Os rostos invisíveis da fome no Brasil

¼ da população brasileira vive abaixo da linha da pobreza

“Eu não tenho banheiro em casa e não consigo trabalho porque preciso ir muito ao médico para acompanhar um câncer que tive.”

Silvia*

* nome fictício de uma moradora do Paraná que tem vergonha de mostrar seu rosto.

“A vida já era difícil, mas agora ficou tudo pior. Meu filho cata latinha pra tentar ajudar, mas se não fossem as doações estaríamos perdidos.”

Eliana, moradora do Cachoeira, bairro de Curitiba.

Círculo traçado
Círculo traçado

Silvia e Eliana são um pequeno recorte da face invisível de milhões de brasileiros que vivem na pobreza, número que triplicou em seis meses.

Em agosto de 2020 eram 9,5 milhões de pessoas. Já em fevereiro de 2021 eram mais de 27 milhões.

“Tem muita gente passando fome. A gente faz o que pode pra ajudar.” – Sebastião, líder comunitário.

54,8 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza, ou seja, 1/4 da população de todo país.

“Tá muito difícil conseguir emprego, a gente faz o que pode para sobreviver.”

-Eliane

Eliane tem razão. O Brasil atingiu no final de 2021 a sexta maior taxa de desemprego em uma lista com 42 países.

Ao todo são 38,9 milhões de pessoas na informalidade, 12 milhões de desempregados, 7,4 milhões de subocupados e 4,8 milhões de desalentados.

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

"A FOME DÓI."

- Slvia

Ou seja, são 64,5 milhões de brasileiros fora da força de trabalho, quase ⅓ da população do país.

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

19,1 milhões de brasileiros passam fome. As crianças são as mais afetadas. Mesmo antes da pandemia, uma em cada três crianças do país sofria de anemia por falta de ferro.

Aumento do consumo de miojo, pé de galinha e de queimaduras provocadas por cozinhar com álcool são indicadores  da piora na vida dos mais pobres.

O problema é antigo no Brasil e mostra a fragilidade a qual os mais pobres estão expostos em momentos de crise.

SENDO A MAIORIA NA INFORMALIDADE

ELES POSSUEM UMA RENDA MUITO VOLÁTIL

Morando em áreas periféricas, eles também têm mais dificuldade de acesso ao trabalho e renda.

Boa parte dessas famílias têm apenas um responsável pela renda da casa.

A inflação também afeta os mais pobres e chegou a ser 15% superior à dos mais ricos em 2021.

O Brasil deve chegar em 2031 com 45,6% dos domicílios nas classes D e E.

"A pobreza tem várias dimensões: além da falta de renda, envolve habitação precária, problemas de saúde, escolaridade baixa."

Maurício Prado, diretor da consultoria Plano CDE.

créditos

reportagem

Raphaella Caçapava 

Seta

FONTEs

– Austin Rating – IBGE – IPEA – Plano CDE – Penssan – UFSCar

- Agência Senado - Pixabay - Canva - Raphaella Caçapava