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TDAH e hate são debatidos no Podcast Distraídos dessa semana

TDAH e hate são debatidos no Podcast Distraídos dessa semana
(Foto: Podcast Distraídos - Divulgação)

Com o aumento do discurso de ódio nas redes, muitos produtores de conteúdo têm enfrentado dificuldades para lidar com críticas violentas e manifestações de desrespeito e preconceito, realizadas por pessoas que visam descredibilizar o trabalho que atacam. Por isso, no episódio 15 do Podcast Distraídos, Erick Mota e Alpin Montenegro convidam o digital influencer, estudante de psicologia e TDAH Mariano Danilo, também exposto a manifestações de violência ou hate, na língua original, em suas redes sociais TDAHDislex.

Nesse sentido, o host Erick Mota apresenta estatísticas que comprovam o aumento de discursos de ódio na internet, como o recebimento de 4.476 denúncias de neonazismo nas redes em 2021, segundo a  Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos da Safernet. Esse número de registros representa um aumento de 61% em comparação a 2020, que teve 9.004 manifestações. Outra estatística apresentada é o maior registro dos últimos 11 anos de casos de pornografia infantil, com 101.833 denúncias. Já o conteúdo de ódio contra a população LGBTQIA+, por sua vez, foi denunciado mais de 5 mil vezes. 

Ainda, Erick cita uma matéria publicada em fevereiro deste ano no Diário de Pernambuco: “O advogado criminalista Victor Trajano reforça: ‘não existe nenhum direito que seja absoluto. No direito, assim como na vida, há limite para tudo. O limite da liberdade de expressão é a lei. Não se pode, em nome da liberdade de expressão, cometer crimes. Exaltar o Nazismo, por exemplo, é crime””, relembra o host.

Para a host Alpin Montenegro, a internet tornou-se um ambiente mais hostil após a pandemia de Covid-19, quando começou a produzir conteúdo para a internet. Já para Danilo, o hate começou quando abordou pautas mais polêmicas nas redes, como temas políticos. “Eu tive que fazer isso, porque querendo ou não, falar de TDAH também é falar de política, muitas vezes”. Um exemplo foi quando Danilo fez um post de repúdio à morte de George Floyd, no qual um seguidor lhe criticou dizendo que aquele perfil “era um espaço para falar de TDAH de forma científica, e não para militância”. Como pessoa negra, Danilo se incomodou profundamente com esse hate, pois o assassinato brutal de Floyd lhe tocou em um aspecto de desrespeito à mera existência de pessoas negras. 

Embora algumas críticas lhe doam, Danilo afirma que tem uma natureza de defesa que lhe faz esquecer do hate rapidamente. Ele explica que dificilmente se machuca com ataques na internet por pensar que o hate já é, em si, uma forma de aumentar o compartilhamento de seu conteúdo e ajudá-lo profissionalmente, mesmo que envolto em críticas. “Na minha visão, quanto maior o número de pessoas que visualizem, melhor. Eu não sei quem disse essa frase, mas na minha opinião, não existe propaganda ruim. Para mim, não interessa que foi preciso muito hate para um post meu chegar aos trending topics do Twitter, o importante é que chegou.” 

Já para Erick, que tende a adotar um posicionamento mais polêmico nas redes sociais, a primeira reação diante do hate é ignorar comentários absurdos, relacionados a fanatismo político ou negacionismo científico. Porém, quando é criticado por pessoas que considera e respeita, tende a se decepcionar consigo mesmo, o que estimula sua baixa autoestima e o sentimento de culpa. A host Alpin, por sua vez, tende a não ler os comentários que fazem em suas redes sociais, mas um hate recente lhe machucou tanto a ponto de fazê-la cogitar a ideia de se suicidar. Ela sentiu que o hate aumentou muito na pandemia e que continua crescendo absurdamente, mesmo com as pessoas voltando à vida normal.

Nesse sentido, Danilo afirma que interpreta os comentários negativos de maneira mais pragmática, se ‘livrando’ de qualquer resquício de culpa pessoal pelo hate. “Uma das frases que eu gosto muito de usar com alguém que me dá hate é: ‘beleza, alguém está te acorrentando aqui?’ Vai viver sua vida, você que está em um ambiente que não é seu, que é minha conta pessoal. Se você não concorda, tchau!”, afirma. Além disso, por abordar poucas vezes o tema político, Danilo conta: “no TDAHDislex, falando sobre TDAH, eu recebo muito mais abraço do que hate.”

Dessa forma, Erick relembra que o discurso de ódio é um crime, e pode ser denunciado nas delegacias de crimes cibernéticos, no Disque 100 ou pela plataforma Safernet (new.safernet.org.br/denuncie). A Safernet é uma plataforma que recebe denúncias anônimas de crimes e violações contra os Direitos Humanos na Internet, que são encaminhadas de forma transparente às autoridades.

Por fim, Erick, Alpin e Danilo ressaltam a importância de ter uma rede de apoio, entre amigos e apoiadores nas redes, para conseguir lidar com manifestações mais pesadas de hate. 

Ouça no Anchor.

O que é o Podcast Distraídos? 

Nos episódios do podcast, os hosts Alpin Montenegro e Erick Mota contam as curiosidades sobre o universo de quem é TDAH, autista e demais neurodivergências, que se referem a todas as possíveis variações no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. O termo neurodivergência foi criado e popularizado a partir de 1998, pela socióloga Judy Singer. No episódio de estreia do Podcast Distraídos, Alpin Montenegro e Erick Mota falam sobre como o TDAH impactou na vida deles e trazem relatos de outros TDAHs. 

De maneira geral, a proposta do podcast é proporcionar o compartilhamento de vivências e informações sobre o TDAH. Alpin Montenegro é TDAH, autista e digital influencer com o @blackautie em todas as redes sociais. Já Erick Mota também é TDAH, além de ser empreendedor e jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação. Está em todas as redes no @erickmotaporai.

Pensando em mobilizar uma rede de apoio concreta, capaz de ajudar os ouvintes do podcast a buscarem um diagnóstico adequado e a conviverem com o TDAH sem perder a qualidade de vida, o podcast Distraídos criou um grupo no Telegram chamado Hiperfocados, com especialistas e outros neurodivergentes. Como o Distraídos é uma iniciativa independente, o grupo no Telegram é uma vantagem para os ouvintes que quiserem contribuir com algum valor, em dinheiro, para a produção do podcast através do Apoia.se. Você pode colaborar com qualquer valor acessando o apoia.se/podcastdistraidos

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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