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O polêmico touro da 15th street

O polêmico touro da 15th street
Foto: Reprodução/Twitter

Olá querido leitor/querida leitora! Tudo bem com você? Para a felicidade de todos nós, os efeitos da pandemia de Covid-19 têm dado sinais de enfraquecimento ao redor do globo. Como tem sido na sua cidade? Na coluna de hoje, entraremos em uma discussão filosófica e polêmica que envolve touros, bolsa de valores e o sistema econômico que vivemos. Todas as minhas colunas anteriores podem ser acessadas nesse link aqui.

Para contextualizar: no última dia 16, a bolsa de valores de São Paulo – Brasil, Bolsa, Balcão ou B3 – inaugurou, em frente à sua sede, na rua XV de novembro, uma escultura de um touro dourado, fruto da parceria entre o economista, apresentador e Youtuber Pablo Spyer, e o artista plástico Rafael Brancatelli. Nas palavras do atual CEO da companhia, Gilson Finkelsztain, “O Touro de Ouro representa a força e a resiliência do povo brasileiro. A B3 está trazendo esse novo símbolo para valorizar não apenas o centro de São Paulo, mas o desenvolvimento do mercado de capitais do Brasil, que passa pela própria história da bolsa”. A escultura também faz uma clara alusão a outro touro, esse mais famoso, presente no distrito financeiro de Manhattan, em Nova Iorque.

Talvez a inauguração passasse despercebida não fosse a ação – não tão – imprevisível de movimentos sociais, que vandalizaram a escultura por dois dias seguidos, colando cartazes e pichando palavras de ordem. Em posts das redes sociais, grupos como o movimento Juventude Fogo no Pavio e o MTST Brasil justificaram a ação por serem “contra o lucro e acumulação de riquezas” e a favor da “luta da classe trabalhadora” e de “taxar os ricos”. Antes de entrarmos em nossa discussão propriamente dita, vale a reflexão: é justo depredar e vandalizar patrimônio alheio por mais digna que seja sua causa?

Podemos encontrar diversas justificativas do porquê desse ato, mas uma delas é central: a existência de pessoas muito ricas, do ponto de vista dos manifestantes, necessariamente implica na exploração das pessoas pobres, derivada do sistema econômico capitalista, que nada mais é do que um jogo de soma zero. A conclusão é errônea, e atacar uma escultura associada a bolsa de valores de um país é mirar no inimigo errado, caso a intenção realmente seja ajudar os mais pobres.

Paremos para refletir por um momento: será que pessoas de alto patrimônio, na realidade, não geram riqueza e distribuição de renda, ao possibilitar emprego a milhares de pessoas em seus empreendimentos? Será que uma bolsa de valores não permite o enriquecimento de milhares de pessoas, ao possibilitar que o investidor comum seja sócio de grandes empresas que distribuem regularmente seus lucros? Será que o grande gerador de desigualdade e pobreza em um país não seria justamente a classe política, ao impor altos impostos nos produtos que uma família de baixa renda tem dificuldade em pagar para prover sua subsistência?

Para finalizar, convido o leitor/a leitor a refletir por um momento sobre o pano de fundo que ambientou a situação que descrevemos, assistindo a esse podcast, e levando em conta o anacronismo que algumas ideias – como a de que a economia é um jogo de soma zero – persistem em ter.

Até a próxima semana!

Henrique Costa

Henrique Costa é engenheiro eletricista formado pela UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Atua no setor industrial e de energias renováveis há cerca de 10 anos. Entusiasta do mundo dos investimentos, aprendeu desde cedo que poupar e investir é um dos melhores caminhos para se atingir os objetivos da vida. No Regra dos Terços é autor da coluna “Pra que investir?”

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