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Podcast debate ferramentas para TDAH lidar com autossabotagem

Podcast debate ferramentas para TDAH lidar com autossabotagem

No episódio 10 do Podcast Distraídos, Erick Mota e Alpin Montenegro debatem ferramentas para lidar com a autossabotagem com a psicóloga paraibana Narriman Basílio, especializada em neuropsicologia. Além disso, Narriman também é neurodivergente, pois foi diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) apenas na fase adulta. Gravado antes de o crime se tornar público, o episódio 10 deste podcast foi dedicado a Genivaldo Dias do Santos, morto por asfixia em uma câmara de gás improvisada no porta malas da viatura de um grupo de policiais rodoviários federais de Sergipe. Como Genivaldo tinha esquizofrenia, a homenagem do Distraídos a sua memória individual é também um clamor por respeito a todas as pessoas com transtornos mentais ou neurodivergências.

Conforme a host do podcast Alpin Montenegro explica, a autossabotagem se compara a uma conversa interna e negativa, que pode nos impedir de definir, trabalhar e alcançar nossos objetivos pessoais e profissionais de forma consciente ou inconsciente. Portanto, a autossabotagem é o resultado de fatores como baixa auto-estima e crenças infundadas sobre não ser bom o suficiente, incapaz ou pouco inteligente. Caso esses pensamentos negativos não sejam controlados, podem provocar ansiedade geral, social e depressão. 

Nesse sentido, a psicóloga Narriman Basílio complementa com a afirmação de que pessoas com TDAH são mais propensas a autossabotagem, pois elas têm uma tendência natural a esquecer ou deixar tarefas incompletas. Porém, ela ressalta que existem ferramentas para driblar a autossabotagem. “Para os TDAHs, é muito necessário que você identifique suas habilidades e utilize-as como pontes para superar suas dificuldades. Por exemplo, se eu tenho limitações no esporte, qual outra atividade corporal eu poderia procurar me engajar e que fosse algo mais positivo?”, explica a psicóloga.

Além disso, Narriman cita que a autossabotagem pode envolver duas questões: a dificuldade de pessoas com TDAH de trabalhar em grupo e a influência do ego e da vergonha para pedir ajuda. “Compensa alimentar seu ego e gastar horas e horas fazendo um trabalho exatamente do jeito que você pensou na sua cabeça, ou dividir as funções com outras pessoas para terminar essa tarefa em um tempo razoável, mesmo que não fique do jeito que você imaginou?”, questiona.

Segundo a psicóloga, pessoas com TDAH tendem a cometer erros por descuido aos detalhes. Por isso, ela sugere a adoção diária de técnicas do mindfulness, visando trazer a atenção mental para o tempo presente. Algumas dessas técnicas incluem fechar os olhos e prestar atenção em sensações físicas ou respirar com um ritmo específico, como permanecer cinco segundos inspirando e outros cinco expirando, por exemplo. 

Citando um texto publicado no site da psicóloga clínica Sharon Saline, Alpin cita que um método eficaz para driblar a autossabotagem é substituir o pensamento negativo por um pensamento positivo ou encorajador. Porém, Sharon não é uma pessoa diagnosticada com TDAH, e a psicóloga Narriman Basílio ressalta que os desafios são outros para pacientes neurodivergentes. “Eu busco criar estratégias para que o paciente não se sinta frustrado na terapia e se sinta engajado em fazer as atividades. Eu gosto muito de fazer um método chamado role play, que seria reproduzir, na terapia, uma questão que é um gatilho. Por exemplo, eu coloco meu paciente como advogado de defesa desse pensamento autossabotador, e eu atuo com evidências. Talvez você não lembre da teoria, mas é mais fácil lembrar da dinâmica durante o consultório, porque se torna uma memória afetiva.”

Por isso, Narriman ressalta a importância da terapia para combater a autossabotagem e proporcionar mais qualidade de vida para as pessoas, sejam neurotípicas ou neurodivergentes. “É incrível como as pessoas vão florescendo a partir do autoconhecimento”, afirma.

O que é o Podcast Distraídos? 

Nos episódios do podcast, os hosts Alpin Montenegro e Erick Mota contam as curiosidades sobre o universo de quem é TDAH, autista e demais neurodivergências, que se referem a todas as possíveis variações no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. O termo neurodivergência foi criado e popularizado a partir de 1998, pela socióloga Judy Singer. No episódio de estreia do Podcast Distraídos, Alpin Montenegro e Erick Mota falam sobre como o TDAH impactou na vida deles e trazem relatos de outros TDAHs. 

De maneira geral, a proposta do podcast é proporcionar o compartilhamento de vivências e informações sobre o TDAH. Alpin Montenegro é TDAH, autista e digital influencer com o @blackautie em todas as redes sociais. Já Erick Mota também é TDAH, além de ser empreendedor e jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação. Está em todas as redes no @erickmotaporai.

Pensando em mobilizar uma rede de apoio concreta, capaz de ajudar os ouvintes do podcast a buscarem um diagnóstico adequado e a conviverem com o TDAH sem perder a qualidade de vida, o podcast Distraídos criou um grupo no Telegram chamado Hiperfocados, com especialistas e outros neurodivergentes. Como o Distraídos é uma iniciativa independente, o grupo no Telegram é uma vantagem para os ouvintes que quiserem contribuir com algum valor, em dinheiro, para a produção do podcast através do Apoia.se. Você pode colaborar com qualquer valor acessando o apoia.se/podcastdistraidos

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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