Moldura de canto cinza

Desigualdades na Educação: o que falta para  o Brasil? 

O desinteresse dos jovens em estudar e a dificuldade de acesso a universidade aprofundam as desigualdades no país. Entenda as perspectivas para a educação.

Tânia Rego/Agência Brasil

De 2019 a 2021, o número de crianças não alfabetizadas saltou de 1,4 para 2,5 milhões. Hoje, 40% das crianças entre 6 a 7 anos não sabem ler e escrever.

Entre 2019 a 2021, o número de matrículas de jovens entre 15 a 17 anos no Ensino Médio diminuiu de 679 para 407 mil, pois houve um aumento de estudantes na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

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Arquivo Nacional

Por que tantas crianças e adolescentes abandonaram a Educação Básica?

Para o diretor de pesquisa do Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) Sérgio Guimarães Ferreira, a evasão escolar tem a desigualdade de renda como maior influência.

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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Tânia Rego/Agência Brasil

"Menos de 75% dos jovens das famílias 20% mais pobres concluíram o Ensino Fundamental em 2019, comparados aos jovens das famílias 20% mais ricas." Sérgio Ferreira, diretor de pesquisa do IMDS

O Enem 2020 registrou mais de 50% de abstenção nos dois dias de aplicação, atingindo o recorde de ausências desde 2009.

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em 2021, o Fies teve o menor número de bolsas em 11 anos, com 93 mil contratos. Desde o auge do programa, em 2014, o Fies perdeu 87,3% das vagas.

O ProUni teve o menor número de bolsas desde 2013, com 296,3 mil vagas. Do total de vagas distribuídas em 2021, 146,3 mil foram bolsas de financiamento total e 150 mil, parciais.

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Arquivo Agência Brasil

Por que o financiamento do acesso ao Ensino Superior  tem diminuído durante a pandemia da Covid-19?

Arquivo Nacional do Brasil

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O Brasil segue contrário às tendências internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ao reduzir o investimento em educação durante a pandemia.

Rovena Rosa/Agência Brasil

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Studio Formatura/Galois

Em 2020, 65% dos países-membros da OCDE aumentaram as verbas destinadas à educação, enquanto 35% mantiveram o investimento.

O relatório da OCDE também classificou o Brasil como o país que mais demorou a restabelecer as aulas presenciais. Em 2020, as escolas brasileiras ficaram fechadas, em média, por 178 dias.

Tânia Rego/Agência Brasil

"O Ensino Fundamental e Médio estão bastante desestruturados. Prova disso é que 40% das crianças não estão alfabetizadas no Brasil, segundo o IBGE." Marcos José Zablonsky, doutor em Educação

Tânia Rego/Agência Brasil

"A pandemia e a dificuldade de estudar em casa colocaram um grupo de jovens em um atraso significativo para ingressar, futuramente, no Ensino Médio." Marcos José Zablonsky, doutor em Educação

Tomaz Silva/Agência Brasil

Além do aumento da evasão escolar durante a pandemia, a  escolaridade dos jovens brasileiros permanece impactada pela renda per capita familiar e nível de instrução dos pais.

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Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

"Cerca de 70% dos filhos adultos de pais com Ensino Superior repetem a escolaridade do pai, e 5% dos filhos de pais sem instrução chegam na universidade." Sérgio Ferreira, diretor de pesquisa do IMDS

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Rovena Rosa/Agência Brasil

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Além da situação econômica, o direcionamento ideológico do governo federal também influencia o repasse de  verbas aos governos  estaduais e municipais.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

"O ministro Milton Ribeiro adota uma visão de que 'a universidade não é para todos'. Então qual é a opção que se dá ao jovem para ascender social e intelectualmente?" Marcos José Zablonsky, doutor em Educação

Valter Campanato/Agência Brasil

"Não houve resposta. Há uma precarização das universidades públicas e dos institutos federais, que investem em uma formação mais técnica e poderiam contribuir muito para o desenvolvimento das cidades." Marcos José Zablonsky, doutor em Educação

Arquivo Agência Brasil

Com altas históricas nos índices  de inflação, juros e desemprego, o debate econômico acaba se tornando a pauta mais urgente  nas eleições deste ano.

Regra dos Terços

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A educação, por se tratar de uma pauta com resultados a longo prazo, torna-se uma questão secundária em um cenário de instabilidade no Brasil.

Para o dr. em Educação, Marcos José Zablonsky, os candidatos em 2022 devem se preocupar em como manter os jovens do Fies e do ProUni dentro da universidade e motivar os jovens no Ensino Médio.

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Gabriel Jabur/Agência Brasília

Na análise de Zablonsky, o fato de um a cada quatro jovens entre 15 a 29 anos não trabalhar e nem estudar faz com que o Brasil permaneça subdesenvolvido.

Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasil

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"Uma sociedade precarizada em sua formação intelectual torna-se refém de situações econômicas que transformam a população em uma massa de baixa qualificação." Marcos José Zablonsky, doutor em Educação

Redd

"Sem educação básica e superior acessível e de qualidade, não se investe em termos de desenvolvimento de tecnologias, inovação e capital intelectual." Marcos José Zablonsky, doutor em Educação

Arquivo Pessoal

créditos

reportagem

Letícia Fortes

Seta

FONTEs

Marcos José Zablonsky, doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) . Sérgio Guimarães Ferreira, diretor de pesquisa do Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS)