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TDAH e o processo criativo é debatido com Thata Finotto no Podcast Distraídos dessa semana

TDAH e o processo criativo é debatido com Thata Finotto no Podcast Distraídos dessa semana

Embora o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) esteja entre os transtornos mentais mais estudados do mundos, as constatações sobre a criatividade de quem tem TDAH ainda são poucas e imprecisas. Por isso, no episódio 03 do Podcast Distraídos, Erick Mota e Alpin Montenegro debatem o funcionamento, potencialidades e vantagens do processo criativo em pessoas com TDAH com a criadora do primeiro podcast sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o Tribo TDAH.

Segundo um dos pesquisadores mais renomados sobre TDAH, Dr. Russel Barkley, as pessoas com o transtorno não são mais ou menos criativas que pessoas neurotípicas, isto é, que não foram diagnosticadas com transtornos mentais. Porém, outras pesquisas questionam essa observação, afirmando que pessoas com TDAH podem ser mais criativas do que o restante da população devido a falha na inibição do córtex pré-frontal, que causa a dispersão do pensamento. Por isso, as mentes dos TDAHs têm potencial para serem mais abertas ao novo, o que proporciona mais condições para ‘insights’ criativos.

Para Thata, a criatividade de um TDAH se manifesta em pequenas situações diárias, principalmente em momentos que exigem uma resolução rápida de problemas. “A criatividade consiste em, por exemplo, ‘seu chuveiro quebrou em casa, o que você vai fazer para não tomar um banho frio?’. Nesse caso, enquanto uma pessoa neurotípica pensa em comprar um chuveiro novo, a resposta dos TDAHs é colar o chuveiro com fita, cadarço do tênis, qualquer coisa!”, comenta.

No entanto, Alpin, Erick e Thata destacam a influência do ambiente na criatividade das pessoas com TDAH. “É muito louco como nós, mesmo adultos, usamos a criatividade para tentar nos adaptar. Eu trabalhei anos como repórter de uma grande rede cobrindo política, que é um assunto que eu não gostava, e abandonei a fotografia, que era algo que eu gostava muito”, contou Erick ao relatar que, durante anos, se espelhou inconscientemente no comportamento da jornalista e sua esposa, Kelli Kadanus, para se adaptar profissionalmente. “Eu ainda vivo uma grande crise de identidade, e tudo porque fui diagnosticado com TDAH e comecei a fazer terapia”, recomendou Erick.

Além disso, o episódio alerta sobre a oferta de cursos on-line que propõem a reprogramação mental de pessoas com TDAH, os quais são elaborados sem comprovação científica. “TDAH é composto por fases muito boas ou muito ruins, que literalmente arruínam sua vida. É difícil, é uma droga, mas lógico, tem horas que você usa isso a seu favor, como é o caso da criatividade. Mas quando chega alguém e fala ‘não precisa ser difícil, isso está acontecendo porque você quer e eu tenho a solução’, quanta gente não vai pagar por esse curso?”, problematiza Thata.

Sobre o Podcast Distraídos

Nos episódios do podcast, os hosts Alpin Montenegro e Erick Mota contam as curiosidades sobre o universo de quem é TDAH, autista e demais neurodivergências, que se referem a todas as possíveis variações no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. O termo neurodivergência foi criado e popularizado a partir de 1998, pela socióloga Judy Singer. No episódio de estreia do Podcast Distraídos, Alpin Montenegro e Erick Mota falam sobre como o TDAH impactou na vida deles e trazem relatos de outros TDAHs. 

De maneira geral, a proposta do podcast é proporcionar o compartilhamento de vivências e informações sobre o TDAH. Alpin Montenegro é TDAH, autista e digital influencer com o @blackautie em todas as redes sociais. Já Erick Mota também é TDAH, além de ser empreendedor e jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação. Está em todas as redes no @erickmotaporai.

Pensando em mobilizar uma rede de apoio concreta, capaz de ajudar os ouvintes do podcast a buscarem um diagnóstico adequado e a conviverem com o TDAH sem perder a qualidade de vida, o podcast Distraídos criou um grupo no Telegram chamado Hiperfocados, com especialistas e outros neurodivergentes. Como o Distraídos é uma iniciativa independente, o grupo no Telegram é uma vantagem para os ouvintes que quiserem contribuir com R$ 10,00 ou mais, em dinheiro, para a produção do podcast através do Apoia.se. Você também pode colaborar com qualquer valor acessando o apoia.se/podcastdistraidos, ou enviando um pix para podcastdistraidos@gmail.com.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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