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O vinho, o café e a culpa

O vinho, o café e a culpa
Foto: Canva

Hoje eu quero tratar de duas coisas. A primeira é sobre a culpa. A segunda é o ditado sobre escrever bebendo vinho e revisar bebendo café. O que as duas coisas têm em comum? A minha última segunda-feira.

A culpa se manifestou de forma avassaladora ao longo de toda a semana. Começou na segunda-feira, quando eu me senti culpada por parar de trabalhar às oito da noite, depois ter começado de manhã e não parado nem para almoçar. E aí eu entrei uma bad trip me sentindo culpada também por não ter feito yoga, por ter comido pão em dia de semana, por ter esquecido de ligar pra minha mãe no domingo, por não ter feito a unha e por não ter começado um curso novo. Em plena segunda-feira.

Então eu abri um vinho para me sentir menos culpada e decidi escrever pelo menos o texto da newsletter dessa semana, para me sentir produtiva às oito e meia de uma segunda-feira. E eu posso dizer para vocês que é um erro achar que beber vinho ajuda a escrever. Não só não ajudou, como ainda por cima me deixou com sono. Então não teve revisão com café, porque não teve texto com vinho.

O que isso causou? Mais culpa na terça-feira. Culpa por ter “desperdiçado” minha segunda à noite bebendo vinho e assistindo série. Culpa por não ter um texto para a newsletter. E como eu tinha bebido, culpa por acordar – veja bem – trinta minutos mais tarde que o normal. E aí de novo a culpa pela yoga, pela unha, pela minha mãe. Uma hora da tarde de terça-feira e eu já estava almoçando no Mc Donalds porque eu já estava me sentindo culpada por ter comido um pão na segunda, mesmo.

A gente se cobra demais, né? Eu, conscientemente, sei que é um absurdo eu achar que é um problema assistir uma série depois de dez horas trabalhadas. Mas não adianta, a culpa sempre está ali, em formato de lista de tarefas não riscadas do meu planner semanal. Como lidar? Não sei. Estou ajudando alguém com esse texto? Não. Só queria desabafar mesmo sobre como a gente se culpa por coisas bestas todos os dias e não consegue quebrar esse ciclo.

Aceito sugestões.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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