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TDAH na vida adulta é debatido com a psicóloga Ana Bodanese

TDAH na vida adulta é debatido com a psicóloga Ana Bodanese
Distraídos recebe a psicóloga Ana Bodanese para falar de TDAH na vida adulta

Apesar de o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) estar entre os transtornos mentais mais estudados do mundo, o principal estigma em relação ao transtorno é associá-lo apenas a crianças e adolescentes rotulados como “problemáticos”, por serem agitados demais e terem dificuldade para se concentrar na escola. Por isso, no episódio 04 do Podcast Distraídos, Erick Mota e Alpin Montenegro debatem como conviver com TDAH na vida adulta e os impactos do diagnóstico tardio com a psicóloga Ana Bodanese.

Ao contrário do que o estigma social propaga, Erick Mota ressalta que não são apenas crianças que têm TDAH. Portanto, como o transtorno não tem cura, uma criança que nasce com TDAH segue com a mesma condição na fase adulta. A psicóloga Ana Bodanese, inclusive, foi diagnosticada tardiamente. Ela se descobriu ao preencher um teste psicológico que compunha a pesquisa científica de uma amiga, que a alertou a respeito de fatos presentes no teste que apontavam para o diagnóstico de TDAH. 

Para Ana, seu diagnóstico foi tardio porque o TDAH ainda é muito associado a dificuldades escolares e raramente é analisado em termos de falhas de memória e comportamentos ansiosos. “O que a gente nota muito no TDAH são dificuldades escolares, mas eu não tinha essas dificuldades porque sou muito curiosa. Eu gosto de história, gosto de falar e de ler, mas eu não conseguia entregar um único trabalho no prazo correto, simplesmente porque eu esquecia da entrega”, relata a psicóloga.

Nesse sentido, Ana relata que seus comportamentos ansiosos foram, inclusive, os alertas que ela notava durante sua rotina. “Como eu era uma boa aluna, ninguém nunca percebeu meu TDAH. Só que, quando eu tinha algum tipo de sobrecarga de rotina, minha ansiedade disparava, porque eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ia falhar. Esse medo de falhar é o que todo TDAH tem, porque a gente sabe que isso vai acontecer”, descreve Ana.

Além disso, Erick aponta um dos principais desafios da vida adulta: os relacionamentos de amizade e amorosos com pessoas neurotípicas, isto é, com pessoas sem TDAH. Alpin Montenegro, que também é TDAH, afirma que quando alguma pessoa não compreende sua condição e não age com empatia diante das dificuldades de ser neurodivergente, “não há porque perder tempo com essa pessoa”.

Para a psicóloga Ana Bodanese, não é necessário fechar-se em um círculo social composto apenas por outras pessoas diagnosticadas com TDAH. Ana sugere adotar a psicoeducação. “A psicoeducação consiste em explicar para as pessoas ao nosso redor como o transtorno funciona e a necessidade que um TDAH tem de buscar recompensas rápidas e intensas. E tudo isso depende da terapia, que ameniza os sintomas do TDAH e te dá recursos para ter uma vida normal, principalmente para lidar com horários e questões burocráticas”, ressalta a psicóloga.

Na prática, Ana Bodanese recomenda a adoção da terapia cognitivo comportamental (TCC) para conhecer e adotar recursos de organização da rotina, para que o adulto com TDAH consiga lidar com eventuais lapsos de atenção, crises de ansiedade, falhas de memória e atrasos em compromissos. 

“A TCC cria estratégias para que o paciente consiga adotar rotinas, agendas e cronogramas na vida. A ideia é que a terapia te ajude a conseguir se autorregular. Essa autorregulação pode vir através de vários recursos, como o uso de um aplicativos de agenda, de uma programação com horários um pouco mais flexíveis, da capacidade de dizer ‘não’ e elencar prioridades na rotina”, explica a psicóloga.

O que é o Podcast Distraídos? 

Nos episódios do podcast, os hosts Alpin Montenegro e Erick Mota contam as curiosidades sobre o universo de quem é TDAH, autista e demais neurodivergências, que se referem a todas as possíveis variações no cérebro humano em relação à sociabilidade, aprendizagem, atenção, humor e demais funções cognitivas. O termo neurodivergência foi criado e popularizado a partir de 1998, pela socióloga Judy Singer. No episódio de estreia do Podcast Distraídos, Alpin Montenegro e Erick Mota falam sobre como o TDAH impactou na vida deles e trazem relatos de outros TDAHs. 

De maneira geral, a proposta do podcast é proporcionar o compartilhamento de vivências e informações sobre o TDAH. Alpin Montenegro é TDAH, autista e possui altas habilidades e superdotação. Ela é digital influencer com o @blackautie em todas as redes sociais. Já Erick Mota também é TDAH, além de ser empreendedor e jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação. Está em todas as redes no @erickmotaporai.

Pensando em mobilizar uma rede de apoio concreta, capaz de ajudar os ouvintes do podcast a buscarem um diagnóstico adequado e a conviverem com o TDAH sem perder a qualidade de vida, o podcast Distraídos criou um grupo no Telegram chamado Hiperfocados, com especialistas e outros neurodivergentes. Como o Distraídos é uma iniciativa independente, o grupo no Telegram é uma vantagem para os ouvintes que quiserem contribuir com algum valor, em dinheiro, para a produção do podcast através do Apoia.se. Você pode colaborar com qualquer valor acessando o apoia.se/podcastdistraidos

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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