A HISTÓRIA POR TRÁS DA PARADA GAY

Em busca de respeito à diversidade sexual e de gênero, a comunidade LGBT realiza, anualmente, um evento conhecido como Parada Gay. Descubra a origem do movimento.

Origem

A primeira parada do orgulho LGBT foi a revolta de Stonewall, com o nome de um dos poucos bares LGBTI+ em Nova York, durante a década de 1960. O bar se localizava na Rua Christopher, em Greenwich Village.

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Margaux Bellott

História

Em 1969, poucos bares nova iorquinos permitiam LGBTI+ devido à legislação estadual, que multava pessoas que vendessem bebida alcoólica para a comunidade.

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Liam McGarry

Por isso, o Stonewall Inn era clandestino, financiado pela máfia genovesa. Dessa forma, para funcionar ilegalmente, o dono Fat Tony costumava  subornar as delegacias para avisarem as datas de fiscalizações.

Syke Sagisi

No momento das batidas policiais, os clientes disfarçavam vestindo ao menos três peças de roupa características do sexo designado ao nascer, na ideia preconceituosa do "meninos vestem azul, meninas vestem rosa", dita pela ministra do governo Bolsonaro, Damares Alves.

Antonio Cruz/Agência Brasil

O estopim

Porém, em 28 de junho de 1969, policiais que não eram subornados por Fat Tony invadiram o Stonewall,  prendendo proprietários, funcionários, drag queens e travestis.

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"Love & Resistance: Stonewall 50" - Biblioteca Pública de Nova York

Durante o confronto, a travesti negra em situação de rua Marsha P. Johnson liderou os demais clientes a protestarem jogando moedas de um centavo ("dirty cupper" ou cobre sujo) nos policiais, em alusão ao homófono "dirty cop" (policial corrupto).

"Love & Resistance: Stonewall 50" - Biblioteca Pública de Nova York

Além de moedas, os frequentadores do bar começaram a arremessar pedras, garrafas e parquímetros, queimar carros e levantar barricadas, obrigando os policiais a recuarem.

Florian Olivo

As revoltas de Stonewall duraram três dias seguidos, contabilizando diversos presos e policiais e manifestantes feridos. Elas foram o estopim para a organização e o fortalecimento da militância LGBTI+ americana.

Mercedes Mehling

Surge o Dia da Libertação da Christopher Street

Foi apenas no ano seguinte, em 1970, que milhares de manifestantes celebraram o primeiro Dia da Libertação Gay da Christopher Street, como ficou conhecida a primeira parada do orgulho LGBTI+ da História.

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"Love & Resistance: Stonewall 50" - Biblioteca Pública de Nova York

Em 1970, o movimento LGBTI+ também uniu forças com outros movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos, como o feminista, negro e antiguerra. Desde então, paradas de orgulho LGBTI+ começaram a acontecer em diversos países.

Daniel James

Militância  no Brasil

A comunidade LGBT brasileira começou a se organizar em 1995, quando ocorreu a 17° conferência da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex no Rio de Janeiro, a qual terminou com uma pequena marcha na praia de Copacabana.

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Leonardo M.

Em 1996, a militância saiu da ideologia e começou a tomar as ruas. Houve um pequeno ato na Praça Roosevelt, em São Paulo, com cerca de 500 pessoas unidas em prol das demandas LGBTs.

Vinicius Low

Em 1997, um ano depois, ocorreu a primeira parada gay, na Avenida Paulista, com o objetivo de exigir respeito à diversidade e demonstrar o orgulho de ser quem verdadeiramente é.

Divulgação

Na primeira parada, a drag Kaká di Polly lutou para que o movimento acontecesse, fingindo um desmaio para paralisar o trânsito e deixar a parada fluir, enquanto policiais tentavam bloquear o evento.

Divulgação

A luta por direitos civis permanece, sobretudo, porque não há uma lei no Brasil que criminalize a LGBTfobia. A comunidade conseguiu uma pequena vitória em 2018, quando o Supremo Tribunal Federal enquadrou homofobia e transfobia como crimes de racismo.

ASCOM STF

Além disso, mesmo 53 anos após a revolta de Stonewall, as pessoas T ainda enfrentam preconceitos dentro e fora da comunidade.

Armazém Memória - Flickr

Melanie Wasser

No início, o próprio movimento LGBTI+ quis tirar as pessoas T de evidência, alegando que travestis carregavam estereótipos negativos para viabilizar a luta da comunidade.

Raphael Renter

Fora da comunidade, travestis tendem à marginalização social e ao trabalho sexual, seja pela falta de outras oportunidades ou de mero acolhimento familiar.

Horacio Olacarria

Dessa forma, as paradas LGBTQI+ tem muito a comemorar com as conquistas desde Stonewall, mas não devem esquecer que direitos podem ser retirados e ainda há muita violência e motivos para revolta.

Ian Taylor

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créditos

reportagem

Letícia Fortes

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FOntes

Biblioteca Pública de Nova York Observatório G