Pincelada inclinada

TEM MULHER NO SAMBA

Não apenas na dança, mas nos instrumentos, no canto, na composição, na administração das escolas...

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Da mistura de ritmos africanos no século 19, nasceu na Bahia o samba.

Criminalizado durante a década de 1920, quem fosse pego cantando ou dançando o ritmo poderia ser preso.

Anéis

MESMO OPRIMIDO,  o samba cresceu e se tornou um símbolo 

Imagem: BNDigital/Reprodução

Cruz

DA MÚSICA BRASILEIRA.

Mas a história de perseguição não impediu que o samba se tornasse um reflexo da sociedade e impusesse também uma cultura machista às mulheres.

Se aos homens cabia composição, os instrumentos e o protagonismo, às mulheres foram destinados papéis muito específicos como na cozinha, onde estão as “tias”, e na dança quase sempre sexualizada.

Foto: reprodução

Hilária Batista de Almeida (1854-1924), conhecida como Tia Ciata

Dona Ivone de Laura

Os espaços foram sendo ocupados com a luta de muitas mulheres, como Dona Ivone Lara (1922-2018), compositora que não podia assinar as próprias composições por ser mulher.

Mais de um século depois, as mulheres continuam a apoderar-se dos espaços do samba para além da dança -  e também com ela.

ELAS QUEREM

SER ENXERGADAS

NÃO APENAS OLHADAS

Pink

“Para ocupar os espaços além dos estabelecidos, normalmente há duas possibilidades. Uma é a da tutela, em que se é tratada como ‘café com leite’, com um certo olhar paternal. A outra é a do exotismo.”

– Manu da Cuíca, uma das autoras do samba da Mangueira, campeã do carnaval de 2020.

Em São Paulo, as mulheres ocupam 30% dos cargos que, até meados da década de 70, eram exclusivamente destinados aos homens.

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Em menos de 10 anos, elas vão dividir o comando do Carnaval de igual para igual.

- carnavalesca Maria Apparecida Urbano.

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

No Rio de Janeiro, em 2022, apenas uma escola de samba do grupo especial tinha uma mulher na presidência:

A Imperatriz também é a única a contar com uma carnavalesca solo. A Portela divide o posto entre um homem e uma mulher. Todas as demais têm a posição ocupada por um ou mais homens.

Foto: Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo

Já quando o assunto é a composição do samba enredo,  apenas a Salgueiro tem entre os vários compositores uma mulher.

Explodir com seta

O Encontro Nacional das Mulheres na Roda de Samba,

que acontece todos os anos desde 2018, também representa  o fortalecimento da força feminina no samba.

o encontro é um símbolo de resistência, sororidade e empoderamento.

Presente em 70% dos estados brasileiros,

“O Brasil é machista. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte.” BETH CARVALHO

Raphaella Caçapava

Reportagem

Edição

Erick Mota

Seta

Imagens

Pixabay Canva Divulgação