Ícone do site Regra dos Terços

Violência institucional contra povos indígenas no Brasil é destaque no Conselho de Direitos Humanos da ONU

ONU indígenas

Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

Anúncios

Na 49ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), um dos temas em destaque são os impactos letais do discurso de ódio contra povos indígenas no Brasil, tanto a nível social quanto governamental. Entre 28 de março e 1º de abril, lideranças indígenas e organizações indigenistas participarão de sete incidências no evento da ONU para denunciar diversas agressões, como o alto número de mortes durante a pandemia devido à desassistência médica do governo com os povos originários. 

Além disso, o número de invasões de territórios indígenas por grileiros, madeireiros e garimpeiros aumentou significativamente, devido à redução da fiscalização ambiental durante o governo Bolsonaro. O último episódio de violência institucional contra os povos originários ocorreu em Rio Brilhante (MS), dentro de uma área em estudo para a demarcação da terra indígena Brilhantepegua. 

Em retaliação a tentativa de políticos, fazendeiros e sindicatos rurais de estabelecer um assentamento ilegal na fazenda “Inho”, indígenas Guarani e Kaiowá retomaram o território reivindicado como parte do tekoha Laranjeira Nhanderu. Porém, no último sábado (26), essas tribos foram despejadas violentamente pela Polícia Militar do território que aguarda aprovação governamental para ser demarcada. 

Além disso, em 2021, o povo Karipuna foi alvo de constantes invasões e grilagem em sua Terra Indígena, demarcada em Rondônia. Houve um aumento de 44% no desmatamento da região, em comparação ao ano anterior. Por isso, os Karipuna buscaram a Justiça Federal de Rondônia e processaram a União, a Funai e o próprio estado pela devastação da terra indígena. 

Na ONU, a liderança do povo Karipuna, Adriano Karipuna, denunciará a omissão do governo em relação às demandas de sua tribo, que cobra fiscalização, retirada dos invasores, cancelamento de Cadastros Ambientais Rurais (CAR) sobrepostos a Terra Indígena Karipuna e indenização por danos materiais e ambientais.

Além do despejo ou invasão de terras indígenas, as tribos brasileiras também enfrentam preconceito e ataques contra seus rituais tradicionais e crenças religiosas. Segundo a Grande Assembleia dos povos Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), ao menos sete casas de reza dessas tribos foram criminosamente incendiadas em 2021. O panorama do discurso de ódio contra as crenças indígenas será apresentado pela liderança do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, Taty Nhandeva.

Por fim, o impacto do racismo e da xenofobia estruturais na qualidade de vida dos povos originários e no acesso à atendimento médico será abordado pelo advogado indígena e assessor do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Ivo Makuxi. 

Sair da versão mobile