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TDAH, autismo e inclusão escolar são debatidos no Podcast Distraídos

TDAH, autismo e inclusão escolar são debatidos no Podcast Distraídos

A maioria das escolas e instituições de Ensino Superior ainda rotulam eventuais dispersões e demais traços do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e autismo como “falta de interesse” em vez de dificuldade de concentração. Por isso, no episódio 05 do Podcast Distraídos, Erick Mota debate a relação entre TDAH, autismo e inclusão escolar com a pedagoga Alessandra Cristina Drago. 

Alessandra é pedagoga especializada na inclusão dos transtornos de neurodesenvolvimento e suas comorbidades, área que estuda desde sua formação primária. Sua atuação foi motivada pelo desejo de ampliar a inclusão de pessoas neurodivergentes nas escolas, e não necessariamente por questões pessoais, pois Alessandra é neurotípica, ou seja, não possui nenhuma neurodivergencia.

Nesse sentido, Erick Mota ressalta que uma das principais marcas da invisibilidade do transtorno na sociedade é, ao mesmo tempo, o principal empecilho para a inclusão de pessoas neurodivergentes na escola: a falta de interesse e informação sobre o universo dos TDAHs. “A maioria das pessoas que são neurotípicas não se interessam por TDAH. Eu mesmo, me tirando como péssimo exemplo, nunca tinha parado para pensar sobre esse mundo até o momento que eu descobri que era neurodivergente”, relata.

Nesse sentido, a pedagoga Alessandra Drago afirma que a inclusão e o tratamento de deficiências invisíveis, como as psicológicas, carecem ainda mais de medidas inclusivas do que deficiências visuais, isto é, aquelas que são perceptíveis fisicamente. “As deficiências invisíveis dificultam a inclusão, devido ao costume que temos de ‘ver para crer’. Hoje, as escolas estão despreparadas para incluir pessoas neurodivergentes, pois ainda é um tabu falar sobre TDAH, autismo e outros transtornos mentais.”

Além disso, o Brasil carece de medidas para proporcionar a inclusão de pessoas com deficiência, sejam elas físicas ou psicológicas. A inclusão pode ser definida como a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós.  

A educação inclusiva, portanto, acolhe todas as pessoas, e não as isola, ao contrário de uma das declarações capacitistas do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que alegou que a inclusão de alunos com necessidades especiais em salas de aula convencionais “atrapalha” o aprendizado de outras crianças sem a mesma condição.

Porém, Erick Mota ressalta que a inclusão não é caridade:  é um direito. “A inclusão é uma responsabilidade de todos nós, não só do ministro da Educação, do presidente da República, mas de todos nós. Principalmente quando postamos um vídeo sem legenda, uma imagem sem descrição e projetamos espaços não adaptados para pessoas com deficiência”, explica.

Para Alessandra, a formação de profissionais qualificados é essencial para ampliar a inclusão de pessoas neurodivergentes nas salas de aula. “Quando vamos para as faculdades de pedagogia, temos poucos estudos sobre a área de inclusão. Por isso, temos uma massa de profissionais que olham para crianças hiperativas e dizem  que isso é falta de limite”, afirma a pedagoga. Outra medida complementar, além da capacitação profissional, consiste em aumentar o número de profissionais nas escolas, pois é inviável que apenas um professor ou professora conceda o mesmo nível de atenção para a média de mais de 30 ou 40 estudantes neurotípicos e neurodivergentes em cada sala de aula.

Ouça no Spotfy:

Ouça no Anchor.

O que é o Podcast Distraídos? 

Nos episódios do podcast, os hosts Alpin Montenegro e Erick Mota contam as curiosidades sobre o universo de quem é TDAH, autista e demais neurodivergências, que se referem a todas as possíveis variações no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. O termo neurodivergência foi criado e popularizado a partir de 1998, pela socióloga Judy Singer. No episódio de estreia do Podcast Distraídos, Alpin Montenegro e Erick Mota falam sobre como o TDAH impactou na vida deles e trazem relatos de outros TDAHs. 

De maneira geral, a proposta do podcast é proporcionar o compartilhamento de vivências e informações sobre o TDAH. Alpin Montenegro é TDAH, autista e digital influencer com o @blackautie em todas as redes sociais. Já Erick Mota também é TDAH, além de ser empreendedor e jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação. Está em todas as redes no @erickmotaporai.

Pensando em mobilizar uma rede de apoio concreta, capaz de ajudar os ouvintes do podcast a buscarem um diagnóstico adequado e a conviverem com o TDAH sem perder a qualidade de vida, o podcast Distraídos criou um grupo no Telegram chamado Hiperfocados, com especialistas e outros neurodivergentes. Como o Distraídos é uma iniciativa independente, o grupo no Telegram é uma vantagem para os ouvintes que quiserem contribuir com algum valor, em dinheiro, para a produção do podcast através do Apoia.se. Você pode colaborar com qualquer valor acessando o apoia.se/podcastdistraidos

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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