Os brasileiros têm confiado cada  vez menos em instituições como Presidência da República, STF, Congresso e Forças Armadas.  O que isso significa para a  democracia e para as eleições deste ano? Como reverter esse cenário?

pOLÍTICA

confiança  dos brasileiros  nas instituições está em crise 

Em 2021, o Datafolha constatou que a Presidência da República,  o Congresso e o STF são instituições vistas como não confiáveis para 50%, 49% e 38% dos brasileiros, respectivamente.

Waldr - Flickr

Os brasileiros têm confiado menos nas instituições, e elas têm estado no centro de crises políticas.

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Os embates entre a Presidência da República e o STF, por exemplo, são destaques na imprensa brasileira  - e internacional - desde o início do governo Bolsonaro.

Sérgio Moraes

A última polêmica envolveu a ausência de Bolsonaro no depoimento na PF marcado pelo ministro Alexandre de Moraes para explicar o vazamento de dados sobre a investigação de um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na visão do cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael, existem recuos comuns na aplicação das leis que podem estimular as pessoas a desconfiarem do Judiciário, como a baixa fiscalização do TSE sobre as passeatas eleitorais antes do segundo semestre.

Waldr - Flickr

Carreata pró Bolsonaro durante ato de liberação das águas do Rio São Francisco para o Ceará - 08/02/2022

"A maioria dos ex-presidentes usaram o cargo de presidente para ganhar atenção da mídia e gerar repercussão nacional. Não só o Bolsonaro, mas todos os demais já usaram a entrega de obras públicas como pretexto para fazer campanha política antes das convenções partidárias, o que é proibido. O problema é que o TSE costuma fazer 'vista grossa' em relação a isso".

Ricardo Ismael, cientista político 

Alan Santos/PR

Marcelo Morim

A quebra de expectativa em relação à postura política dos candidatos também é um ponto de frustração para 50% dos brasileiros, segundo o  Instituto Datafolha.

"As campanhas no Brasil já evitavam ou passavam batido em assuntos e discussões fundamentais, e isso não tem nada a ver com as redes sociais. É como se o eleitor votasse em um candidato e desse um cheque em branco para aquela pessoa que vai ser presidente, sem saber exatamente o que ela vai fazer durante o mandato de quatro anos."

Ricardo Ismael, cientista político

Fábio Rodrigues Pozzebom

A população aumentou sua desconfiança em Bolsonaro devido a uma postura de campanha diferente das ações de governo.

Wagner Fensterseifer

"Hoje, o Bolsonaro está agarrado aos partidos do Centrão, os quais ele inclusive combatia na época da campanha, quando se vendia como um candidato antissistema. Só que ele só sobreviveu ao impeachment porque entregou os anéis da coroa para o Centrão".

Ricardo Ismael, cientista político 

Fábio Rodrigues Pozzebom

Lula Marques

De acordo com o cientista político Rodrigo Gonzalez, a crise de confiança nas instituições tem raízes mais profundas, relacionadas ao próprio formato das campanhas políticas.

“Pelo menos nos últimos 20 anos, as campanhas tornaram-se praticamente uma questão de ataque moral, de apontar quem é o mais honesto e quem é o mais corrupto”

Rodrigo Gonzalez, cientista político

Fábio Rodrigues Pozzebom

Fábio Rodrigues Pozzebom

O cientista político Ricardo Ismael ressalta um dos pontos que aprofunda a desconfiança dos brasileiros no Congresso após as eleições: a postura pragmática dos partidos políticos, vista como 'interesseira' por parte da população brasileira.

Sérgio Oliveira

"Hoje, todos os partidos se movimentam para fazer uma aliança que propicie um grande fundo partidário e mais tempo de propaganda eleitoral gratuita."

"E por que os políticos priorizam isso? Porque eles precisam de força na Câmara e no Senado e atingir pessoas com pouca escolaridade e com mais dificuldade de acessar a internet, que acompanham a movimentação política a partir da televisão e do rádio."

Ricardo Ismael, cientista político

Na análise do cientista político da UFRGS Rodrigo Gonzalez, a falta de educação política e tecnológica no Brasil também dificulta a população a diferenciar o que é verdade e o que é mentira sobre as instituições democráticas.

Gustavo Bezerra

Gustavo Bezerra

“O público brasileiro em geral tem uma baixa pluralidade de fontes de informação. O TSE vai falar das agências de checagem nos seus discursos, mas ninguém vai checar, porque se for um conhecido seu que enviou a informação, você vai compartilhar sem conferir. A informação pode até ser mentira, mas se o meme for engraçado,  você passa adiante."

Rodrigo Gonzalez, cientista político

Renan Olaz

A PF concluiu que uma milícia digital responsável pelo disparo em massa  de fake news contra a democracia usa a estrutura do chamado "gabinete do ódio", suspeito de atuar dentro do Palácio do Planalto. O grupo é  formado por três assessores diretos do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente. O relatório foi enviado ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Para Ricardo Ismael, reconstruir a confiança nas instituições passa pela atitude ativa dos brasileiros de cobrar posicionamentos essenciais para o país.

João Santos

"A gente precisa de uma cidadania política onde as pessoas cobrem posições de seus candidatos antes de tomarem a decisão do voto, e o mesmo deve ser feito com as instituições, quando elas se omitem em alguma discussão importante."

Ricardo Ismael, cientista político

Rovena Rosa

créditos

reportagem

Letícia Fortes

Seta

FONTEs

Instituto Datafolha Ricardo Ismael, cientista político  da PUC-Rio Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político e professor da UFRGS