fbpx

TDAH e solidão: a dificuldade de manter amizades para neurodivergentes

TDAH e solidão: a dificuldade de manter amizades para neurodivergentes
Depressão, suicidio

Pessoas diagnosticadas com algum tipo de transtorno neurológico, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), encontram maior resistência no momento de firmar uma relação com alguém. Amoroso ou não, todo relacionamento que envolve algum nível de afeto possui maiores fragilidades. Essa situação é descrita tanto pelos relatos de TDAHs quanto pela ciência, que vai a fundo para entender a dinâmica das questões interpessoais que orbitam a vida de quem é neurodivergente.

Apesar de muitos TDAHs receberem a confirmação médica da presença do transtorno apenas na vida adulta, a condição é associada principalmente às crianças. Essa parte da população é alvo de estudos relacionados à forma como as relações de amizade entre neurodivergentes e neurotípicos são formadas.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e publicada em 2015 mostrou que as crianças com o transtorno analisadas procuravam por amigos com comportamentos socialmente esperados. “Agir de forma educada” e “não fazer movimentos bruscos”, conforme a pesquisa, eram fatores decisivos para que os neurodivergentes se sentissem confortáveis e dispostos para estabelecer amizades. Essa condição, por si só, restringe os círculos de relacionamento. A explicação pode estar no fato de, em geral, crianças com TDAH serem mais supervisionadas por responsáveis no dia a dia. 

No entanto, as motivações para as dificuldades para fazer amizades, que se estendem ao longo da vida, também estão na forma como TDAHs se comunicam. Em uma conversa entre duas ou mais pessoas, por exemplo, neurodivergentes são menos capazes de considerar a perspectiva dos demais envolvidos, indica um estudo desenvolvido pela Universidade de Waterloo, no Canadá.

Com mais dificuldades para que o diálogo seja estabelecido, os laços afetivos que constroem as amizades de pessoas TDAHs tornam-se mais fracos e suscetíveis a se romperem. Além disso, a partir dessa constatação, a forma como neurodivergentes encaram relações interpessoais tende a ser mais unilateral. A tomada de decisões leva em consideração apenas a perspectiva do próprio neurodivergente. A consequência é o surgimento de uma postura egocêntrica.

Além disso, os mesmos pesquisadores de Waterloo entendem que esse quadro pode estar relacionado ao fato de TDAHs encontrarem mais dificuldades em relações sociais complexas, o que limita o próprio indivíduo.

Exemplos de situações que podem acontecer dentro de uma relação com um TDAH é parecer que ele não ouve, não percebe sentimentos do outro e se esquece de datas e momentos importantes para a pessoa. A sensação de indiferença por parte do neurodivergente pode aparecer com mais intensidade. O mesmo se dá em relações amorosas, com maiores chances do parceiro neurotípico se sentir insatisfeito.

Para entender mais sobre como esses desafios para manter amizades surgem na vida de neurodivergentes, confira o episódio desta semana do Podcast Distraídos, com a influenciadora digital Alpin Montenegro (@blackautie) e jornalista Erick Mota (@erickmotaporai). O projeto é uma iniciativa original do Regra dos Terços. Ouça no Spotify e em demais agregadores de podcast, como o Anchor.

Eduardo Veiga

Estudante de Jornalismo e redator freelancer. Já trabalhou em Rádio Banda B, Portal Banda B e publicou no Jornal Plural. Atualmente, é estagiário no Regra.

Deixe uma resposta

La Brea da vida real Macabras pedras da fome surgem na Europa 3 músicos independentes que você precisa conhecer O que você não sabe sobre povos indígenas ​9 curiosidades sobre seu gato
%d blogueiros gostam disto: