Desenvolvimento sustentável passa por mais meninas na ciência e na tecnologia

Foto: Canva

As mulheres sempre fizeram ciência. 

Ainda que a história as tenha negado o devido reconhecimento.

Hipátia de Alexandria 

A primeira matemática da história. Nascida no ano 370 no Egito, desenvolveu pesquisas em astronomia, física e filosofia.

1815

Augusta Ada Byron

É considerada a mãe da computação. Foi ela quem desenvolveu a linguagem para o projeto para a máquina analítica de Charles Babbage.

1963

Duília  de Mello

Astrofísica extragaláctica, a brasileira estuda a interação entre galáxias que estão prestes a colidir. Fundadora da associação Mulher das Estrelas, ela incentiva crianças a seguir a carreira científica.

1947

Mayana Zatz

Bióloga molecular e geneticista brasileira, sua pesquisa tem como foco a genética humana, principalmente as distrofias musculares progressivas.

Apesar de tantas contribuições, apenas 18 mulheres receberam o Prêmio Nobel em física, química ou medicina em comparação a 613  homens nos mais de 120  anos da premiação.

Na imagem, Andrea Ghez, 4ª mulher a ganhar o Nobel de Física, em 2020.

Hoje, cerca de 30% dos pesquisadores de todo o mundo são mulheres.

Os dados estão no relatório da UNESCO. Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)

Veja o relatório

De acordo com o levantamento muitas meninas são impedidas de se desenvolver por conta da discriminação, pelos diversos vieses e por normas e expectativas sociais que influenciam a qualidade da educação que elas recebem, bem como os assuntos que elas estudam.

As meninas perdem o interesse em STEM à medida que avançam na vida escolar porque é quando os estereótipos de gênero ficam mais evidentes.

A sub-representação das meninas na educação nas áreas em STEM tem raízes profundas e coloca um freio prejudicial no avanço rumo ao desenvolvimento sustentável.

Ainda que consigam furar essa bolha, os desafios continuam. Um estudo brasileiro indicou que, em geral, as pesquisadoras recebem bolsas mais baixas do CNPq, se comparadas aos pesquisadores homens.

Outro estudo realizado pela Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos EUA mostra que lá as mulheres cientistas ganham 20% a menos do que homens.

Tanto a educação quanto a igualdade de gênero estão contempladas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Meninas e mulheres são partes fundamentais no desenvolvimento de soluções para melhorar a vida e para gerar um crescimento “verde” e inclusivo que beneficie a humanidade como um todo.

Elas representam o maior grupo populacional inexplorado para se transformar nas próximas gerações de profissionais nas áreas de STEM.

Isso é importante para os direitos humanos, para a inclusão e para o desenvolvimento sustentável.

É preciso entender e direcionar esforços na luta contra os obstáculos específicos que mantêm as estudantes longe das áreas de STEM.

Para acelerar o ingresso das meninas em STEM é preciso estimular o interesse desde os primeiros anos de vida, combater os estereótipos, formar docentes (homens e mulheres) para encorajar as meninas a seguir carreiras…

Além disso, desenvolver currículos que sejam sensíveis às questões de gênero, realizar a tutoria de meninas e jovens mulheres e transformar mentalidades são alguns dos caminhos possíveis para mudar esse cenário.

Oportunizar equidade na educação em STEM é também permitir às meninas um futuro em carreiras mais promissoras.

“Ciência não é coisa de gênio, ela é para todos e deve ser feita por todos, isso inclui as meninas.”

Duilia de Mello, astrofísica brasileira

créditos

reportagem

Raphaella Caçapava

Seta

FONTEs

UNESCO Fundação Nacional da Ciência (NSF) Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Dell Technologie Institute For The Future