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A vila fantasma que você precisa conhecer na Itália

A vila fantasma que você precisa conhecer na Itália
(Foto: Jonathan Fors)

Fundada pelos povos etruscos há 2,5 mil anos, a vila Civita di Bagnoregio tornou-se um local desabitado desde 1695, quando um terremoto vitimou a maior parte da população, que vivia no alto de um platô instável na província de Viterbo, no Lácio, 120 quilômetros ao norte de Roma. Porém, a medida administrativa da vila de cobrar uma entrada turística incrementou o movimento na região, fazendo com que Civita atraísse três mil turistas por dia, mesmo tendo apenas 10 moradores fixos.

Atualmente, a taxa de entrada é de cinco euros e é completamente revertida em investimentos na infraestrutura da vila. Os moradores de Civita não pagam impostos municipais e, por isso, o desemprego atingiu menos de 1% e a cidade conta com diversos pequenos negócios voltados ao turismo, como restaurantes e pousadas. A localização de Civita é propícia para excursões de um dia ou para uma parada na rota turística entre Roma e Florença. Por isso, a maioria das agências de turismo costuma incluí-la em seus itinerários, dando tempo para os turistas cruzarem a ponte de Civita, tirarem umas fotos e retornarem ao ônibus.

Embora a vila enfrente terremotos, deslizamentos de terra e erosão há séculos, que quase exterminaram a população do vilarejo, sua localização no alto de um platô favorece a realização de eventos, festivais culturais e outras atrações. Após o terremoto de 1695, outros desmoronamentos separaram Civita e Bagnoregio, o que deu ao local a atual aparência de uma ilha flutuante fantasmagórica. Durante a Idade Média, antes deste desastre natural, a cidade tinha 3 mil habitantes.

Isolada, Civita virou um distrito de Bagnoregio, e a única forma de chegar à vila é através de uma ponte de pedestres entre Civita e Bagnoregio, para que os moradores tenham acesso a serviços básicos, como mercados e farmácias. Nos anos 1920, eram cerca de 600 habitantes em Civita. Em 1990, ela estava praticamente desabitada. Foi apenas a partir de 2013 que a movimentação em Civita mudou. 

Como a ponte de pedestres é a única forma de acessar a vila, foi necessário instalar apenas um guichê na fronteira para cobrar o passe de acesso dos turistas ao local. Em 2019, eram cerca de dez habitantes, e 1 milhão de visitantes. Até mesmo a pandemia de Covid-19 não impactou a taxa de visitantes no local, pois os turistas estrangeiros foram substituídos pelos locais, favorecendo o turismo regional. 

O local conta uma paisagem natural singular, na qual o rio que corta o vale engole, aos poucos, o morro de baixo para cima. Na composição do solo, há rochas pouco densas em estratos frágeis de areia e argila, chamadas de tufos. Por isso, o solo se torna propício à erosão, fazendo com que pedaços inteiros da cidade despenquem ao longo do tempo, como já aconteceu ao longo da história. 

O aumento de visitantes no local é, inclusive, uma das preocupações dos administradores da vila, pois o centro de Civita já perdeu 30 centímetros de solo em cinco anos com a movimentação de turistas, segundo pesquisa da National Geographic. Nesse sentido, o dinheiro que vem da bilheteria do Museu Geológico de Civita serve tanto para manter a infraestrutura do local quanto para financiar as intervenções de manutenção da estabilidade da falésia em que Civita se debruça. O uso dos recursos foi, inclusive, uma das exigências feitas pela Unesco desde 2017, quando Civita di Bagnoregio tornou-se postulante ao título de patrimônio cultural da humanidade.

Com a mensagem “Visite Civita. Pague uma taxa simbólica de 1,50 euro e ajude a preservá-la”, Civita cresceu exponencialmente como ponto turístico na Itália nos últimos oito anos. Anteriormente chamada pela imprensa local como a “cidade que está morrendo”, Civita passou a receber 25 vezes mais turistas em 2018 do que os 40 mil visitantes que as seis cidades da região de Viterbo, no Lácio, atraíam juntas em 2010. Por isso, a vila tornou-se um exemplo para outras 2,5 mil cidades italianas que enfrentam dificuldades econômicas causadas pela queda da população e pelo êxodo rural. 

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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