas últimas 24 horas.

*Com informações de Agência Brasil

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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