Dia da mulher: homenagear é empoderar o ano todo

Neste dia da mulher, já pensou em trocar flores e presentes por elogios e demonstrações diárias de apoio? Entenda a importância de lutar pela igualdade de gênero.

As mulheres correspondem a 52% da população brasileira. Porém, o Brasil ainda é o 142º colocado entre 192 países com menores participações femininas na política, elaborada pela União Interparlamentar.

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Na Câmara, apenas 15% dos deputados são mulheres. Já no Senado, elas correspondem a apenas 12% dos senadores.

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As mulheres também são mais de 60% do mercado de trabalho, mas persiste o abismo salarial em relação a homens que desempenham o mesmo cargo.

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Segundo o Global Gender Gap Report, o Brasil ocupa a 130º posição em igualdade de salário. Além do gênero, a etnia também influencia na diferença salarial das mulheres em relação aos homens.

Priscilla Du Preez

O IBGE (2019) constatou que uma mulher negra recebe, em média, cerca de 44,4% da renda média dos homens brancos, que estão no topo da escala de privilégios de cor, gênero e remuneração.

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No Brasil, as mulheres foram marginalizadas desde o período colonial, pois não possuíam direito algum além de serem mães e esposas dedicadas apenas à família e ao trabalho doméstico.

Arquivo Nacional do Brasil

Porém, as posições de mãe e esposa só eram "dignas" de pessoas brancas. As mulheres negras eram hiperssexualidazas, assediadas e estupradas pelos senhores de engenho, pois não eram vistas como humanas.

Arquivo Nacional do Brasil

Foi somente no Brasil República que as mulheres vislumbraram a possibilidade de abandonar o trabalho doméstico. Em 1934, Getúlio Vargas promoveu a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) no Brasil.

Womanizer Toys

Em 1934, houve a  proibição da diferença salarial por gênero e a garantia de licença à maternidade. Porém, as mulheres enfrentavam jornadas de trabalhos longas, exaustivas e recebiam menos que os homens.

Joel Muniz

A Constituição de 1988 reforçou as conquistas femininas com o princípio da isonomia (todos são iguais perante a lei). Porém, a existência de direitos ainda não coibiu, na prática, o comportamento da sociedade.

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O principal problema é o machismo estrutural. Segundo a ONU Mulheres, em 2016, 95% das mulheres e 81% dos homens concordaram que o Brasil naturaliza muitos comportamentos machistas, como se fossem "brincadeiras".

Tima Miroshnichenko

O "fiu-fiu" e outras provocações na rua não são elogios, são assédios. Dizer que a mulher "tem que se dar ao respeito" é uma forma de aprisioná-la em um padrão recatado e do lar, como herança do período colonial.

Ipanemah Corella

Além da discriminação salarial, a ideia de que existem profissões "de homem" e outras "de mulher" também é machismo. Uma mulher pode ser excelente engenheira, e um homem pode ser um ótimo cabeleireiro.

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Como crescemos e fomos criados em uma sociedade machista, as mulheres também podem reproduzir atitudes e pensamentos preconceituosos, pois o machismo se trata de uma ideologia.

Jessica Podrazza

Reforçar a distribuição desigual de tarefas domésticas, criar filhas meninas com mais restrições de comportamento e socialização do que meninos também são reproduções do machismo estrutural.

Alina Blumberg

Piadas de mulheres no volante, sogras e loiras não são normais. Elas classificam as mulheres como burras, más e superficiais, mas foram tão naturalizadas a ponto de se tornarem "brincadeiras".

Tima Miroshnichenko

A melhor homenagem é ser feminista, o que não significa ser machista às avessas. O feminismo é uma luta diária pela igualdade de gênero e pela parceria entre mulheres, chamada de sororidade.

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A luta feminista se faz em duas frentes: de forma individual, através de pequenas mudanças nas palavras e ações do dia-a-dia, ou de forma coletiva, através de protestos organizados.

Ashkan Forouzani

Dividir tarefas domésticas, repreender falas e atitudes machistas, consumir o trabalho feminino nas artes, ciências e esportes e eleger mulheres são atitudes diárias que promovem a igualdade de gênero.

Jonathan Chng

O Fórum Econômico Mundial estima que o Brasil levará mais de 93 anos para alcançar a igualdade de gênero.

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Se você quer que as mulheres encontrem igualdade de gênero, segurança nas ruas e respeito na sociedade antes de 2115, é hora de se tornar feminista. E o alerta vale para ambos os gêneros.

Brian Kyed

créditos

reportagem

Letícia Fortes

Seta

FONTEs

Instituto Brasileiro de Geografia e  Estatística (IBGE) Fórum Econômico Mundial