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Trajetória de Milton Gonçalves: ator, candidato a governador e ativista negro

Trajetória de Milton Gonçalves: ator, candidato a governador e ativista negro
Milton Gonçalves, ator, diretor e ativista negro (Foto: divulgação)

Ator premiado, ícone da TV brasileira, Milton Gonçalves morreu nesta segunda-feira (30), aos 88 anos. O que nem todo mundo sabe, é que a vida de Milton foi recheada por muita luta contra o racismo, ao ponto do também diretor sair candidato ao governo do Rio de Janeiro em 1994, pelo PMDB.

Em entrevista ao programa Grandes Atores, do canal Viva, em 2015, Milton contou alguns episódios de racismo quando iniciou sua carreira na TV. “Um belo dia, em 1958, caí nessa cidade maravilhosa. Fui a um bar no posto 1, e o garçom perguntou se eu queria tomar um chope. Isso para mim, que era todo problemático com a questão do preconceito e desrespeito, o medo da autoridade, não é que mudou, mas mexeu muito comigo. Pensei ‘posso ir a algum lugar que sou convidado para sentar'”, conta. O ator foi militante fervoroso pelos direitos das pessoas pretas.

Em entrevista publicada pela revista Extra, em 2019, Milton conta o que o levou a entrar para a política. “O que me falta no meu Brasil, o que me deixaria alegre é que nós tivéssemos um presidente negro, porque nós somos um percentual grande neste país. No dia em que nós tivermos um presidente negro, aí eu vou dizer: nós batalhamos”, disse.

O ex-presidente Barack Obama era grande inspiração para Milton Gonçalves. “Os Estados Unidos tiveram um presidente negro e nós não temos? Para mim, isso me incomoda. Não interessa se vão ficar zangados, se vão dizer que sou racista. Quero é que nosso povo brasileiro, que é de índios, negros, orientais, estejamos todos juntos. Que felicidade grande quando você chega nos Estados Unidos, vem aquele negão, com a mulher dele, as duas filhas e ele é presidente. Fiquei muito emocionado. E nós aqui não conseguimos botar um”, disse à Extra.

Ele também contou para a revista que foi privado de frequentar alguns estabelecimentos devido ao racismo. “Onde eu morava, em São Paulo, era um lugar de negros. Tinham lugares que não podíamos colocar o pé. Não me deixaram entrar no cinema, porque eu era negro. Houve um tempo em que toda mulher negra era prostituta. A minha mulher, que era branca, era desrespeitada quando dizia que o marido era negro”, falou.

Milton Gonçalves ficou conhecido por trabalhos marcantes na teledramaturgia brasileira, como em “O bem-amado” (1973), “Pecado capital” (1975) e “Sinhá Moça” (1986). Segundo seus familiares, ele morreu em casa por volta de 12h30, por consequências de problemas de saúde decorrentes de um AVC sofrido em 2020.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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