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Um irmão pra chamar de meu

Um irmão pra chamar de meu
Foto: Pixabay

Nestes tempos confusos e difíceis que venho passando – quem recebe nossa newsletter toda semana sabe que eu estou vivendo um luto – percebi que a melhor coisa que meu pai fez na vida, foi ter me dado um irmão.

Diante da solidão que se instalou na minha rotina com o falecimento da minha melhor amiga, minha avó, meu irmão se mostrou uma pessoa que eu já imaginava que ele fosse, mas tinha aquela sensação de: será que eu não tô superestimando? Hoje respondo com certeza: não estou. Meu irmão é perfeito? Obviamente que não. Mas ele tem sido uma das pessoas que mais vem se dedicando em me ver e me fazer feliz. Ele simplesmente largou sua vida que é muito mais interessante do que me ver chorando e resolvendo as coisinhas que a vovó deixou aqui, e ficou comigo todo esse tempo, desde o internamento dela até 15 dias depois de seu falecimento. Vamos viajar um mês, na tentativa de me fazer respirar um pouco e alinhar melhor meus pensamentos. Ele me pergunta diariamente o que eu preciso, como estou, como ele pode ajudar a amenizar essa dor, ainda que nele também esteja doendo.

Meu irmão repetiu todos esses dias, do jeito tímido e meio sem graça dele, que eu não estou sozinha. Está tudo bem, ele repete. Fez piada, deitou comigo na cama enquanto eu chorava, segurou minha mão enquanto nos despedíamos da nossa avó, foi meu porto seguro. Não que já não fosse antes. E eu, que sempre fui tão magoada com nosso pai, hoje sou grata. Que bom que ele me deu um irmão, e não só isso, que de alguma forma o universo me fez ser irmã justamente do Uriel, que tem nome e cara de anjo, e exerce esse papel na minha vida atualmente.

E, pouco a pouco, acho que até consigo amenizar minhas feridas com meu pai. Meu irmão me cura todos os dias de alguma forma. Seja com o meu passado, seja com meu futuro e com esse presente de agora, que eu estou precisando lidar. O “mano”, como eu o chamo, é minha herança e nossa avó sempre fez questão de nos manter perto, de nos mimar, de nos colocar no colo e sempre estar ao nosso redor nos fazendo sentir todo (e o dobro de todo) amor que nunca recebemos do nosso pai. Nossa avó foi sempre nossa ponte, nossa melhor amiga. E que bom que a vida nos mostrou todos os dias que ela estava certa ao nos dizer para sempre nos mantermos juntos.

Olha só, Vó, o que a senhora plantou. Uma semente entre dois irmãos que hoje celebram você em cada passo que dão. Obrigada, vida. Obrigada você que nos lê toda semana.

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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