Políticos anticorrupção na mira da justiça

Brasil perde mais de R$ 200 bilhões por ano em esquemas de corrupção, estima ONU

2016 foi um ano sombrio na política brasileira quando 367 deputados federais votaram “sim” pelo processo de impeachment da presidente Dilma  Rousseff (PT).

Nilson Bastian / Câmara dos Deputados

Os brasileiros assistiram a discursos rasos e indecorosos sobre tudo, menos sobre o que importava: os ditos crimes de responsabilidade fiscal.

Nilson Bastian / Câmara dos Deputados

A palavra “família” foi citada 136 vezes, “corrupção” 65 e “Deus”, 59. Ganhava força ali o discurso anticorrupção que fora abraçado por centenas de candidatos nas eleições seguintes após a Operação Lava Jato.

Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

Entretanto os investigadores estimam que “a covid deve bater a Copa do Mundo em casos de corrupção e volume de desvios”.

A pandemia de covid-19 poderia ter sido o momento para apresentar uma postura exemplar por parte dos políticos eleitos com essa bandeira. 

O Regra dos Terços separou uma lista de políticos eleitos com o discurso anticorrupção que estão sendo investigados,  presos ou no banco dos réus dos tribunais Brasil afora.

Nilson Bastian / Câmara dos Deputados

O governador bolsonarista do Acre bateu o recorde ao emplacar dois pedidos de impeachment na primeira semana de 2022. Ele é suspeito de desviar recursos do SUS e do Fundo da Educação Básica.

Diego Gurgel / Agência de Notícias do Acre

Gladson Cameli (PP)

No Amazonas, o governador teve um pedido de impeachment arquivado, após a denúncia da compra de respiradores no total de R$ 2,9 milhões que viriam de uma loja de vinhos.

Wilson Lima (PSC)

Outro aliado do presidente Bolsonaro acusado de corrupção é o governador do Tocantins, afastado no final de 2021 do cargo. Ele é suspeito de superfaturar itens hospitalares e aparelhar a Polícia Civil.

Mauro Carless (PSL)

Nilson Chaves/Governo do Tocantins

No Rio de Janeiro, o ex-juiz foi eleito em 2018 com a promessa de combater a corrupção, entretanto ele acabou afastado do cargo em 2020, depois de ser apontado como um dos beneficiados do esquema que desviava recursos públicos destinados à instalação de sete hospitais de campanha contra à covid-19.

Claudio Andrade/Câmara dos Deputados

Wilson Witzel (PSC)

Em Santa Catarina, o governador eleito como paladino na luta contra a corrupção, foi afastado após dois processos de impeachment. Ele é acusado de fraude na compra de 200 respiradores por R$ 33 milhões, em compra sem licitação, com pagamento antecipado e sem garantias.

Carlos Moisés (PSL)

O governador do Pará é investigado por suposta fraude na contratação de empresas sem licitação no valor de R$ 8,5 milhões para fornecer equipamentos hospitalares.

Helder Barbalho (MDB)

Leonardo Prado / Câmara dos Deputados

Mais um eleito com um forte discurso anticorrupção, o governador de Mato Grosso é acusado de receber ao menos R$ 1 milhão de propina da  da Galvão Engenharia  entre 2012 e fevereiro de 2013.

Mauro Mendes (DEM)

Tchélo Figueiredo / Secom - Cuiabá

O presidente da República também é alvo de investigações. Ao todo, Bolsonaro tem seis inquéritos em andamento no STF e no TSE que apuram desde eventual interferência do presidente na PF a suposta prevaricação sobre irregularidades na negociação da vacina Covaxin.

Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Jair Bolsonaro (PL)

De norte a sul há falsos moralistas investigados em casos de corrupção. Um levantamento da Controladoria-Geral da União aponta que o prejuízo em desvio de recursos para a covid-19 destinados a estados e municípios pode chegar a R$ 300 milhões.

Entre 2020 e 2021 o  prejuízo potencial total (que decorre dos desdobramentos das investigações) em função dos desvios (em várias áreas) chega a mais de R$ 753 milhões

O resultado não poderia ser outro: o Brasil piorou duas posições no ranking internacional de corrupção. Dos 180 países analisados, o país ficou com a 96ª colocação.

O relatório da Transparência Internacional alertou que vem denunciando o enfraquecimento do combate à corrupção diante das falas antidemocráticas do presidente Jair Bolsonaro e também destacou as investigações realizadas pela CPI da covid.

Ainda assim, a volta do discurso anticorrupção continua forte e deve ganhar projeção nas próximas eleições.

créditos

reportagem

Raphaella Caçapava

Seta

edição

Kelli Kadanus