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TDAH e autossabotagem é debatido no Podcast Distraídos dessa semana

TDAH e autossabotagem é debatido no Podcast Distraídos dessa semana

Durante a infância, é comum que crianças com comportamentos atípicos sejam reprimidas em vez de acolhidas. Uma criação familiar mais rígida pode fazer com que crianças e adolescentes com traços comportamentais como impulsividade, desatenção, hiperatividade, impaciência e oscilações de humor sofram uma redução significativa em duas estruturas cerebrais fundamentais para a regulação das emoções: o córtex pré-frontal e a amígdala cerebelosa. Essa constatação foi realizada por uma pesquisa de médicos canadenses publicada pela Universidade de Cambridge, os quais comprovaram que jovens criados de maneira repressiva tendem a desenvolver transtornos mentais na fase adulta. Quando isso acontece com uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) os efeitos podem ser ainda mais danossos. Por isso, no episódio 09 do Podcast Distraídos, Erick Mota e Alpin Montenegro debatem sobre o que é a autossabotagem e como ela age na vida de pessoas neurodivergentes. 

Primeiramente, a host Alpin Montenegro explica o que é a autossabotagem: “ela costuma ser um mecanismo inconsciente, que aparece de várias formas, como procrastinação, chegar atrasado para não ficar em lugar de posição, abandonar projetos por achar que não é uma pessoa merecedora de realizá-los e por aí vai”.

Nesse contexto, Erick Mota ressalta que, como pessoas com TDAH ou autismo divergem neurologicamente da maioria dos cidadãos, os neurodivergentes apresentam comportamentos diferentes do comum, como um maior nervosismo/irritabilidade, dúvida e desconforto. Esses sentimentos negativos são comumente reforçados por pequenas críticas de amigos, conhecidos e familiares sobre os principais aspectos que quem é neurodivergente apresenta, como desatenção e falta de foco. “Com o tempo, a vigilância pessoal se transforma em ansiedade por estar frequentemente errando e se frustrando. Constrangimento e vergonha levam ao desejo de evitar essa insegurança e dor a todo custo. As tentativas de evitar essa dor geralmente se manifestam como comportamentos de autossabotagem”, explica Erick.

Entre os principais comportamentos autossabotadores, Alpin cita o ato de evitar interação social ou qualquer situação que cause desconforto; procrastinação; tentar controlar comportamentos ou situações que causam insegurança, mas que fogem ao controle porque envolvem outras pessoas e provocam sua ansiedade; desrespeitar suas vontades para agradar os outros; envolver-se em situações de risco para se encaixar em um grupo (por exemplo, começar e beber mesmo sem gostar), observar o que os outros fazem e ficar se comparando negativamente e perfeccionismo.

Para Erick Mota, seu perfil mais sociável e comunicativo pode se classificar como um comportamento autossabotador. “Eu sempre fui uma pessoa que fala do momento que chega até quando sai. Dificilmente saio sem ser notado, mas isso me suga uma energia tremenda. Ao contrário do que as pessoas veem, especialmente no ambiente de trabalho, eu estou sempre falando com alguém e fazendo algo porque eu quero agradar as pessoas, e isso faz parte da autossabotagem”, afirma. 

Além disso, revisando sua carreira como jornalista em Brasília, Erick percebeu que gostava da função de vídeo-repórter quando esteve no Grupo Bandeirantes porque se filmava e trabalhava de maneira autônoma, sem precisar lidar com o restante da equipe. Já Alpin lamenta as vezes em que riu de piadas preconceituosas ditas em seu círculo de amigos e se omitiu de corrigi-las pela necessidade de ser aceita por um grupo. “Muitas vezes, eu passei por cima dos meus valores para ser aceita. Hoje, consigo fazer isso com menos frequência”, revela Alpin.

Outro ponto que Alpin e Erick ressaltam é a tendência que pessoas neurodivergentes têm de se envolverem em relacionamentos abusivos, tanto como vítimas quanto agressores. Isso ocorre devido à propensão de querer agradar aos outros, o que faz com que neurodivergentes enfrentem dificuldades em dois pontos: não saber dizer “não” e colocar-se como submissos em relacionamento, ou não conseguir confiar na fidelidade do parceiro afetivo e criar uma relação abusiva.

Por fim, Erick e Alpin ressaltam que a melhor maneira de lidar com a autossabotagem é conversar sobre e analisar o próprio comportamento sem julgamentos, buscando identificar ações e pensamentos autossabotadores e que podem ser modificados aos poucos, através de terapia e tratamento psiquiátrico, quando necessário.

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O que é o Podcast Distraídos? 

Nos episódios do podcast, os hosts Alpin Montenegro e Erick Mota contam as curiosidades sobre o universo de quem é TDAH, autista e demais neurodivergências, que se referem a todas as possíveis variações no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. O termo neurodivergência foi criado e popularizado a partir de 1998, pela socióloga Judy Singer. No episódio de estreia do Podcast Distraídos, Alpin Montenegro e Erick Mota falam sobre como o TDAH impactou na vida deles e trazem relatos de outros TDAHs. 

De maneira geral, a proposta do podcast é proporcionar o compartilhamento de vivências e informações sobre o TDAH. Alpin Montenegro é TDAH, autista e digital influencer com o @blackautie em todas as redes sociais. Já Erick Mota também é TDAH, além de ser empreendedor e jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação. Está em todas as redes no @erickmotaporai.

Pensando em mobilizar uma rede de apoio concreta, capaz de ajudar os ouvintes do podcast a buscarem um diagnóstico adequado e a conviverem com o TDAH sem perder a qualidade de vida, opodcast Distraídos criou um grupo no Telegram chamado Hiperfocados, com especialistas e outros neurodivergentes. Como o Distraídos é uma iniciativa independente, o grupo no Telegram é uma vantagem para os ouvintes que quiserem contribuir com algum valor, em dinheiro, para a produção do podcast através do Apoia.se. Você pode colaborar com qualquer valor acessando o apoia.se/podcastdistraidos

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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